A Polícia Civil de Santa Catarina deu um novo passo na apuração da morte do cão Orelha, um caso que comoveu o país e se tornou um emblema na luta contra a violência animal. Na última sexta-feira, as autoridades catarinenses requisitaram a apreensão do passaporte de um dos adolescentes suspeitos de agredir o cachorro comunitário. O objetivo da medida, da qual a Polícia Federal já foi notificada, é evitar que o menor deixe o território brasileiro enquanto o inquérito segue seu curso.
Orelha, um cão que vivia em Florianópolis, faleceu no início de janeiro, vítima de maus-tratos. Sua morte gerou uma onda de indignação nacional, colocando em evidência a urgência de respostas eficazes por parte das instituições de segurança pública. Contudo, a condução da investigação pela Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) tem sido alvo de diversas críticas e questionamentos, tanto da opinião pública quanto de órgãos fiscalizadores.
Medida Cautelar Visa Garantir Acompanhamento do Caso
A solicitação de apreensão do passaporte representa uma manobra estratégica da Polícia Civil para assegurar que o adolescente investigado permaneça à disposição da justiça. Com a notificação à Polícia Federal, o procedimento visa fechar qualquer eventual brecha para uma possível evasão do país, garantindo assim que todas as etapas legais do processo investigativo possam ser devidamente cumpridas. A gravidade do delito, aliada à repercussão do caso, exige das autoridades uma postura firme para evitar a impunidade.
Críticas e Intervenção do Ministério Público na Apuração
Desde o início, a investigação sobre a morte de Orelha tem enfrentado escrutínio público e críticas substanciais. Alegações de mudanças constantes nos rumos da apuração e uma percepção de falta de transparência por parte da PCSC levaram à intervenção do Ministério Público. A instituição solicitou à Polícia Civil maior clareza e precisão na reconstrução dos fatos, buscando sanar as inconsistências apontadas e garantir a credibilidade do processo.
Paralelamente, a defesa do adolescente acusado tem contestado diversas afirmações presentes no inquérito policial. Diante desse cenário de questionamentos, organizações não governamentais (ONGs) dedicadas à proteção animal, preocupadas com a possibilidade de impunidade, formalizaram um pedido para que o Ministério Público e a Polícia Federal assumam a liderança da investigação. Tal solicitação reflete a crescente desconfiança da sociedade civil na capacidade da PCSC de levar o caso a uma conclusão justa e transparente.
Cenário de Maus-Tratos Animais em Santa Catarina
O caso Orelha não é um incidente isolado de crueldade animal sob a alçada da Polícia Civil de Santa Catarina. A corporação também está à frente da investigação de outro chocante episódio, o de Caramelo, um cão que sofreu uma tentativa de afogamento na Praia Brava, igualmente em Florianópolis. A recorrência desses crimes de maus-tratos a animais na região reforça a necessidade de um olhar mais atento e de ações mais contundentes por parte das autoridades, não apenas para punir os culpados, mas para prevenir novas ocorrências e proteger a vida animal.
A atenção sobre a eficácia das investigações e a aplicação da lei em casos de crueldade contra animais nunca foi tão grande. A comunidade e ativistas aguardam com expectativa os desdobramentos deste e de outros inquéritos, esperando que a justiça seja feita e que os responsáveis por tais atos hediondos respondam por suas ações, consolidando um precedente importante para a proteção dos direitos animais no Brasil.
Fonte: https://portalleodias.com

