O setor financeiro brasileiro iniciou o ano com um forte impulso no mercado de capitais. Impulsionadas por uma expressiva entrada de capital estrangeiro na Bolsa, as ações dos grandes bancos registraram valorizações notáveis em janeiro. Enquanto o Ibovespa avançou 12,6% nesse período, papéis como Itaú (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC4) apresentaram ganhos de 16%, 16% e 17%, respectivamente. O Santander (SANB11), embora abaixo do índice geral, também fechou o mês com uma valorização de 9,5%. Diante de tamanha e rápida apreciação, surge a questão: os "bancões" estão com preços elevados ou ainda oferecem oportunidades? Analistas de diversas instituições financeiras debatem o tema, apontando suas preferências e ressalvas.
Itaú BBA: Reprecificação e Escolhas Estratégicas
Para o Itaú BBA, o rali de janeiro configurou uma reprecificação generalizada dos ativos, sem que houvesse, de fato, mudanças significativas nas projeções de lucros ou no cenário macroeconômico, como as taxas de juros. Apesar dessa tendência de valorização poder persistir, a análise aponta que os níveis de valuation atuais não são imediatamente óbvios. No entanto, o banco mantém um otimismo com o setor, destacando algumas escolhas que poderiam ter um desempenho favorável mesmo em uma eventual correção do mercado.
Preferências e Avaliações de Valor
Entre suas principais escolhas, o Itaú BBA cita Nu (BDR: ROXO34) e Bradesco (BBDC4), argumentando que essas instituições possuem um maior suporte de seus próprios lucros para atravessar possíveis turbulências. Em contrapartida, o Banco do Brasil (BBAS3) é visto em um cenário de maior risco, dada a ausência de alterações fundamentais que justifiquem o salto nos múltiplos. Avaliando o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE), o Bradesco é o único banco incumbente na cobertura do Itaú BBA com um ROE projetado para 2026 acima de sua média dos últimos cinco anos, o que confere maior sustentação aos múltiplos atuais. Já o Santander (SANB11) apresenta um ROE próximo à média histórica, mas com múltiplos acima dela, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) tem um ROE esperado oito pontos percentuais abaixo de sua média histórica, tornando-o mais suscetível a impactos negativos em correções de mercado impulsionadas por fluxo. As recomendações do Itaú BBA, portanto, são "outperform" (desempenho acima da média do mercado) para o Bradesco, e "marketperform" (desempenho em linha com a média) para Santander e Banco do Brasil.
UBS BB: Descontos Ocultos e a Busca por Exposição
O UBS BB também pondera sobre o encarecimento dos bancos tradicionais após o recente rali. Ao comparar as avaliações atuais com suas médias históricas (indicadores P/L – Preço sobre Lucro e VPL – Valor Presente Líquido), o Itaú Unibanco (ITUB4) é negociado com um leve prêmio. Entretanto, o banco ressalta que o Retorno sobre o Patrimônio Líquido Ajustado (ROAE) do Itaú está acima de sua média histórica, o que não se verifica para Bradesco e Santander Brasil.
Preferência por Holdings e Bancos com Desconto
A recomendação do UBS BB para o Itaú é "neutra", devido ao limitado espaço para uma reavaliação adicional. Por essa razão, o banco prefere a Itaúsa (ITSA4), a holding que controla o Itaú, como forma de obter exposição à instituição. A Itaúsa apresenta um desconto de aproximadamente 23,4%, considerado excessivo pelo UBS BB. Por outro lado, Bradesco e Santander Brasil são vistos como negociados ainda com desconto em relação às suas médias históricas, o que lhes confere recomendações de "compra". Entre os bancos tradicionais, o Santander Brasil (SANB11) é a opção preferida do UBS BB, devido ao seu valuation atrativo e perspectivas de melhoria.
JPMorgan e a Pluralidade de Recomendações
A diversidade de opiniões entre as casas de análise é um traço marcante do mercado de capitais. Em complemento às visões do Itaú BBA e UBS BB, o JPMorgan apresenta seu próprio posicionamento. O banco mantém recomendação "neutra" para o Banco do Brasil (BBAS3) e para o Bradesco (BBDC4). Em contraste, o JPMorgan adota uma postura mais otimista em relação ao Santander Brasil (SANB11) e ao Itaú (ITUB4), atribuindo a ambos a recomendação "overweight" (acima da média do mercado, equivalente a compra). Essas diferentes perspectivas sublinham a complexidade da análise de valuation em um cenário pós-rali.
Conclusão: Análise Individualizada para o Setor Bancário
O forte desempenho das ações do setor financeiro em janeiro, impulsionado pelo fluxo de capital estrangeiro, levantou a inevitável questão sobre a sustentabilidade dos preços. As análises de instituições como Itaú BBA, UBS BB e JPMorgan revelam um cenário de divergência, onde não há um consenso claro sobre se os "bancões" estão universalmente caros. Enquanto alguns bancos são vistos com prêmio ou em risco devido à ausência de mudanças fundamentais, outros ainda são negociados com desconto em relação às suas médias históricas, ou oferecem um ROE projetado que justifica os múltiplos atuais.
Para o investidor, o panorama exige uma análise detalhada e individualizada. A compreensão de métricas como ROE, P/L e VPL, bem como a avaliação das perspectivas de crescimento e da resiliência de cada instituição, são cruciais. O mercado bancário brasileiro, apesar do rali inicial do ano, continua a oferecer diferentes perfis de risco e retorno, demandando uma estratégia seletiva em vez de uma abordagem generalista.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

