O cenário político em Brasília ganhou um novo capítulo com a formalização, nesta segunda-feira (2), do pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados. Encabeçada pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), a iniciativa busca lançar luz sobre supostas fraudes financeiras que teriam ocorrido na relação entre o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB). A proposta, que inicialmente contava com 199 assinaturas, rapidamente superou as expectativas, angariando o apoio de 201 parlamentares, número que garante sua tramitação regimental e sublinha a relevância do tema para uma parcela significativa da Casa.
A Profundidade da Investigação: Fraudes e Prejuízos Multibilionários
Na justificativa que acompanha o requerimento, o deputado Rollemberg classificou a instauração da CPI como 'urgente e necessária' para desvendar 'um dos maiores e mais sofisticados esquemas de fraude financeira da história recente do País'. As investigações propostas visam examinar uma série de irregularidades que, conforme apurações preliminares da Polícia Federal, resultaram em um prejuízo estimado em mais de R$ 12,2 bilhões. Entre as práticas que seriam apuradas, destacam-se a 'fabricação de fundos fraudulentos, a falsificação de contratos, a montagem de ativos inexistentes'. O parlamentar ainda sublinha o risco e o potencial dano ao patrimônio público, o impacto direto em fundos previdenciários e na vida de servidores, além de possíveis conexões político-financeiras envolvidas na complexa teia das operações.
Pressão Parlamentar e o Alvo Designado
A articulação em torno da CPI não se limita aos corredores do Congresso. Em suas redes sociais, Rollemberg intensificou a cobrança pela instalação imediata da comissão, afirmando que 'não existe espera' e 'não existe desculpa' para uma pauta de tamanha urgência para o país. Em suas declarações, o deputado nomeou Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, como um dos focos centrais da apuração. Para Rollemberg, a sociedade brasileira 'tem o direito de saber agora como Vorcaro chegou onde chegou, quem abriu as portas, quem fechou os olhos e quem lucrou enquanto o risco recaía sobre a população'. Ele reiterou que a 'transparência não pode ser adiada', exigindo uma investigação profunda sobre bilhões em potencial dano ao interesse público e a responsabilidade de quem tinha o dever de fiscalizar. Caso seja instalada, a CPI terá a missão de conduzir as apurações em até 120 dias, com um corpo de 27 deputados titulares e igual número de suplentes, refletindo a importância e a complexidade do tema.
Divisão Política e os Desafios no Caminho da CPI
A proposta de investigação, no entanto, já gera atritos no ambiente político. A bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara, conforme manifestação de seu líder, Lindbergh Farias (RJ), anunciou que debaterá a possibilidade de apoiar a CPI do Banco Master ao longo da semana. Contudo, a posição do governo federal diverge: José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, expressou à CNN Brasil sua oposição à instalação da comissão. Após encontro com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), Guimarães também informou que o regimento interno não permite o cancelamento da tramitação de pedidos de CPIs que foram protocolados anteriormente, o que sugere que, apesar da resistência governista, o processo deve seguir seu curso. Paralelamente à iniciativa de Rollemberg, a oposição tem articulado a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) – envolvendo deputados e senadores – para aprofundar as investigações sobre as supostas irregularidades que permeiam as operações do Banco Master, elevando a pressão sobre o Congresso para uma resposta contundente.
Com o número de assinaturas necessário garantido e a manifestação pública do deputado Rodrigo Rollemberg, o pedido de CPI do Banco Master avança na Câmara dos Deputados. O embate político em torno de sua instalação é evidente, mas a urgência e a gravidade das acusações de fraude bilionária, com possíveis ramificações em fundos previdenciários e no patrimônio público, colocam o tema no centro do debate nacional. A sociedade aguarda agora os próximos passos para que as responsabilidades sejam apuradas e a transparência prevaleça sobre um dos maiores escândalos financeiros recentes do país.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

