Liquidação do Will Bank Eleva Desembolso do FGC para Recorde de R$ 47 Bilhões no Caso Master

A recente liquidação extrajudicial do Will Bank, determinada pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira, 21 de fevereiro, impacta significativamente o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A decisão eleva a estimativa de pagamentos relacionados ao caso do Banco Master para aproximadamente R$ 47 bilhões, consolidando-se como o maior desembolso da história do fundo.

Impacto Financeiro e o Novo Recorde do FGC

Com a incorporação dos compromissos do Will Bank, a projeção de pagamentos do FGC salta dos atuais R$ 40,6 bilhões para um patamar próximo dos R$ 47 bilhões. Este aumento reflete a responsabilidade do Fundo em ressarcir os credores da instituição financeira digital, respeitando o limite máximo de cobertura estabelecido em R$ 250 mil por CPF/CNPJ. Estima-se que o FGC deverá destinar cerca de R$ 6,5 bilhões adicionais para honrar os depósitos de investidores do Will Bank.

Da Tentativa de Venda à Decisão Inevitável

Inicialmente, o Will Bank havia sido poupado em novembro, quando o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, seu controlador. À época, a expectativa de uma concretização de venda da empresa levou à decretação de um Regime Especial de Administração Temporária (Raet). Um fundo chegou a manifestar interesse na aquisição, mas impôs uma condição: um aporte de R$ 5,5 bilhões a fundo perdido do FGC. Essa solução, embora representasse um custo potencialmente menor para o fundo, é proibida pela legislação, impedindo o avanço das negociações.

O cenário de incerteza se agravou com o anúncio da Mastercard, na terça-feira, 20, de que deixaria de aceitar compras feitas com cartões de crédito do Will Bank. A medida foi motivada pelo descumprimento das grades de pagamento por parte da instituição. De acordo com o Banco Central, este fato, somado ao esgotamento de recursos próprios do Will Bank, tornou a liquidação extrajudicial "inevitável", conforme nota divulgada pela autoridade monetária.

Processo de Ressarcimento e Cronograma

Para que o FGC possa realizar os pagamentos, o liquidante responsável tanto pelo Will Bank quanto pelo Banco Master, Eduardo Félix Bianchini, precisará elaborar uma relação completa de todas as garantias a serem quitadas. Este processo, que normalmente leva cerca de 30 dias, pode ter seu prazo estendido dependendo da complexidade das informações e da análise necessária. Após a obtenção da lista final, o pagamento aos credores seguirá os trâmites usuais do FGC.

É importante notar que parte das garantias dos investidores do Will Bank que adquiriram produtos elegíveis após a incorporação da instituição pelo Master já estavam contabilizadas na cifra inicial de R$ 40,6 bilhões. Os R$ 6,5 bilhões adicionais que o FGC deverá desembolsar referem-se especificamente a investimentos realizados antes da aquisição do Will Bank pelo Banco Master, que ocorreu em 2024. Criado em 2017, o Will Bank alcançou a marca de 9 milhões de clientes, tornando a sua liquidação um evento de grande repercussão no setor financeiro digital.

Implicações Futuras e a Confiança no Sistema

A liquidação do Will Bank e o subsequente aumento no desembolso do FGC para um valor recorde destacam a complexidade e os riscos inerentes ao setor financeiro. O papel do Fundo Garantidor de Créditos é fundamental para preservar a confiança dos depositantes e investidores no sistema bancário, assegurando a proteção de parte de seus ativos em situações de insolvência de instituições. O desfecho completo deste caso, com a finalização dos pagamentos, será um marco na história do FGC e do mercado financeiro brasileiro.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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