O mercado de ações brasileiro demonstrou um vigoroso início em 2026, com o Ibovespa registrando um avanço de 13% e o ETF EWZ, que replica ações brasileiras, performando ainda melhor, com alta de 16%. Esse desempenho expressivo foi impulsionado por um influxo robusto de capital estrangeiro, que já acumula entradas líquidas de R$ 28,4 bilhões no ano corrente, superando o montante total de 2025.
As perspectivas do Santander, contudo, apontam para uma aceleração ainda maior desse movimento. A equipe de estratégia do banco prevê uma rotação gradual de investimentos globais para mercados emergentes, após anos de concentração predominante em economias desenvolvidas. Essa realocação estratégica pode gerar um fluxo adicional significativo para o Brasil, com estimativas que variam de US$ 6,5 bilhões a US$ 45 bilhões, dependendo da materialização de diferentes cenários.
A Virada Macro para Mercados Emergentes
A atração de capital tem sido um fator crucial na reavaliação e melhoria do desempenho do mercado. Essa tendência se insere em um contexto mais amplo de realocação global de portfólios. O Santander destaca que, após um período prolongado de concentração em mercados desenvolvidos — particularmente em ações americanas —, as condições globais tornam-se cada vez mais favoráveis para um redirecionamento gradual para os mercados emergentes. Avaliações relativas mais atraentes nessas economias, sinais de estabilização ou declínio das taxas de juros reais globais e uma leve desvalorização do dólar americano são fatores que, historicamente, coincidiram com um desempenho mais forte dos ativos de mercados emergentes e um interesse renovado por parte dos investidores.
Metodologia da Análise do Santander
Para mensurar a magnitude potencial dessa rotação global e suas implicações específicas para o Brasil, o Santander conduziu uma análise de sensibilidade. O estudo fundamenta-se no peso dos mercados emergentes nos benchmarks globais de ações e na participação do Brasil dentro do universo desses mercados. A estimativa dos ativos sob gestão (AUM) de fundos de ações globais, obtida pela triangulação de divulgações de benchmarks da MSCI e dados de categoria da Morningstar, sugere um total global entre US$ 10 trilhões e US$ 18 trilhões, adotando US$ 15 trilhões como premissa central para os cálculos.
O índice MSCI ACWI, que abrange o desempenho de ações de grande e médio porte em 23 mercados desenvolvidos e 26 emergentes, serviu como ponto de referência. Atualmente, os mercados emergentes representam aproximadamente 11% desse índice, um patamar próximo à sua média histórica, embora abaixo do pico de 14% já atingido.
Cenários de Fluxo de Capital para o Brasil
Projeções para o Conjunto de Mercados Emergentes
O Santander delineou dois cenários para o incremento do capital destinado aos mercados emergentes. Em uma projeção mais conservadora, um aumento de 100 pontos-base na ponderação dos mercados emergentes no MSCI ACWI (de 11% para 12%) implicaria fluxos adicionais de cerca de US$ 150 bilhões para essas economias. Contudo, em um cenário estrutural mais construtivo, onde a ponderação dos mercados emergentes retorna ao seu pico histórico de 14%, o potencial de fluxo cresceria substancialmente, atingindo aproximadamente US$ 450 bilhões.
Impacto Direto no Mercado Brasileiro
Com base nessas estimativas globais e considerando a participação atual do Brasil de cerca de 4,3% no índice MSCI Emerging Markets, as implicações para o país são significativas. No cenário de aumento de 100 pontos-base na ponderação dos mercados emergentes no ACWI, o Brasil atrairia cerca de US$ 6,5 bilhões (aproximadamente R$ 34 bilhões) em entradas adicionais. No cenário em que os mercados emergentes recuperam sua ponderação máxima histórica, os fluxos potenciais para o Brasil poderiam alcançar cerca de US$ 19,4 bilhões (aproximadamente R$ 102 bilhões).
Potencial Otimista para o Brasil
A análise se estende a um cenário ainda mais otimista, que pressupõe o retorno do peso do Brasil no MSCI EM à sua média histórica de longo prazo, em torno de 10%. Sob essa premissa, os fluxos de entrada potenciais para o país poderiam aumentar consideravelmente, alcançando até US$ 45 bilhões. Este potencial é particularmente relevante quando considerado em conjunto com a dinâmica de avaliação atual do mercado brasileiro.
O Atrativo das Avaliações Brasileiras
Apesar da notável reavaliação já observada no mercado brasileiro em 2026, com os múltiplos de avaliação aproximando-se de suas médias históricas de dez anos, o país ainda se negocia com desconto em relação a vários outros importantes mercados emergentes, como Índia, Taiwan e México. Esta vantagem comparativa é reforçada pelo fato de que muitos desses mercados já operam acima de suas próprias médias históricas de avaliação.
Como resultado, embora o potencial para uma maior expansão de múltiplos no Brasil possa ser mais limitado do que nas primeiras semanas do ano, o mercado continua a oferecer uma combinação atraente de avaliações competitivas, alta liquidez e representatividade significativa. Essa conjunção de fatores o posiciona de forma única para capitalizar a esperada rotação global de portfólios.
Conclusão: Brasil Posicionado para um Novo Ciclo de Investimentos
O forte desempenho do mercado acionário brasileiro no início de 2026, impulsionado por um fluxo consistente de capital externo, é um indicativo do seu potencial. A análise do Santander reafirma a visão de que o Brasil está estrategicamente posicionado para se beneficiar de uma iminente realocação global de investimentos em direção aos mercados emergentes. Com avaliações atraentes em um cenário comparativo, liquidez robusta e representatividade notável, o país emerge como um destino promissor. As projeções de até US$ 45 bilhões em fluxos adicionais reforçam a crença no contínuo processo de revalorização do mercado brasileiro, consolidando sua atratividade para investidores internacionais neste novo ciclo.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

