Auditoria Alerta para Falta de Transparência em Resort Frequentado por Ministro do STF

A aquisição de parte de um luxuoso resort no Paraná, que tem entre seus frequentadores o ministro Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal (STF), desencadeou um alerta de auditores independentes. Um fundo de investimento, que comprou a participação dos irmãos do ministro no empreendimento Tayayá, foi advertido sobre a ausência de documentação essencial para comprovar o 'valor justo' do negócio. A situação levanta sérias questões sobre a transparência das operações financeiras e se insere em um contexto mais amplo de investigações que envolvem a gestora do fundo e outras instituições.

Fundo de Investimento e as Dúvidas da Auditoria

Auditores independentes que examinaram as finanças do fundo de investimento identificaram a carência de demonstrações contábeis e de outras comprovações que atestassem o patrimônio líquido da entidade. Embora o fundo tenha declarado um patrimônio líquido de R$ 34,6 milhões em seus mais recentes balanços, referentes ao período de dezembro de 2024 a maio de 2025, a auditoria não conseguiu validar esses números. A falha no acesso a documentos cruciais, como o laudo de avaliação do 'valor justo da investida' – o resort Tayayá –, levou os profissionais a emitir uma 'abstenção de opinião'. Este é um posicionamento pouco comum no universo das auditorias, indicando a impossibilidade de formar uma conclusão satisfatória sobre a adequação dos saldos apresentados, ou de descartar potenciais distorções nas demonstrações financeiras. Observações similares e a mesma abstenção de opinião foram registradas em balanços de períodos anteriores, cobrindo desde dezembro de 2021 até maio de 2025.

Conexões Financeiras: Toffoli, Reag e o Banco Master

O fundo em questão, estabelecido em 2021, é administrado pela Reag, uma gestora que já se encontra sob escrutínio. A Reag está sendo investigada por supostas fraudes envolvendo o Banco Master, culminando na liquidação extrajudicial da instituição bancária pelo Banco Central em novembro de 2025, no âmbito da Operação Compliance Zero. Foi através de um dos fundos geridos pela Reag que o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro (dono do Banco Master e também alvo da segunda fase da Compliance Zero), adquiriu em 2021 uma parcela da participação de dois irmãos de Dias Toffoli no Tayayá. Na época da transação, esta participação foi avaliada em R$ 6,6 milhões. Como consequência dessa operação, a empresa Maridt, dos irmãos do ministro, passou a ter o fundo ligado a Zettel como seu principal sócio, com um dos irmãos de Toffoli mantendo-se na administração do resort. A complexidade dessas relações ganha ainda mais relevância dado que o ministro Toffoli é o relator do caso que envolve o Banco Master e afeta diretamente Daniel Vorcaro no STF.

Recursos Públicos e a Segurança no Tayayá

Além das questões de transparência nas transações, há um ponto de interrogação sobre o uso de recursos públicos em viagens para a região do resort. Registros do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região indicam um total de 128 dias de viagens entre 2022 e 2025 para Ribeirão Claro (PR), onde o Tayayá está localizado. Essas viagens, realizadas em feriados, fins de semana prolongados e durante o recesso do Judiciário, tiveram como objetivo o apoio à segurança de autoridades do STF, mediante solicitação da própria Corte. O custo total dessas diárias ascendeu a R$ 460 mil. Embora o TRT-2 não divulgue o nome do ministro atendido em cada ocasião, a coincidência geográfica com um resort notoriamente frequentado por Dias Toffoli adiciona mais um elemento à narrativa de escrutínio público em torno do empreendimento.

Repercussões e o Cenário das Investigações

A situação do resort Tayayá e as transações financeiras associadas não são casos isolados. Eles se inserem em um panorama de investigações mais amplas sobre fraudes e irregularidades financeiras. A Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que tem Zettel como um dos alvos, já desdobrou-se em apurações que afetam outras instituições. O Banco Central, por exemplo, solicitou ao BRB que provisionasse R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas relacionadas à fraude do Banco Master. Simultaneamente, a Polícia Federal deflagrou uma operação contra o RioPrevidência, investigando investimentos feitos entre 2023 e 2024 que também possuíam vínculos com o Banco Master. Este cenário reforça a urgência de clareza e responsabilização nas operações financeiras envolvendo fundos e grandes transações, especialmente quando há conexões com figuras públicas e o sistema de justiça.

A ausência de documentação robusta sobre o 'valor justo' da participação no resort Tayayá, combinada com as conexões a investigações de grande escala e o uso de recursos públicos para segurança na mesma localidade, desenha um quadro que exige maior transparência e respostas. O caso continuará sob o olhar atento da imprensa e das autoridades, à medida que os desdobramentos das auditorias e das investigações criminais avançam, buscando dissipar as dúvidas e garantir a integridade do mercado financeiro e das instituições públicas.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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