CPI do Crime Organizado Intima Governador Ibaneis Rocha após Ausência em Depoimento Chave

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal elevou o tom contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), ao decidir por sua convocação formal. A medida drástica foi tomada após a ausência do chefe do executivo local em um depoimento agendado para esta terça-feira, 3 de outubro, que tinha como pauta central esclarecer possíveis elos entre o Banco de Brasília (BRB) e as supostas fraudes investigadas no Banco Master. A decisão da CPI reforça a seriedade do inquérito e a determinação dos parlamentares em obter os esclarecimentos necessários.

Tentativas de Substituição e o Impasse na CPI

O aviso sobre a impossibilidade de comparecimento de Ibaneis Rocha foi comunicado à CPI na noite anterior ao depoimento, conforme informações da assessoria do senador Fabiano Contarato (PT-ES), presidente do colegiado. No documento, o governador sugeria o secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar, como seu substituto para prestar os esclarecimentos. Contudo, Avelar também não compareceu ao Senado, deixando a comissão sem a presença da figura designada.

Diante do cenário, o secretário-executivo da pasta, Alexandre Patury, compareceu ao Congresso. Sua presença, no entanto, foi considerada insuficiente pelos parlamentares, que entendiam a necessidade de ouvir diretamente o governador ou, no mínimo, o secretário indicado. Em razão da ausência das figuras-chave, a sessão foi cancelada. A avaliação unânime dos membros da CPI foi de que a situação impôs a necessidade de uma convocação formal de Ibaneis Rocha, instrumento que, ao contrário de um convite, torna o comparecimento do convocado obrigatório sob pena de crime de responsabilidade.

As Acusações Subjacentes e o Envolvimento do Palácio do Buriti

A reação da CPI ocorre em um contexto de crescentes questionamentos sobre o grau de conhecimento e eventual envolvimento do Palácio do Buriti nas operações financeiras investigadas. O foco da CPI reside nas alegadas fraudes atribuídas ao Banco Master e em suas possíveis conexões com o Banco de Brasília (BRB), uma instituição financeira estatal do Distrito Federal. A natureza exata das irregularidades e a extensão dos prejuízos são pontos cruciais que a comissão busca desvendar.

Um elemento que intensificou a pressão sobre o governador Ibaneis Rocha foi o depoimento prestado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Vorcaro afirmou ter discutido diretamente com o governador a respeito da eventual venda da instituição financeira ao BRB. O governador do Distrito Federal, por sua vez, nega categoricamente ter participado de tais conversas ou ter qualquer conhecimento direto sobre as operações que estão sob investigação da CPI, contradizendo a versão apresentada pelo empresário e acentuando a necessidade de sua oitiva.

Próximos Passos e Implicações Políticas

Com a decisão de convocar formalmente o governador, a CPI do Crime Organizado sinaliza que não recuará em suas apurações. A medida coloca Ibaneis Rocha em uma posição delicada, exigindo que ele compareça e preste os esclarecimentos diretamente aos parlamentares. A expectativa é que a oitiva, uma vez agendada, traga luz sobre as alegações de Daniel Vorcaro e sobre o possível conhecimento do governo do Distrito Federal a respeito das supostas irregularidades que conectam o BRB ao Banco Master. O desdobramento deste caso pode ter implicações significativas para a administração do DF e para a própria imagem do governador.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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