O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana com um misto de otimismo e cautela, refletindo tanto as projeções econômicas internas quanto os desenvolvimentos internacionais. O Ibovespa futuro registrou ganhos em diversos momentos da manhã, embora tenha moderado sua alta, enquanto o dólar comercial e os juros futuros apresentaram recuo. As atenções se voltaram para o novo Boletim Focus, os desdobramentos do Acordo de Associação Mercosul-União Europeia e importantes movimentações no cenário geopolítico e de commodities, com destaque para a Opep+ e as relações entre China e Índia.
Desempenho dos Ativos Nacionais
O contrato futuro do Ibovespa, termômetro do mercado acionário, mostrou volatilidade, com alta inicial que o levou a alcançar a marca de 183.250 pontos, uma nova máxima histórica. Contudo, os ganhos foram posteriormente ajustados, estabilizando-se em patamares como 181.000 ou 181.155 pontos, com avanços mais contidos. Paralelamente, o dólar comercial registrava queda, negociado a R$ 5,28, enquanto as taxas dos juros futuros também apresentavam recuo. No âmbito internacional, as ADRs da Vale valorizavam 1,67% no pré-mercado, e o índice EWZ, que replica a performance de ações brasileiras negociadas nos EUA, operava com alta de 1,12% na pré-abertura americana, enquanto o DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de moedas, recuava 0,45%.
Projeções Macroeconômicas do Boletim Focus
As novas projeções do Boletim Focus trouxeram um cenário ligeiramente revisado para a economia brasileira. O relatório semanal do Banco Central indicou uma nova queda na expectativa para a inflação em 2026, sinalizando um controle mais efetivo dos preços no médio prazo. Em contraste, a projeção para a cotação do dólar em 2029 sofreu uma alta, refletindo possíveis incertezas futuras. Para o ano de 2025, a estimativa do déficit em conta corrente se mostrou mais favorável que o antecipado, com a expectativa de encerrar o período em 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB), um número menor do que o anteriormente projetado.
O Acordo Mercosul-UE: Perspectivas e Impactos a Longo Prazo
Um dos principais destaques do dia foi a assinatura do Acordo de Associação entre Mercosul e União Europeia. Embora o pacto prometa diminuir tarifas e agravos comerciais, além de fortalecer a cooperação política e o desenvolvimento sustentável, especialistas apontam que seus efeitos mais substanciais serão sentidos apenas no longo prazo. O Bradesco, por exemplo, destaca a importância da União Europeia como um dos principais destinos das exportações brasileiras, sendo o segundo maior parceiro comercial do Brasil se considerado um único país. No entanto, as longas transições para a diminuição de tarifas entre os blocos justificam a expectativa de um impacto gradual no comércio.
Do lado do Mercosul, a aprovação do acordo prevê tarifa zero imediata para produtos industriais selecionados, como aeronaves, equipamentos de transporte, certos produtos químicos e maquinário. Por outro lado, a União Europeia terá um prazo de 12 anos para zerar as tarifas de 95% dos bens importados do Mercosul e 85% dos importados especificamente do Brasil. No setor agrícola, o acordo visa trazer maior transparência e reduzir atritos comerciais, mas as cotas e tarifas distribuídas entre os países indicam um aumento marginal e limitado para os produtos agrícolas brasileiros e sul-americanos no mercado europeu, que busca preservar o caráter protecionista de seu setor interno.
Cenário Global: Energia e Relações Internacionais
Opep+ e a Estratégia do Petróleo
No mercado de commodities, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) deve manter a pausa no aumento da produção de petróleo para março, em uma reunião programada para o domingo. Essa decisão provável ocorre em meio à alta dos preços do barril, que já superaram US$66 neste mês, impulsionada em parte por uma queda na produção de petróleo no Cazaquistão. O grupo de oito membros — Arábia Saudita, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Kuwait, Iraque, Argélia e Omã — se reunirá em 1º de fevereiro, após ter suspendido os aumentos mensais de produção de janeiro a março, diante de previsões de demanda mais fracas, e ter elevado as metas em cerca de 2,9 milhões de barris por dia entre abril e dezembro de 2025.
Aproximação entre China e Índia
No plano geopolítico asiático, o presidente chinês, Xi Jinping, fez declarações conciliatórias à Índia, classificando as duas nações como "boas vizinhas, amigas e parceiras" ao parabenizar a presidente Droupadi Murmu pelo Dia da República indiano. Segundo a agência de notícias Xinhua, Xi Jinping enfatizou a importância das relações sino-indianas para a manutenção da paz e prosperidade global, reiterando a crença de que a proximidade é a escolha correta para ambos os países. Ele utilizou a metáfora do "dragão e o elefante dançando juntos" para descrever a cooperação e os intercâmbios que espera ver ampliados entre as duas potências asiáticas.
Em suma, o dia foi marcado pela interação de fatores domésticos e internacionais que moldaram o comportamento dos mercados. As expectativas sobre a inflação e o déficit em conta corrente, o potencial transformador, mas gradual, do acordo Mercosul-UE, e as dinâmicas do mercado global de petróleo, juntamente com o aprimoramento das relações diplomáticas na Ásia, compuseram um cenário complexo e em constante evolução para os investidores.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

