Alívio no Imposto de Renda Impulsiona Cenário Econômico e Político Favorável a Lula

Às vésperas da corrida pela reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva capitaliza um cenário econômico robusto, fortalecido por uma recente medida de ampliação da isenção do Imposto de Renda (IR). Esta política, uma das promessas-chave de sua campanha em 2022, não só visa aliviar o bolso da classe média, mas também solidificar sua vantagem nas pesquisas, expandindo sua base de apoio para além dos eleitores de baixa renda. A economia brasileira, que tem surpreendido positivamente, ganha um novo fôlego com a injeção de renda disponível, em um contexto de desemprego em níveis historicamente baixos e uma inflação em desaceleração.

A Nova Política de Isenção e seu Alcance Econômico

A medida de ampliação da isenção do IR, implementada na folha de pagamento de janeiro, estabelece que salários mensais de até R$ 5 mil estão agora livres do tributo. Esta mudança gerou um impacto significativo, retirando aproximadamente 11,3 milhões de brasileiros do universo de contribuintes – cerca de 44% dos que pagaram IR no ano anterior. Além disso, outros 5,7 milhões de cidadãos com rendimentos de até R$ 7.350 por mês também experimentarão uma redução no valor devido. O governo projeta que essa política injetará cerca de R$ 28 bilhões na economia ao longo deste ano, impulsionando o consumo, uma vez que a renda extra se concentra em estratos sociais com maior propensão a gastar do que a poupar.

Panorama Econômico e Repercussões Políticas

O alívio fiscal se soma a uma série de indicadores econômicos favoráveis. O Brasil tem visto o desemprego atingir mínimas históricas, enquanto o rendimento médio da população alcançou recordes. A inflação, especialmente a de alimentos, tem demonstrado arrefecimento consistente, criando as condições para que o Banco Central sinalize o início de um ciclo de corte nas taxas de juros já no próximo mês. Este conjunto de fatores econômicos positivos tem sido crucial para consolidar o apoio ao presidente Lula, que figura à frente de seus adversários com uma margem de quatro a sete pontos percentuais em simulações de segundo turno para as eleições de outubro, conforme pesquisas recentes.

Impacto no Cotidiano e o Debate Fiscal

A repercussão da nova isenção já é sentida no dia a dia dos brasileiros. Vitória Santos, uma publicitária de 30 anos, exemplifica essa realidade ao planejar usar os cerca de R$ 300 adicionais em seu contracheque para custear aulas de pilates. Ela ressalta que esse valor, embora pareça modesto individualmente, “faz diferença” para muitas famílias, podendo cobrir despesas essenciais como contas de luz e internet, ou possibilitar o planejamento de viagens e matrículas em academias. Contudo, a política não é unanimidade entre os economistas. Especialistas como Fabio Kanczuk, ex-diretor do Banco Central, veem a medida como economicamente questionável, apesar de politicamente vantajosa. Ele argumenta que, embora estimule o consumo e o crédito no curto prazo, com um impacto projetado de 0,2 ponto percentual no crescimento econômico e na inflação, ela pouco contribui para a redução da desigualdade ou para um crescimento de longo prazo, questionando a conveniência de desonerar a classe média em detrimento de uma base tributária mais ampla e focada na dívida pública.

Estratégia Política e a Recomposição da Base Tributária

A decisão de ampliar a isenção do IR reflete uma recalibragem estratégica do governo Lula, que busca reconquistar a classe média. Tradicionalmente, nos últimos anos, essa parcela da população tendeu a se inclinar à direita, apoiando agendas como a do ex-presidente Jair Bolsonaro, pautadas em segurança pública, valores conservadores e menor carga tributária para empreendedores. Inicialmente, o governo Lula concentrou seus esforços em programas sociais diretos para os mais pobres, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de subsídios ao gás de cozinha e auxílio estudantil. Agora, políticas estão sendo calibradas para famílias de renda média, como a expansão de financiamentos habitacionais subsidiados para quem ganha até R$ 12 mil mensais. A Receita Federal, por sua vez, estima que, com a ampliação da isenção, a base tributária do país encolhe, evidenciando a dependência das receitas públicas de um modelo que ainda tributa proporcionalmente mais o consumo de bens e serviços do que a renda.

Perspectivas Fiscais e o Desafio da Dívida Pública

A redução na base de contribuintes, embora traga alívio imediato para milhões de trabalhadores, expõe um desafio estrutural para as finanças públicas brasileiras. Críticos argumentam que o país deveria priorizar a ampliação de sua base tributária e a reforma fiscal para lidar com a dívida pública em crescimento. O estímulo ao consumo, embora benéfico para o humor econômico e político a curto prazo, pode não ser a solução ideal para os desafios fiscais de longo prazo. A equação entre o apelo popular de uma desoneração e a necessidade de sustentabilidade das contas públicas será um dos principais dilemas a serem geridos pelo governo nos próximos anos, especialmente com a aproximação do pleito eleitoral.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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