França Aprova Orçamento 2026 e Supera Crise Política Após Rejeição de Votos de Desconfiança

Após meses de incertezas e uma prolongada crise política, a França finalmente aprovou seu orçamento para 2026 nesta segunda-feira. A legislação orçamentária recebeu luz verde após a rejeição de duas moções de desconfiança, marcando o fim de uma saga complexa e sinalizando um período de relativa estabilidade para o frágil governo minoritário do primeiro-ministro Sébastien Lecornu. A decisão encerra um ciclo de intensa negociação que manteve a classe política francesa em suspense e alarmou parceiros europeus, dada a delicada situação econômica do país.

Uma Crise Orçamentária de Longa Duração

As negociações em torno do orçamento se estenderam por quase dois anos, um período turbulento exacerbado pela eleição antecipada de 2024 do presidente Emmanuel Macron, que resultou em um Parlamento sem maioria clara. Esse cenário de fragmentação política coincidiu com a descoberta de um vultoso rombo nas finanças públicas, tornando a necessidade de austeridade fiscal ainda mais premente. A incapacidade de aprovar um orçamento consistente não apenas custou o cargo a dois primeiros-ministros anteriores e instabilizou os mercados de dívida franceses, mas também gerou preocupação sobre a saúde econômica da França perante seus parceiros europeus.

A Estratégia de Lecornu e as Concessões Cruciais

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu, cuja nomeação caótica em duas etapas, em outubro, foi alvo de escárnio em diversos setores, emergiu como figura central para destravar o impasse. Ele demonstrou habilidade política ao conseguir o apoio crucial dos parlamentares socialistas. Esse suporte foi conquistado por meio de concessões que, embora custosas, foram estrategicamente direcionadas para atender a demandas-chave da oposição. A principal vitória obtida pelos socialistas foi a suspensão de uma impopular reforma previdenciária, adiando o aumento planejado da idade de aposentadoria para 64 anos. Essa medida fica agora postergada para depois da eleição presidencial do próximo ano, aliviando a pressão sobre uma questão social sensível e garantindo os votos necessários para a aprovação do orçamento.

Rejeição das Moções de Desconfiança e a Aprovação Final

A aprovação do orçamento de 2026, que já estava com mais de um mês de atraso em relação ao cronograma, foi diretamente habilitada pela falha de duas moções de desconfiança. As propostas, apresentadas por grupos da extrema-esquerda e da extrema-direita do espectro político, não obtiveram a maioria absoluta necessária para serem aprovadas. A decisão crucial dos socialistas de não apoiar nenhuma das moções foi determinante para o resultado, garantindo que o governo de Lecornu pudesse prosseguir com a sanção do pacote fiscal, finalizando um dos capítulos mais complexos da política recente francesa e consolidando uma vitória crucial para a administração.

Impacto e Perspectivas para a Estabilidade Econômica

Apesar de o primeiro-ministro Lecornu ter observado um déficit orçamentário ainda elevado de 5% do PIB, a nova estabilidade política reverberou positivamente nos mercados financeiros. Investidores demonstraram otimismo, e o prêmio de risco da dívida do governo francês em relação ao benchmark alemão retornou aos níveis observados pela última vez em junho de 2024, antes do anúncio da eleição antecipada por Macron, que gerou incerteza. Lecornu celebrou a aprovação, afirmando em uma postagem no X: “A França finalmente tem um orçamento. Um orçamento que abraça escolhas claras e prioridades essenciais. Um orçamento que controla os gastos públicos, que não aumenta os impostos para as famílias e as empresas”. Ele também informou que o orçamento será submetido ao Tribunal Constitucional para garantir sua plena conformidade com a Constituição francesa.

Com a aprovação do orçamento e a superação das moções de desconfiança, o governo de Sébastien Lecornu ganha um fôlego vital em um cenário político desafiador. Embora os persistentes desafios econômicos, como o déficit fiscal, continuem exigindo atenção, a conclusão desta fase de intensa incerteza permite que a França projete uma imagem de maior solidez e se concentre em sua agenda de governança com uma base legislativa mais estável.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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