A mais recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que manteve a taxa Selic em 15% na última quarta-feira, gerou uma reviravolta significativa nas expectativas do mercado financeiro. A sinalização clara de um provável início do ciclo de cortes já na próxima reunião de março impulsionou os investidores a projetarem uma redução mais robusta na taxa básica de juros. Dados levantados pela XP Investimentos revelam essa mudança de perspectiva, indicando uma forte inclinação para um corte mais acentuado.
Aumento das Expectativas para um Corte Agressivo da Selic
A pesquisa da XP Investimentos, conduzida logo após a divulgação do comunicado do Copom em 28 de janeiro, capturou um notável deslocamento nas apostas. Antes da decisão, 55% dos investidores institucionais esperavam um corte de 0,50 ponto percentual na Selic, enquanto 33% projetavam uma redução de 0,25 ponto e uma minoria de 9% não antecipava qualquer alteração. No entanto, o tom do comunicado inverteu essa balança, elevando a proporção daqueles que preveem um corte de 0,50 ponto para expressivos 71% dos participantes. Consequentemente, a expectativa por uma redução de 0,25 ponto diminuiu para 29%, refletindo a percepção de que o Copom está mais propenso a agir de forma decisiva.
Comunicação 'Dovish' Reafirma Projeções de Juros Menores
A leitura majoritária do comunicado do Banco Central foi amplamente classificada como 'dovish', um termo que, no jargão econômico, indica uma postura favorável a juros mais baixos. Segundo o levantamento da XP, 74% dos entrevistados interpretaram o texto com essa inclinação. Apenas 4% consideraram-no 'hawkish' (favorável a juros mais altos), e 22% o avaliaram como neutro. Essa percepção generalizada de um Banco Central mais flexível e proativo na busca por taxas menores solidifica a crença de que o ciclo de afrouxamento monetário será iniciado em breve e, possivelmente, com maior intensidade.
Reflexos no Mercado de Ativos Financeiros
As novas expectativas não se limitaram à Selic, reverberando também nas projeções para diversos ativos financeiros. Com a abertura do mercado, observou-se um estreitamento na curva de juros futuros, sinalizando uma antecipação de custos de empréstimos mais baixos para o futuro. Os vencimentos de janeiro de 2027 registraram recuos médios de 6 pontos-base, enquanto os de janeiro de 2029 e janeiro de 2031 apresentaram quedas mais acentuadas, de 10 e 8 pontos-base, respectivamente. No que tange ao câmbio, a projeção mediana para o dólar se ajustou, indicando um valor em torno de R$ 5,20, o que sugere uma certa estabilidade ou apreciação da moeda nacional frente à expectativa de juros mais altos no futuro e, agora, a perspectiva de cortes graduais.
Detalhes da Pesquisa e Metodologia
A pesquisa que subsidiou estas análises foi conduzida pela XP Investimentos no dia 28 de janeiro, imediatamente após o anúncio da decisão do Copom. Contou com a participação de 78 investidores institucionais, que incluíam gestores de fundos, economistas e consultores. É importante ressaltar que os resultados apresentados são consolidados de forma agregada, refletindo a visão conjunta desses participantes e não necessariamente a posição institucional da XP Investimentos.
Em suma, a comunicação do Copom foi interpretada pelo mercado como um sinal inequívoco de que a redução da Selic é iminente, e a maioria dos investidores já se prepara para um corte de maior magnitude. A próxima reunião do Comitê, em março, será crucial para confirmar se essa expectativa se concretizará, definindo os rumos da política monetária e seus impactos na economia brasileira.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

