As ações da Raízen (RAIZ4), braço de energia da Cosan (CSAN3), registraram uma forte valorização nesta quarta-feira (28), superando novamente a marca de R$ 1. Este patamar não era atingido desde 06 de outubro de 2023, marcando um retorno significativo para os papéis da companhia. Por volta do meio-dia, a valorização atingia 16,67%, com cada ação sendo negociada a R$ 1,05, refletindo um otimismo renovado no mercado.
Fatores Catalisadores da Alta no Mercado
A robusta performance das ações da Raízen foi impulsionada por uma combinação de fatores macroeconômicos e movimentos estratégicos da empresa. A percepção de queda nos juros futuros emergiu como um benefício crucial, considerando o perfil de alto endividamento da companhia. A perspectiva de custos de capital mais baixos tende a aliviar a pressão sobre as finanças de empresas com modelos intensivos em capital como a Raízen.
Adicionalmente, notícias sobre a potencial estruturação de um aumento de capital, que poderia variar entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão, injetaram confiança nos investidores. Este movimento de capitalização seria fundamental para fortalecer a estrutura financeira da empresa e suportar seus planos de crescimento.
Cenário Financeiro e Desafios Anteriores
Historicamente, a Raízen, com seu modelo de negócios intensivo em capital, enfrentou desafios significativos. A companhia viu seu endividamento crescer em um período de compressão das margens no setor de combustíveis. O ciclo de juros elevados encareceu ainda mais o custo do crédito, impactando diretamente sua saúde financeira. A dívida líquida da Raízen, em um momento recente, atingiu R$ 53,437 bilhões, com uma alavancagem financeira medida pela dívida líquida/Ebitda de 5,1 vezes. A expectativa de um ambiente de juros mais amenos é, portanto, um fator de alívio bem-vindo para a companhia.
Desinvestimento Estratégico Aprovado pelo CADE
Em um movimento que visa otimizar seu portfólio, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) concedeu autorização para a Bioenergia Barra, controlada indiretamente pela Raízen, vender a Bio Polares. Esta última detém uma central de minigeração de eletricidade, que opera movida a biogás proveniente do Aterro Sanitário Dois Arcos, localizado em São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro, conforme informações do Broadcast do Estadão.
A transação envolveu a GNR Dois Arcos Valorização de Biogás, conhecida pela sigla GDA, que atua na produção de biometano a partir do biogás gerado no mesmo aterro para posterior comercialização. O aval para o negócio foi publicado nesta quarta-feira, 28, no Diário Oficial da União. O valor da operação não foi divulgado publicamente.
Desempenho Histórico e Perspectivas de Mercado
Apesar dos desafios financeiros passados, as ações da Raízen demonstram uma resiliência notável no longo prazo. Nos últimos 12 meses, a empresa acumulou uma alta de aproximadamente 75%, superando tanto o Ibovespa (IBOV) quanto o Índice de Energia Elétrica (IEE) em 32 e 14 pontos percentuais, respectivamente. Este desempenho superior reflete a capacidade da empresa de se adaptar e buscar eficiências, mesmo em cenários complexos.
A recuperação do patamar de R$ 1 marca um momento crucial para a Raízen, sinalizando que os esforços em otimização de capital, desinvestimentos estratégicos e a melhoria do ambiente macroeconômico estão começando a ser precificados positivamente pelo mercado.
Conclusão
O recente salto nas ações da Raízen acima da marca de R$ 1 representa mais do que uma mera variação de preço; ele simboliza um ponto de virada na percepção do mercado sobre a companhia. A combinação de um ambiente de juros mais favorável, a expectativa de uma capitalização robusta e a execução de desinvestimentos estratégicos estão realinhando as perspectivas para a empresa. Esse cenário positivo pode indicar um período de maior estabilidade financeira e potencial de crescimento para a Raízen no futuro próximo.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

