Em um cenário dominado por tabus e soluções limitadas, duas empreendedoras, Emilly Ewell e Maria Eduarda Camargo, tiveram a visão e a coragem de lançar a Pantys. Enfrentando o ceticismo inicial da indústria e um mercado que raramente discutia abertamente a menstruação, elas não apenas introduziram um produto inovador, mas também fundaram uma nova categoria de consumo no Brasil. A jornada, marcada por investimento de capital próprio e uma profunda compreensão da demanda feminina, redefiniu padrões e provou que a ousadia pode transformar setores inteiros.
Quebrando Paradigmas: O Desafio Inicial e a Rápida Ascensão
A aposta das fundadoras da Pantys, em meados de 2010, foi recebida com desconfiança por fabricantes que consideravam o volume inicial de produção excessivo. No entanto, a realidade superou as expectativas: em apenas três semanas, o estoque se esgotou completamente, sinalizando o enorme potencial de um mercado sedento por inovação. Longe de ser apenas uma marca de produtos, a Pantys nascia com a missão de romper barreiras culturais e o silêncio que envolvia a saúde menstrual. Atualmente, a empresa produz cerca de 80 mil peças por mês e expande seu portfólio, abrangendo diversas frentes da saúde, moda e bem-estar femininos.
A Demanda Reprimida: Desconforto, Meio Ambiente e a Busca por Alternativas
A percepção de que havia um “mercado com muito tabu” se consolidou através de extensas pesquisas com consumidoras. Os dados revelaram uma insatisfação generalizada – cerca de 90% das entrevistadas estavam abertas a novas soluções para problemas crônicos como desconforto, vazamentos, alergias e o impacto ambiental dos produtos descartáveis. Essa dor latente, embora pouco debatida publicamente, representava uma oportunidade clara para um produto que não apenas minimizasse essas questões, mas que pudesse substituí-las de forma eficaz e consciente.
Estratégia de Diálogo e Desmistificação Cultural
Com um produto validado, parte essencial do sucesso da Pantys foi sua estratégia de comunicação e educação de mercado. A marca transformou dúvidas e até reações negativas em oportunidades para dialogar, desmistificar o uso de calcinhas absorventes e ressaltar seus benefícios de higiene, conforto e funcionalidade. A proposta era simples: criar uma alternativa direta aos absorventes descartáveis, e não um mero complemento. Emilly Ewell, com sua experiência no setor farmacêutico, notou a predominância masculina em posições de liderança, o que, em sua visão, explicava por que grandes indústrias de saúde ainda não haviam explorado tal inovação para o público feminino.
Inovação Digital e o Ecossistema do Bem-Estar Feminino
Desde sua concepção, a Pantys se posicionou como uma startup digital, mantendo uma proximidade constante com suas clientes. Essa mentalidade de “testar e escalar” permitiu que a marca se adaptasse rapidamente e construísse um relacionamento sólido com seu público. A empresa transcende a definição de uma simples marca de lingerie, englobando valores de saúde, conforto, sustentabilidade e bem-estar feminino. Essa abordagem holística tem sido crucial para a consolidação da Pantys como líder em seu segmento e para a contínua expansão de sua influência no universo da saúde íntima.
Ao confrontar um mercado historicamente marcado pelo silêncio, a Pantys não apenas provou a viabilidade de um negócio inovador, mas também desempenhou um papel fundamental na normalização e empoderamento da conversa sobre a menstruação. A trajetória de Emilly Ewell e Maria Eduarda Camargo ilustra como a combinação de visão, pesquisa aprofundada e uma estratégia de comunicação assertiva pode não apenas criar um produto, mas forjar uma nova categoria de consumo, impactando positivamente a vida de milhares de mulheres e redefinindo o que é possível no empreendedorismo feminino.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

