O Levi’s Stadium, na Califórnia, será o palco do aguardado Super Bowl 60, neste domingo, às 20h30 (de Brasília), onde New England Patriots e Seattle Seahawks reeditarão a emocionante final de 2015. A grande decisão da NFL coloca frente a frente dois quarterbacks com trajetórias notavelmente distintas, apesar de uma origem comum no draft: Drake Maye e Sam Darnold, ambos selecionados como terceiras escolhas em seus respectivos anos. Enquanto Maye busca um título precoce em sua segunda temporada, Darnold celebra uma reviravolta na carreira, provando seu valor após anos de desafios. Este confronto promete não apenas um espetáculo esportivo, mas também uma narrativa rica em superação e liderança inesperada.
A Ascensão Meteórica de Drake Maye e a Nova Era dos Patriots
Pelo lado da Conferência Americana (AFC), os New England Patriots chegam ao Super Bowl em um processo de profunda reformulação, tendo em Drake Maye seu símbolo maior. Aos 23 anos, o quarterback pode gravar seu nome na história como o mais jovem a conquistar o troféu Vince Lombardi, superando o recorde de Ben Roethlisberger. Escolhido no draft de 2024, Maye desembarcou em uma franquia que buscava reencontrar o rumo desde a saída de Tom Brady em 2020, período marcado por temporadas negativas e quarterbacks sem se firmarem.
Maye não se intimidou com a imensa sombra de seu antecessor, demonstrando talento e resiliência já em sua temporada de estreia. Apesar do nível técnico da equipe em seu primeiro ano não ter permitido voos mais altos, a segunda temporada, sob o comando do novo técnico Mike Vrabel, viu o jovem quarterback explodir. Seus números de jardas em passes praticamente dobraram, saltando de 2.276 para 4.394. O comentarista de NFL do grupo Globo, Antony Curti, destaca a precocidade do sucesso de Maye: “Se ele for campeão, será sem dúvidas um fenômeno. Não vou dizer que era algo esperado tão rapidamente. Maye tinha potencial e é muito nítido que sua ética profissional fez com que ele desse um salto já na segunda temporada. É raro ver um jogador ser protagonista tão jovem assim.”
A Redenção de Sam Darnold e a Jornada dos Seahawks
Já os Seattle Seahawks, campeões da Conferência Nacional (NFC), apostam suas fichas na experiência e na reviravolta de Sam Darnold. Sua carreira na NFL teve um início conturbado após ser selecionado pelo New York Jets em 2018, cercado de grandes expectativas. No entanto, suas três temporadas na franquia foram ofuscadas por performances irregulares, lesões e o protagonismo de outros quarterbacks de sua classe, como Josh Allen e Lamar Jackson. Uma passagem pelo Carolina Panthers, que também não rendeu o esperado, o fez flertar com a frustração.
A virada começou em 2023, quando Darnold aceitou ser o terceiro reserva no San Francisco 49ers, um ano que, a princípio, parecia “perdido”. Ele utilizou esse período para aprimorar seus fundamentos e reencontrar sua motivação. Em 2024, no Minnesota Vikings, sua ascensão se consolidou, registrando 35 touchdowns na temporada, um feito impressionante que superou o total de suas quatro temporadas anteriores combinadas (27). Chegou a Seattle com moral e entregou mais de 4 mil jardas em passes e 25 touchdowns na temporada regular, um desempenho que o colocou ao lado de Tom Brady como os únicos a liderar dois times diferentes a 14 vitórias em anos consecutivos. Antony Curti analisa a performance de Darnold nos playoffs: “A narrativa foi desmontada nos playoffs: ele jogou contra rivais fortes e não comprometeu. Creio que a confiança é justificável para o momento.”
O Peso das Lesões e o Contexto Histórico do Duelo
A preparação para o Super Bowl 60 também foi marcada por preocupações com a condição física dos dois quarterbacks. Sam Darnold chega à grande final sem estar 100% em forma, devido a uma lesão no músculo oblíquo do abdômen, sofrida em 15 de janeiro, que limitou sua participação nos treinos iniciais da semana decisiva. Drake Maye, por sua vez, também lidou com uma contusão recente no ombro direito, sofrida na final da conferência contra o Denver Broncos há duas semanas, mas conseguiu treinar normalmente nos dias que antecederam o jogo.
Além das histórias individuais de seus líderes, o confronto entre Patriots e Seahawks carrega um peso histórico significativo, sendo uma reedição da memorável final de 2015, quando New England saiu vitorioso. O Super Bowl, que será transmitido por Sportv, ESPN e Ge TV, transcende o campo de jogo, tornando-se um evento de engajamento global e um fenômeno midiático. A visibilidade alcançada, inclusive através de aparições de 30 segundos no intervalo, que custam milhões de dólares, reforça a dimensão do que está em jogo, tanto em termos esportivos quanto comerciais.
Com a bola prestes a subir, o Super Bowl 60 promete ser um embate épico, não apenas pela disputa do título, mas também pela colisão de duas narrativas inspiradoras. De um lado, a ascensão vertiginosa de Drake Maye, representando o futuro e a renovação dos Patriots. Do outro, a resiliência e a redenção de Sam Darnold, que personifica a persistência dos Seahawks. Ambos os quarterbacks, antes considerados improváveis em posições de tamanha visibilidade, agora têm a chance de coroar suas distintas jornadas com a glória máxima da NFL.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

