Caso Orelha: Polícia Civil de SC Conclui Investigação e Pede Internação de Adolescente por Morte de Cão Comunitário

A Polícia Civil de Santa Catarina anunciou a conclusão das investigações sobre a brutal morte do cão Orelha, um animal comunitário querido em Florianópolis, agredido fatalmente na Praia Brava no início de janeiro. A complexidade do caso exigiu uma apuração minuciosa, que culminou na identificação de um adolescente como principal suspeito, cuja internação foi solicitada. Além disso, três adultos foram indiciados por coação a testemunhas, revelando a extensão das repercussões do crime.

A Tragédia na Praia Brava e a Morte de Orelha

Orelha, um cão comunitário de grande afeto na região da Praia Brava, foi atacado na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30. Laudos da Polícia Científica confirmaram que a causa da morte foi uma pancada contundente na cabeça, sugerindo um chute ou o uso de um objeto rígido, como madeira ou uma garrafa. Resgatado por populares no dia seguinte, o animal não resistiu aos ferimentos e faleceu em uma clínica veterinária, gerando grande comoção e indignação na comunidade catarinense.

Intensa Investigação Multidisciplinar

A apuração, conduzida pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA), foi exaustiva. Os investigadores analisaram cerca de mil horas de filmagens, provenientes de 14 diferentes equipamentos de segurança, e ouviram 24 testemunhas. A equipe policial também empregou um sofisticado software francês para rastrear e analisar a localização do adolescente responsável durante o período crítico do ataque, um recurso tecnológico fundamental para desvendar o caso.

Peças-Chave e Desmentidos: A Identificação do Suspeito

A investigação detalhada conseguiu traçar a movimentação do adolescente. Registros de imagens mostraram sua saída de um condomínio às 5h25 e o retorno às 5h58 na companhia de uma amiga. Inicialmente, o jovem negou ter saído do local, alegando ter permanecido na piscina do condomínio no momento do crime. Contudo, as filmagens, o software de localização e os depoimentos de testemunhas corroboraram sua presença externa, desmentindo sua versão.

Elementos cruciais para a identificação foram peças de vestuário. Familiares do adolescente tentaram ocultar um boné rosa e um moletom que teriam sido usados no dia do ataque. Embora um familiar tenha tentado justificar a aquisição do moletom durante uma viagem posterior, o próprio adolescente admitiu já possuir a peça e tê-la utilizado. Celulares e roupas foram apreendidos ao seu retorno de uma viagem aos Estados Unidos, para onde viajou no mesmo dia em que os primeiros suspeitos foram identificados.

Desdobramentos Legais e Contraponto da Defesa

Diante da gravidade dos elementos e provas reunidos, a Polícia Civil solicitou a internação do adolescente, medida equivalente à prisão para adultos, seguindo as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Paralelamente, a investigação resultou no indiciamento de três adultos por coação a testemunhas, apontando para tentativas de interferência no processo de apuração da verdade.

Por outro lado, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais do jovem, afirmaram em nota que as informações divulgadas se baseiam em "elementos circunstanciais" que, segundo eles, não constituem prova definitiva e não autorizam conclusões categóricas. A defesa alega ainda que não teve acesso integral aos autos da investigação e que o caso estaria "politizado", contestando a condução e as conclusões apresentadas.

Próximos Passos: Justiça e Análise Complementar

Com a finalização dos procedimentos policiais, os casos de Orelha e Caramelo (outro caso mencionado pela Polícia Civil no comunicado) foram encaminhados para apreciação do Ministério Público e do Poder Judiciário. A polícia enfatizou que a extração e análise dos dados dos celulares apreendidos ainda complementarão as provas já obtidas e poderão trazer novas informações ao processo judicial. O desfecho legal do caso Orelha agora segue para as instâncias jurídicas, onde as provas e argumentos da defesa serão avaliados para a decisão final.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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