Vale: Análise Detalhada Após Rali Expressivo e Expectativas para o 4T25

A Vale (VALE3) tem sido um dos destaques na B3, registrando um impressionante avanço de 17,5% em 2026 e acumulando ganhos de 48% nos últimos seis meses, com dois terços desse desempenho concentrados nos últimos 60 dias. Este rali significativo é impulsionado principalmente pela valorização do minério de ferro e por um fluxo consistente de capital estrangeiro para as blue chips brasileiras. Em um momento de grande expectativa, a mineradora se prepara para divulgar seu Relatório de Produção e Vendas referente ao quarto trimestre de 2025 (4T25) na próxima terça-feira, 27 de fevereiro, após o fechamento do mercado, antecipando os resultados financeiros completos previstos para 12 de fevereiro. Este cenário levanta a questão crucial sobre o que o mercado pode esperar da companhia e de suas ações daqui para frente.

Desempenho Operacional: Projeções para o 4T25

As projeções de casas de análise, como a Genial Investimentos, indicam uma tendência de queda sequencial na produção da Vale para o 4T25, um movimento considerado natural e atribuído à sazonalidade do início da estação chuvosa no final do ano. Para o minério de ferro, a expectativa é de uma produção de 89,3 milhões de toneladas (Mt), representando uma redução trimestral de 5,4%, mas ainda um crescimento anual robusto de 4,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

No que tange aos indicadores financeiros, o trimestre deve ser marcado por um incremento no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) proforma, com estimativa de atingir US$ 4,6 bilhões. Isso representaria um avanço de 5,4% na comparação trimestral e de 12,5% em relação ao ano anterior. Esse crescimento é impulsionado por um efeito duplo favorável sobre os finos de minério de ferro, com aceleração nos preços realizados para US$ 95,7 por tonelada (+1,4% t/t; +2,9% a/a). A recuperação na curva do minério de ferro com 62% de teor, que atingiu uma média de US$ 106 por tonelada (+4% t/t), também contribui positivamente, embora parcialmente compensada por um prêmio ligeiramente negativo de -US$ 0,30 por tonelada.

O segmento de pelotas, por sua vez, deverá apresentar relativa estabilidade. A Genial estima uma produção de 8,0 Mt e embarques de 8,7 Mt, ambos com leve queda de 0,3% em relação ao trimestre anterior, e um declínio de 13,1% na comparação anual. Essa estabilidade reflete a disciplina da companhia em manter o fornecimento em um mercado menos atraente estruturalmente. A ausência de um aumento sazonal na produção de pelotas é estratégica, visando preservar margens e direcionar a matéria-prima para finos de minério de ferro, dadas as condições desafiadoras de demanda na Europa e no Japão, além da reintrodução da oferta da Samarco. Os preços realizados das pelotas são projetados em US$ 133,3 por tonelada (+1,9% t/t; -6,8% a/a), com suporte modesto do benchmark de 65% de pureza do minério e potencial de alta limitado.

Revisão da Recomendação: Genial Investimentos Adota Postura Neutra

Apesar da visão construtiva que a Vale tem apresentado e do rali expressivo de suas ações, a equipe de análise da Genial Investimentos anunciou um rebaixamento na recomendação da companhia. Após mais de três anos ininterruptos com indicação de compra, a recomendação foi alterada para 'Manter'. Os analistas justificam a decisão pela dificuldade em encontrar margem de segurança, do ponto de vista fundamentalista, que justifique a elevação contínua nos preços das ações.

Três fatores principais levaram a essa mudança. Primeiramente, uma visão mais cética sobre os preços futuros do minério de ferro em comparação com o consenso de mercado. Em segundo lugar, a rápida compressão do desconto de valuation da empresa, impulsionada pelos fortes fluxos de capital estrangeiro. Por fim, a negociação das ações VALE3 em patamares próximos ao valor intrínseco estimado pela casa de análise. Mesmo com a revisão para cima dos preços-alvo (ADRs de US$ 15 para US$ 17 e VALE3 de R$ 80 para R$ 90), o upside residual é limitado a apenas 5,1%. Essa revisão de preço já incorpora uma premissa melhorada para o minério de ferro, com expectativa de US$ 90 por tonelada em 2027, considerando um ramp-up mais lento do que o esperado de novas ofertas, como Simandou.

Perspectivas de Longo Prazo e Consenso de Mercado

É importante ressaltar que o rebaixamento da recomendação pela Genial Investimentos não representa uma visão negativa sobre a tese de longo prazo da Vale. A casa de análise permanece estruturalmente construtiva quanto à direção estratégica da companhia e à sua trajetória de execução. A possibilidade de uma recomendação mais otimista seria revisitada caso as condições de mercado, seja por meio de uma correção no preço da ação ou de uma reavaliação de aspectos ainda não precificados, criem um descolamento relevante entre o valor intrínseco e o preço de mercado. Contudo, no momento atual, a percepção é que o rali recente já precificou grande parte das melhorias em curso, justificando uma postura mais neutra.

Em contraste com a cautela da Genial, grande parte dos analistas de mercado mantém uma visão otimista sobre as ações da Vale. Uma compilação da LSEG revela que, entre os analistas que cobrem os ativos, nove possuem recomendação de compra, enquanto seis mantêm uma recomendação neutra. O Bank of America, por exemplo, reiterou sua recomendação de compra na última sexta-feira, com preços-alvo de US$ 17 para os ADRs e R$ 89 para as ações VALE3, reforçando a crença no potencial da mineradora.

Conclusão

O panorama para a Vale em 2026 é complexo, marcado por um rali notável em seus ativos, sustentado por fundamentos sólidos como a alta do minério de ferro e o fluxo estrangeiro. No entanto, enquanto a companhia se prepara para detalhar seu desempenho operacional do 4T25, o mercado observa com atenção. As projeções apontam para resultados robustos, especialmente no Ebitda, mas também indicam uma revisão na percepção de valor por parte de algumas casas de análise. A decisão da Genial Investimentos de rebaixar a recomendação para 'Manter' reflete a cautela com a valuation atual após o forte crescimento, apesar de manter uma visão positiva de longo prazo. O consenso de mercado, contudo, ainda pende para o otimismo, sugerindo que os próximos dados e relatórios da Vale serão cruciais para consolidar as expectativas e direcionar o movimento das ações no futuro próximo.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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