Em um movimento que desafia as convenções de relações públicas, o presidente-executivo da Ryanair, Michael O’Leary, revelou que sua recente troca de farpas online com Elon Musk não apenas o divertiu, mas também se traduziu em um benefício tangível para os negócios da companhia aérea de baixo custo. A polêmica digital, que ganhou as manchetes, resultou em um notável aumento nas reservas, confirmando a filosofia de O'Leary de que 'qualquer publicidade é boa publicidade'.
A Polêmica Digital que Turbinou as Reservas
Durante uma coletiva de imprensa em Dublin, Michael O’Leary confirmou que as reservas de voos registraram um aumento significativo de 2% a 3% após a intensa interação nas redes sociais entre ele e o bilionário da Tesla e SpaceX. A controvérsia, iniciada em 14 de janeiro, teve sua faísca quando O'Leary declarou que a Ryanair não instalaria o serviço de Wi-Fi Starlink da SpaceX em suas aeronaves, citando o peso e o arrasto adicionais da antena como fatores que aumentariam substancialmente os custos de combustível. Musk, em resposta, classificou O'Leary como 'mal informado' em uma postagem no X (anteriormente Twitter), o que levou o executivo da Ryanair a retrucar, referindo-se a Musk como 'idiota'. Longe de se incomodar, O’Leary expressou seu contentamento com a repercussão, afirmando estar 'muito feliz em continuar a controvérsia' se isso resultasse em aumento de vendas, chegando a agradecer publicamente a Musk. A campanha foi coroada com o lançamento da promoção 'Big ‘Idiot’ Seat Sale', que ofertou 100 mil assentos com preços a partir de aproximadamente US$ 20, evidenciando a capacidade da empresa de transformar uma briga em uma estratégia de marketing.
A Estratégia de Marketing Provocativa e a Decisão sobre o Wi-Fi
A tática de capitalizar sobre polêmicas não é novidade para Michael O’Leary. Conhecido por sua franqueza e por não hesitar em fazer declarações extravagantes sobre políticos ou lançar campanhas de marketing de alto impacto, o CEO da Ryanair tem um histórico consolidado de usar a controvérsia para impulsionar a visibilidade e as vendas. A decisão de não implementar o Starlink, que esteve no cerne da disputa com Musk, não se baseia apenas na provocação. O'Leary detalhou que o uso da tecnologia da SpaceX poderia elevar os custos de combustível da Ryanair em, no mínimo, US$ 150 milhões anualmente. Atualmente, a companhia aérea irlandesa está em discussões com diversos fornecedores de Wi-Fi, incluindo Starlink, Amazon.com e Vodafone, mas mantém a postura de adiar a instalação de banda larga a bordo até que um modelo de negócio eficiente permita oferecer o serviço gratuitamente aos passageiros. Segundo o executivo, ainda não há uma solução viável pela qual os clientes estejam dispostos a pagar, mas ele se mantém otimista quanto à evolução tecnológica que tornará o Wi-Fi gratuito em voos de curta distância uma realidade.
Visão de Futuro e o Posicionamento da Ryanair no Mercado
Além da gestão estratégica de polêmicas, O’Leary também abordou as perspectivas futuras da Ryanair. A companhia aérea, cofundada pelo já falecido Tony Ryan em 1984, consolidou-se como a maior empresa de baixo custo da Europa. Em relação ao crescimento, o CEO considerou 'razoável supor' que o tráfego de passageiros aumentará de 207 milhões para 215 milhões nos próximos doze meses, sinalizando uma contínua expansão. Quanto à infraestrutura, a Ryanair prevê receber seus primeiros Boeing 737 Max 10 em janeiro de 2027, antecipando em alguns meses a estimativa original. Curiosamente, ao ser questionado sobre a possibilidade de Elon Musk adquirir a companhia, O’Leary desconsiderou a ideia, citando as rigorosas regras da União Europeia que exigem que a Ryanair seja controlada e majoritariamente detida por cidadãos da UE. No entanto, o CEO não perdeu a oportunidade de encorajar Musk a investir no negócio, mantendo o tom irreverente que o caracteriza.
A saga entre O’Leary e Musk é um testemunho da capacidade da Ryanair de transformar a controvérsia em capital de marketing, reforçando a imagem de uma companhia aérea que não tem medo de ser disruptiva. Ao converter uma troca de insultos em um evento promocional de sucesso, Michael O’Leary reafirma seu lugar como um dos executivos mais audaciosos do setor, provando que, para a Ryanair, até um xingamento pode ser um trampolim para o sucesso comercial.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

