O Senado Federal, por meio do grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), avança nas investigações sobre o Banco Master, prometendo um escrutínio aprofundado do caso. Liderado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da CAE, o grupo anunciou medidas decisivas para elucidar as controvérsias envolvendo a instituição financeira, incluindo a requisição de dados sigilosos e a priorização de depoimentos-chave. A iniciativa reflete o compromisso do parlamento em buscar a responsabilização e o aprimoramento da legislação, em um cenário que se revela complexo e com indícios de interferências.
Acesso a Dados e Abertura Estratégica dos Depoimentos
Em um passo crucial para as investigações, o grupo de trabalho da CAE confirmou que solicitará o acesso aos dados do celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Esta medida visa coletar informações essenciais para a apuração dos fatos. Adicionalmente, o senador Calheiros defendeu que o depoimento do banqueiro seja o ponto de partida para a fase de oitivas da comissão. Ele argumenta que iniciar os trabalhos ouvindo Vorcaro é fundamental para garantir a produtividade e a eficácia das investigações, embora uma data específica para a tomada do depoimento ainda não tenha sido definida.
Colaboração Institucional e Busca por Aperfeiçoamento Regulatório
A busca por clareza no caso Banco Master se estende à esfera judicial e regulatória. Após um encontro com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, Renan Calheiros reiterou o pedido do grupo de trabalho para ter acesso irrestrito a todas as investigações em curso sobre o banco. O objetivo é não apenas colaborar ativamente na responsabilização dos envolvidos, mas, de forma mais ampla, identificar lacunas e propor melhorias significativas na legislação, nos mecanismos de regulação e na fiscalização do setor financeiro. Este esforço se alinha a outros desenvolvimentos recentes, como o pedido de suspeição da Polícia Federal sobre o ministro Toffoli no caso e a conclusão da inspeção do Tribunal de Contas da União (TCU) no Banco Central referente à liquidação da instituição.
Denúncias de Pressão Política e Constrangimento no TCU
O senador Calheiros trouxe à tona uma preocupação grave durante sua reunião com Fachin: a existência de um suposto clima de constrangimento e pressão política sobre o Tribunal de Contas da União (TCU) em relação ao Banco Master. Ele relatou ter discutido detalhadamente o assunto com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, e expressou que o 'Centrão' teria exercido chantagem sobre um ministro do órgão. O objetivo dessa manobra, segundo Calheiros, seria interromper as medidas de liquidação que estavam sendo implementadas pelo Banco Central, levantando sérias questões sobre a integridade dos processos de fiscalização e controle.
Escopo de Atuação do Grupo de Trabalho e Próximos Contatos
Apesar da amplitude de sua atuação, Renan Calheiros fez questão de demarcar as atribuições do grupo de trabalho, diferenciando-o de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Ele enfatizou que, embora o grupo não possua prerrogativas policiais, sua capacidade investigativa é considerável e será plenamente utilizada para elucidar os pormenores do caso. A agenda de articulação do senador prevê um encontro com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para formalmente apresentar o grupo de trabalho e seus objetivos. Essas reuniões complementam encontros prévios que Calheiros já teve com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sublinhando a estratégia de colaboração com as diversas instâncias da República envolvidas na apuração do caso.
Compromisso com a Transparência e a Responsabilidade
A mobilização do Senado em torno do caso Banco Master reafirma o papel do Poder Legislativo na fiscalização e na busca por justiça. Com a priorização de depoimentos cruciais, o acesso a informações detalhadas e a denúncia de pressões políticas, o grupo de trabalho da CAE demonstra um compromisso firme em desvendar todas as facetas da situação. A expectativa é que essa atuação não apenas leve à responsabilização dos envolvidos, mas também contribua para o fortalecimento das instituições financeiras e dos mecanismos de controle do país, garantindo maior transparência e segurança para o sistema.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

