Partes significativas da Ucrânia e da Moldávia, incluindo as capitais Kiev e Chisinau, foram atingidas por apagões generalizados neste sábado. As interrupções no fornecimento de energia foram atribuídas a uma falha em linhas de transmissão de alta tensão, conforme reportado por autoridades de ambos os países. Este incidente sublinha a persistente vulnerabilidade da infraestrutura energética regional, mesmo em um período de relativa trégua em ataques diretos à rede elétrica.
A Extensão e o Impacto dos Apagões
Os blecautes afetaram pelo menos cinco regiões ucranianas e diversas localidades na Moldávia, estendendo-se das áreas rurais aos principais centros urbanos. Em Kiev, a capital ucraniana, o serviço de metrô foi completamente suspenso, e o abastecimento de água à cidade foi interrompido, causando transtornos imediatos à população. Na capital moldava, Chisinau, os semáforos ficaram inoperantes, o transporte público foi parcialmente paralisado e a maioria dos bairros experimentou a falta de energia elétrica, conforme confirmou o prefeito local. Imagens de estações de metrô em Kiev, mergulhadas na escuridão, com passageiros aguardando a retomada dos serviços, ilustraram a amplitude do problema.
Investigação e Detalhes Técnicos da Falha
A causa primária dos apagões foi identificada como uma falha técnica, sem indícios de ataques cibernéticos ou danos diretos relacionados ao conflito. O ministro da Energia da Ucrânia, Denys Shmyhal, explicou que o evento decorreu de uma interrupção simultânea em duas linhas de transmissão de alta tensão cruciais: uma que conecta as redes da Romênia e da Moldávia, e outra que interliga o oeste e o centro da Ucrânia. A interrupção no lado ucraniano acionou proteções automáticas em subestações e resultou na desconexão temporária de unidades de usinas nucleares da rede elétrica para segurança.
Complementando a análise, o Ministério da Energia da Moldávia afirmou que a interrupção em seu território foi consequência de sérios problemas na rede elétrica ucraniana. Esses problemas teriam provocado uma queda de tensão na linha que faz a ligação entre Romênia e Moldávia, desencadeando o colapso do sistema em várias localidades moldavas. As autoridades romenas não se pronunciaram imediatamente sobre o ocorrido.
Contexto da Pressão na Rede Energética Regional
Embora o incidente não tenha sido diretamente atribuído a ações de guerra, a rede elétrica ucraniana opera sob constante pressão. Nos últimos meses, ela sofreu o impacto acumulado de inúmeros ataques aéreos russos, o que levou a severas restrições no fornecimento de energia. A situação foi agravada pelo retorno de uma onda de frio intenso neste fim de semana, que naturalmente aumenta a demanda e o estresse sobre o sistema elétrico.
É importante notar que este apagão ocorreu em um período em que a Rússia havia concordado em suspender ataques à infraestrutura energética ucraniana até 1º de fevereiro, um acordo mediado pelo então presidente dos EUA, Donald Trump. Kiev também havia se comprometido a retribuir o gesto, e até o momento não havia relatos de ataques de grande escala à infraestrutura energética por nenhum dos lados, destacando o caráter técnico da atual falha.
Esforços de Restabelecimento e Perspectivas Futuras
Diante da emergência, equipes técnicas de ambos os países agiram rapidamente para restaurar o serviço. Autoridades reportaram que a energia foi parcialmente restabelecida no início da tarde, após intensos esforços para estabilizar as redes interligadas. Oleksandr Kharchenko, diretor do Centro Independente de Pesquisa Energética em Kiev, expressou otimismo, afirmando que a expectativa era de que os níveis de fornecimento de energia retornassem ao estado anterior ao acidente até o anoitecer, indicando uma recuperação ágil do sistema.
A rápida mobilização para restaurar a energia demonstra a capacidade de resposta das operadoras de rede na região. No entanto, o incidente serve como um lembrete da fragilidade inerente a sistemas elétricos complexos, especialmente em áreas sob tensões geopolíticas e desafios ambientais, exigindo investimentos contínuos em manutenção e resiliência.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

