Os mercados de metais preciosos registraram movimentos distintos nesta terça-feira, com a prata sofrendo uma acentuada queda enquanto o ouro manteve-se próximo da estabilidade. Investidores optaram pela realização de lucros em meio a um cenário de múltiplas incertezas, que incluem a iminente decisão de política monetária do Federal Reserve, a constante tensão geopolítica global e os riscos de uma possível paralisação do governo norte-americano, sem perder de vista a influência política sobre o banco central dos EUA.
Dinâmica dos Metais Preciosos: Ouro Resiliente, Prata em Correção
Na divisão de metais da bolsa de Nova York (Comex), o contrato futuro de ouro para fevereiro encerrou o pregão com uma valorização marginal de 0,01%, cotado a US$ 5.082,60 por onça-troy, sinalizando uma notável resiliência diante do panorama instável. Em contrapartida, a prata para março experimentou um recuo significativo de 8,26%, fechando a US$ 105,957 a onça-troy. Essa forte correção na prata é amplamente interpretada como uma realização de lucros após períodos de alta recorde, ajustando o mercado e refletindo a tomada de ganhos por parte dos investidores.
Fed sob Holofotes e Ameaça de Shutdown nos EUA
A atenção do mercado financeiro volta-se para a decisão de política monetária do Federal Reserve, esperada para quarta-feira, com a maioria dos analistas prevendo a manutenção das taxas de juros após o corte de 25 pontos-base em dezembro. Além da expectativa sobre os juros, a nomeação do próximo presidente da instituição, sucessor de Jerome Powell, pelo presidente Donald Trump ainda nesta semana, adiciona uma camada de incerteza e especulação sobre a independência do banco central americano, dada a vocalização de Trump sobre o tema. Paralelamente, o cenário político doméstico nos EUA acende um alerta: a possibilidade de uma nova paralisação federal, caso democratas e republicanos não cheguem a um acordo sobre o Orçamento até sábado, é uma preocupação real, com chances de 79% de ocorrer, segundo a plataforma Polymarket. Nigel Green, CEO da deVere Group, enfatiza que 'os mercados agora tratam a estabilidade política como uma variável macroeconômica', sublinhando o impacto direto dessas questões na percepção de risco dos investidores.
Fatores Geopolíticos e a Volatilidade Especulativa
Além das questões internas americanas, o cenário geopolítico global continua a instigar a volatilidade nos mercados de metais preciosos. Analistas do Maybank apontam que pontos críticos, como as ambições de Donald Trump sobre os minerais da Groenlândia, suas posições em relação ao Irã e os desdobramentos na Venezuela, atuam como catalisadores de incerteza, impulsionando a busca por ativos de refúgio. Contudo, mesmo em um ambiente de riscos elevados, o ouro não está imune a movimentos de correção. A Tradu.com adverte que o metal precioso 'permanece vulnerável à realização de lucros e à volatilidade, especialmente à medida que as posições especulativas aumentam', indicando que o volume de apostas no ouro pode levar a oscilações acentuadas, independentemente do cenário fundamental mais amplo.
A complexa interação entre fatores macroeconômicos, decisões de bancos centrais, instabilidade política doméstica e tensões geopolíticas configura um ambiente de cautela para os mercados de metais preciosos. Enquanto a resiliência do ouro sugere uma busca contínua por segurança em tempos de incerteza, a acentuada queda da prata ressalta a importância da gestão de riscos e da realização de lucros após valorizações expressivas. A vigilância sobre os próximos passos do Federal Reserve, os desenvolvimentos políticos nos EUA e no cenário internacional será crucial para determinar a trajetória desses ativos nos próximos períodos, mantendo os investidores em alerta para novas oportunidades ou desafios.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

