A Raízen, reconhecida como a maior processadora global de cana-de-açúcar, reiterou seu compromisso com a sustentação de sua base operacional, garantindo a continuidade dos investimentos essenciais para o plantio e a segurança de seus canaviais. Esta decisão estratégica é mantida mesmo em um período de intensa turbulência financeira, com a companhia avaliando cortes em outras frentes não consideradas prioritárias para o seu core business.
Estratégia de Investimento em Tempos de Crise
A preservação do capital destinado à agricultura é vista como crucial para assegurar níveis adequados de produtividade, um fator determinante para a eficiência de toda a cadeia produtiva da Raízen. Phillipe Casale, diretor de Relações com Investidores da companhia, salientou durante uma teleconferência que, enquanto investimentos não prioritários são minuciosamente revisados e podem ser postergados, o capex (investimento em capital) para o plantio e a segurança das operações permanece intocado. Essa abordagem visa blindar os pilares que sustentam a geração de valor da empresa no longo prazo.
O Desafiador Cenário Financeiro da Gigante do Agronegócio
A determinação da Raízen em proteger seus ativos primários emerge em um contexto de expressivos desafios financeiros. A companhia reportou um prejuízo líquido de aproximadamente R$ 15,65 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/2026. Paralelamente, a dívida líquida registrou um crescimento acentuado de 43,4%, atingindo a marca de R$ 55,3 bilhões, conforme balanço mais recente. Diante desse cenário, a empresa tem se dedicado a um robusto processo de reestruturação financeira, buscando otimizar sua estrutura de capital e garantir sua solidez futura.
Projeções de Capital e Prioridades Estratégicas
Nelson Gomes, CEO da Raízen, detalhou as expectativas para os investimentos da safra 2025/26 (que se estende de abril a março), indicando que o montante se situará entre a faixa intermediária e a parte baixa do guidance anteriormente estabelecido, que variava de R$ 9 bilhões a R$ 9,8 bilhões. Essa previsão implica uma redução notável de aproximadamente R$ 3 bilhões em comparação aos R$ 11,9 bilhões investidos na temporada anterior, focada principalmente em capex de eficiência. O foco estratégico da Raízen permanece firmemente ancorado em suas atividades centrais: a produção de açúcar e etanol, e a distribuição de combustíveis.
Questionado sobre a aparente conservação da previsão de capex, dado que a Raízen investiu R$ 5,7 bilhões até o terceiro trimestre da safra, Casale esclareceu que o trimestre final (encerrando em março) é tipicamente marcado por uma maior concentração de investimentos nas atividades-chave de açúcar e etanol, equilibrando o balanço anual.
Impacto Climático na Moagem de Cana
Além dos desafios financeiros, a Raízen enfrentou intempéries climáticas que afetaram diretamente sua produtividade. A moagem de cana-de-açúcar acumulada na temporada 2025/26 até o terceiro trimestre totalizou 70,3 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 9,3% em relação ao mesmo período da safra anterior. Executivos da companhia atribuíram essa redução a condições meteorológicas adversas, incluindo episódios de geada, que impactaram negativamente o desenvolvimento e a colheita da matéria-prima.
Conclusão e Perspectivas Futuras
A postura da Raízen reflete uma gestão estratégica que busca equilibrar a prudência financeira com a visão de longo prazo para a sustentabilidade de suas operações. Ao blindar os investimentos em canaviais e focar em suas atividades essenciais, a empresa demonstra resiliência e um claro direcionamento para superar o atual período de desafios. A capacidade de navegar por cenários complexos, protegendo sua base produtiva e mantendo o foco em suas prioridades, será determinante para a trajetória da Raízen e sua recuperação no mercado.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

