Abu Dhabi: Ucrânia e Rússia Avançam em Negociações de Paz, Apesar de Desafios Persistentes

Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos – Ucrânia e Rússia deram continuidade nesta quinta-feira ao segundo dia de negociações de paz, mediadas pelos Estados Unidos, em Abu Dhabi. O objetivo central é pôr fim ao conflito mais devastador da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Após um primeiro dia de discussões descrito como produtivo e positivo por ambas as capitais, Kiev e Moscou, as expectativas permanecem cautelosamente otimistas, embora os obstáculos para um acordo abrangente ainda sejam substanciais.

Balanço do Diálogo Inicial e Formatos em Andamento

O emissário do presidente russo, Vladimir Putin, Kirill Dmitriev, expressou nesta quinta-feira a percepção de progresso e um avanço positivo nas conversações destinadas a encerrar o conflito que já se estende por quatro anos. Paralelamente, o principal negociador da Ucrânia, Rustem Umerov, havia avaliado as reuniões de quarta-feira como 'significativas e produtivas, com foco em medidas concretas e soluções práticas'. Ao anunciar o início do segundo dia de trabalhos, Umerov informou que as autoridades seguiriam os mesmos formatos do dia anterior, que incluem consultas trilaterais, discussões em grupo e uma coordenação conjunta das posições das delegações.

Os Pontos de Discordância Centrais para um Acordo

Apesar do clima construtivo, as negociações enfrentam divisões profundas em questões-chave. Moscou mantém sua exigência de que Kiev ceda todos os territórios que ainda controla na região oriental de Donetsk, incluindo uma linha de cidades fortemente fortificadas consideradas pilares da defesa ucraniana. Em contrapartida, a Ucrânia rejeita veementemente qualquer retirada unilateral de suas forças, insistindo que o conflito deve ser congelado ao longo das atuais linhas de frente. Outro ponto crítico é o destino da usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, atualmente sob controle russo, com Kiev reivindicando sua soberania sobre a instalação.

A Mediação Internacional e a Composição das Delegações

A administração do presidente dos EUA, Donald Trump, tem exercido pressão contínua sobre Kiev e Moscou para que alcancem um compromisso, embora as partes permaneçam distantes em vários aspectos cruciais, mesmo após múltiplas rodadas de conversações com funcionários norte-americanos. Autoridades ucranianas destacaram que esta rodada de negociações se diferencia de tentativas anteriores pela inclusão de equipes militares na delegação russa, o que pode indicar uma abordagem mais pragmática. Kirill Dmitriev, por sua vez, mencionou que um trabalho ativo para restaurar as relações entre Rússia e Estados Unidos está em curso, inclusive no âmbito de um grupo de trabalho econômico. Ele também alertou para tentativas de interferência de 'belicistas da Europa, do Reino Unido', sugerindo que tais ações, paradoxalmente, sinalizam o progresso diplomático.

Perspectivas para a Resolução do Conflito

Apesar das complexidades e das exigências conflitantes, a continuidade do diálogo em Abu Dhabi, com avaliações iniciais positivas de ambas as partes, sugere um esforço genuíno para encontrar um caminho diplomático. O desafio reside em como harmonizar as declarações de 'progresso positivo' com as intransigentes posições sobre Donetsk e Zaporizhzhia. A presença de militares russos na delegação e o foco em 'medidas concretas e soluções práticas' podem abrir portas para discussões técnicas, mas o avanço real dependerá da disposição política de ceder em questões territoriais e de soberania, que são o cerne do impasse. O 'movimento positivo para frente' apontado por Dmitriev, entretanto, indica que as negociações, por mais árduas que sejam, ainda possuem um horizonte de possíveis desdobramentos.

Em suma, as negociações em Abu Dhabi representam um momento crucial na busca por uma resolução pacífica. Embora a avaliação inicial tenha sido encorajadora e a participação dos Estados Unidos reforce a seriedade do processo, as profundas divergências sobre soberania territorial e o controle de infraestruturas estratégicas, como a usina de Zaporizhzhia, continuam a ser os principais entraves. O caminho para a paz é longo e sinuoso, mas a persistência do diálogo é um sinal vital de que a diplomacia, mesmo em meio à guerra, não foi abandonada.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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