O cenário da política monetária dos Estados Unidos ganha contornos de prudência, com o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, sinalizando que o Federal Reserve (Fed) não deverá agir precipitadamente na gestão de seu volumoso balanço patrimonial. A expectativa de Bessent, manifestada em declaração recente, sugere que, mesmo diante de uma possível liderança de Kevin Warsh – conhecido por suas críticas às expansivas compras de títulos do banco central –, a instituição deve adotar uma abordagem calculada e demorada para qualquer ajuste significativo em suas participações.
A Visão do Tesouro sobre a Estratégia do Fed
Em entrevista ao programa “Sunday Morning Futures” da Fox News, Scott Bessent enfatizou que a decisão sobre o futuro do balanço patrimonial do Fed caberá inteiramente à instituição, sem pressões externas. Ele previu que tal deliberação pode levar até um ano para ser finalizada. Bessent sublinhou que, mesmo com um novo presidente, como Kevin Warsh, que ele descreve como “muito independente”, o banco central não agiria com celeridade se a política adotada for um regime de reservas amplo, o qual inerentemente exige um balanço patrimonial de maior vulto. Essa perspectiva indica uma janela de tempo considerável para o amadurecimento das decisões internas do Fed.
A Evolução do Balanço Patrimonial do Federal Reserve
O balanço patrimonial do Fed testemunhou uma expansão sem precedentes em resposta a crises econômicas. Inicialmente inflado durante a crise financeira global e, posteriormente, com a pandemia de Covid-19, seu objetivo era reduzir as taxas de juros de longo prazo e injetar liquidez no sistema. Os ativos atingiram um pico de US$ 9 trilhões no verão de 2022. Desde então, a instituição iniciou um processo de aperto quantitativo, permitindo que seus ativos diminuíssem de forma gradual, alcançando US$ 6,6 trilhões no final de 2025.
Contrariando a tendência de enxugamento, o Fed reverteu parcialmente esse curso em dezembro passado, quando iniciou novas compras técnicas de letras do Tesouro. Essa ação visou assegurar liquidez suficiente no sistema financeiro, um movimento crucial para manter um controle rigoroso sobre sua meta de taxa de juros e garantir a estabilidade do mercado.
O Debate em Torno da Redução: Visões Conflitantes
A discussão sobre a dimensão ideal do balanço do Fed ganha complexidade com a figura de Kevin Warsh. Ex-diretor do Fed de 2006 a 2011, Warsh é um proponente vocal da redução dos ativos do banco central. Ele argumenta que a vasta carteira do Fed distorce as finanças da economia, defendendo a necessidade de diminuir substancialmente o montante de títulos detidos pela instituição para restaurar um funcionamento de mercado mais eficiente.
No entanto, a implementação de tal redução não é isenta de desafios e divergências políticas. Especialistas apontam que um corte drástico no balanço patrimonial do Fed poderia entrar em conflito com objetivos econômicos mais amplos. Por exemplo, desejos de taxas de hipoteca significativamente mais baixas, como expressado pelo ex-presidente Donald Trump, seriam dificultados por uma política de aperto. Além disso, a manutenção da estabilidade financeira, uma prerrogativa central do Fed, poderia ser comprometida por uma ação abrupta e agressiva de desinflação do balanço.
Em suma, o caminho a ser trilhado pelo Federal Reserve em relação ao seu balanço patrimonial é multifacetado, envolvendo considerações de liderança, metas de liquidez e estabilidade financeira, e pressões políticas. A previsão de Scott Bessent de uma abordagem cautelosa e demorada sublinha a complexidade de calibrar a política monetária em um ambiente econômico dinâmico, onde decisões de grande porte exigem tempo e uma análise meticulosa de suas vastas repercussões.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

