O mercado de metais preciosos registrou um movimento de baixa nesta terça-feira, com o ouro encerrando o pregão em queda, mas mantendo-se acima da marca de US$ 5 mil por onça-troy. Este recuo é interpretado como uma correção natural após os ganhos significativos observados na sessão anterior, enquanto os investidores redirecionam sua atenção para eventos cruciais que podem moldar a próxima fase do cenário econômico global.
Entre os fatores que impulsionam essa cautela, destacam-se a iminente divulgação do relatório de empregos dos Estados Unidos, o payroll, e as sinalizações emanadas por dirigentes do Federal Reserve (Fed) sobre a trajetória futura das taxas de juros. A combinação desses elementos cria um ambiente de expectativa e ponderação entre os agentes do mercado.
Desempenho Atual dos Metais Preciosos
Na Comex, a divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), os contratos futuros de ouro para entrega em abril experimentaram uma desvalorização de 0,95%, fechando o dia cotados a US$ 5.031,00 por onça-troy. Paralelamente, a prata para março também seguiu a tendência de baixa, registrando uma queda mais acentuada de 2,25%, para um valor de US$ 80,38 por onça-troy. Essa correção reflete uma tomada de lucros e a antecipação de novas informações econômicas.
A Perspectiva do Payroll e a Volatilidade Implícita
A ansiedade do mercado gira em torno do relatório de empregos dos Estados Unidos, o payroll, cuja divulgação foi adiada e está agora prevista para a quarta-feira. O adiamento se deu em decorrência de uma paralisação parcial do governo norte-americano. As projeções de mercado, segundo o Projeções Broadcast, indicam uma expectativa de criação entre 30 mil e 135 mil novos postos de trabalho em janeiro.
Analistas da Sucden Financial sublinham que, embora este importante indicador do mercado de trabalho americano exerça influência direta nas negociações do ouro, é fundamental reconhecer a alta volatilidade inerente aos preços dessa commodity de segurança em momentos de incerteza econômica. A sensibilidade do metal a dados macroeconômicos é um fator constante.
Sinalizações do Federal Reserve e o Cenário de Juros
A postura do Federal Reserve em relação à política monetária continua a ser um ponto focal para os investidores. Nesta terça-feira, Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, expressou sua previsão de que o banco central americano poderá manter as taxas de juros inalteradas 'por um bom tempo'. Ela enfatizou a preferência por 'pecar por excesso de paciência' em vez de tentar ajustes precisos, sinalizando uma abordagem mais cautelosa.
A ausência de cortes nas taxas de juros, caso se confirme, poderia atuar como um limitador para os ganhos do ouro. O metal precioso, que não rende juros, tende a se valorizar em cenários de taxas mais baixas, tornando-se menos atrativo em um ambiente de juros mais elevados ou estáveis por um período prolongado.
Perspectivas de Longo Prazo e a Demanda Sustentada
Apesar da recente volatilidade, há analistas que mantêm uma visão otimista para o ouro no médio e longo prazo. David Miller, gestor do ETF Gold Enhanced Yield com a Strategy Shares, projeta uma nova alta do metal precioso 'em breve', argumentando que os fundamentos que sustentam sua valorização permanecem inalterados. Um dos principais pilares dessa tese é a expectativa de continuidade nas compras de ouro por parte dos bancos centrais globais.
Mudanças na Liderança do Federal Reserve e Implicações Políticas
Além dos fatores econômicos e monetários, o cenário político também se mostra relevante para o ouro, especialmente no que tange à futura liderança do Federal Reserve. O mercado aguarda a confirmação do Senado para Kevin Warsh, indicado pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, para assumir a presidência do Fed após a saída de Jerome Powell.
Em um desenvolvimento relacionado, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, esclareceu que não solicitou ao indicado Kevin Warsh que cortasse os juros. No entanto, Bessent ressaltou que Warsh foi escolhido por possuir uma 'mente aberta', o que sugere uma postura de flexibilidade e análise crítica nas futuras decisões da política monetária.
Conclusão: Um Mercado em Ponto de Inflexão
O mercado do ouro encontra-se em um ponto de inflexão, equilibrando uma correção de curto prazo com a antecipação de dados econômicos cruciais e as sinalizações de cautela do Federal Reserve. Embora a volatilidade seja esperada, a perspectiva de longo prazo ainda aponta para uma demanda robusta, impulsionada por fatores como a compra contínua por bancos centrais e os fundamentos inalterados. Acompanhar os próximos desdobramentos, tanto econômicos quanto políticos, será essencial para decifrar a direção futura dos preços do metal precioso.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

