Brasil Sente o Peso de R$ 28 Bilhões em Prejuízos por Desastres Naturais em 2025

O Brasil registrou um impacto financeiro estimado em R$ 28 bilhões (equivalente a US$ 5,4 bilhões) devido a desastres naturais ao longo de 2025. A cifra alarmante, revelada em um relatório de fevereiro da consultoria global de riscos Aon, destaca a crescente vulnerabilidade do país aos eventos climáticos extremos. A seca sazonal, particularmente na região amazônica, emergiu como o principal vetor desses prejuízos, desencadeando uma cascata de desafios que afetam desde a produção agrícola até a geração de energia.

A Seca no Coração da Crise Climática Brasileira

As secas prolongadas em diversas regiões do Brasil, especialmente na Amazônia, foram o epicentro das perdas em 2025. A região amazônica, que experimenta uma das secas mais intensas e duradouras de sua história, viu sua estabilidade ambiental e econômica profundamente abalada. Embora o Sudeste do país tenha demonstrado sinais de recuperação durante o período, a persistência da estiagem amazônica continua a agravar a turbulência regional, evidenciada pela queda da contribuição hidrelétrica para a matriz energética nacional. Tradicionalmente responsável por cerca de 66% da geração de eletricidade, essa fonte crucial caiu para menos de 50% em agosto, refletindo a severidade da crise hídrica.

A recorrência da seca não é um fenômeno isolado no Brasil, mas uma questão crônica em toda a América do Sul. Em 2023, a região vivenciou um dos cenários de perdas mais onerosos já registrados, com mais de US$ 16 bilhões (aproximadamente R$ 84 bilhões) em danos apenas na vasta Bacia do Prata, que abrange Paraguai, Uruguai, Argentina, Bolívia e parte do Brasil. Os anos subsequentes, incluindo 2024, continuaram a trazer prejuízos devastadores para a Amazônia, impulsionados pela escassez hídrica e por incêndios florestais de proporções alarmantes.

Riscos para a Produção Agrícola e Segurança Alimentar Global

A estiagem representa uma ameaça existencial para a indústria agrícola brasileira, com especial destaque para a cultura do café. O Brasil, um dos maiores produtores mundiais ao lado da Colômbia e do Vietnã, enfrenta riscos significativos de interrupções na cadeia de suprimentos global devido à escassez de água. A vulnerabilidade do setor é sublinhada por dados históricos: o país já acumulou US$ 139 bilhões (cerca de R$ 726 bilhões) em perdas relacionadas à seca nos últimos 30 anos. Uma nova análise da Aon projeta um futuro ainda mais desafiador, indicando que condições de alta escassez hídrica podem comprometer aproximadamente 54% das colheitas globais até 2050, sublinhando a urgência de estratégias de adaptação.

Estratégias de Mitigação e Resiliência Climática

Diante do crescente número de desastres induzidos pelas intempéries climáticas, Beatriz Protasio, CEO de Resseguros para o Brasil na Aon, enfatiza a necessidade de esforços direcionados e específicos de mitigação. Segundo ela, é crucial compreender a fundo os impactos dos riscos climáticos e adotar ferramentas eficazes para transferir esses riscos, atenuar os danos e acelerar a recuperação pós-catástrofe. Isso implica em investimentos robustos em infraestruturas mais resilientes e um aumento da conscientização em todos os níveis: empresas, órgãos públicos e a sociedade em geral.

O mercado de seguros oferece soluções inovadoras, como o seguro paramétrico, que permite indenizações rápidas e transparentes em resposta a perdas causadas por catástrofes climáticas. Além disso, sistemas de alerta precoce e ferramentas avançadas de análise e gestão de riscos, como o Climate Risk Monitor (CRM) da Aon, são aliados estratégicos. Essas plataformas, baseadas em dados e modelos preditivos, capacitam as organizações a compreender e gerenciar sua exposição às ameaças climáticas de forma mais estratégica e resiliente.

O Mosaico de Eventos Extremos em 2025

O ano de 2025 foi marcado por uma série de eventos climáticos extremos no Brasil, que contribuíram para o montante total dos prejuízos. Entre janeiro e junho, a seca foi a principal responsável por perdas econômicas de US$ 4,8 bilhões. Complementarmente, o país enfrentou diversas tempestades convectivas severas, com ocorrências notáveis entre janeiro e março (resultando em 24 fatalidades e US$ 500 milhões em perdas), em junho (4 fatalidades e US$ 110 milhões) e em novembro (7 fatalidades e US$ 22 milhões, além de outro evento que somou US$ 10 milhões). Inundações também foram registradas, incluindo um evento em janeiro com uma fatalidade e US$ 1 milhão em perdas, além de outras em agosto e novembro. Esse conjunto de fenômenos naturais, variados em tipo e impacto, reforça a multifacetada ameaça que o clima representa para a economia e a população brasileira.

Tendências Globais: Custos Elevados Persistem

No cenário global, 2025 registrou perdas econômicas totais de US$ 260 bilhões (cerca de R$ 1,4 trilhão) devido a desastres naturais, o valor mais baixo desde 2015. Contudo, as perdas seguradas permaneceram elevadas, atingindo US$ 127 bilhões (R$ 664 bilhões), marcando o sexto ano consecutivo em que as indenizações de seguros superaram a marca de US$ 100 bilhões. Isso indica uma crescente demanda por cobertura de riscos, mesmo com uma diminuição relativa nas perdas econômicas totais. Os incêndios florestais na Califórnia (Palisades e Eaton), nos Estados Unidos, destacaram-se como os eventos mais custosos do ano, gerando US$ 58 bilhões em perdas econômicas e US$ 41 bilhões em perdas seguradas, configurando-os como os mais caros já registrados em escala global. Além disso, tempestades convectivas severas, frequentemente conhecidas como 'chuvas de verão' intensas, continuam a ser uma preocupação significativa em diversas partes do mundo.

O panorama de 2025, tanto no Brasil quanto globalmente, ressalta a imperativa necessidade de ações coordenadas para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. A combinação de secas prolongadas, tempestades intensas e inundações exige uma abordagem proativa que integre investimento em infraestrutura resiliente, o uso estratégico de ferramentas de gestão de risco e uma colaboração contínua entre governos, setor privado e sociedade para construir um futuro mais seguro e sustentável.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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