Arquivos de Jeffrey Epstein Revelam Anos de Contato Pessoal com CEO do Banco Rothschild

Novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos trouxeram à luz uma série de contatos frequentes e planejamentos de encontros entre Ariane de Rothschild, atual CEO do banco privado suíço Edmond de Rothschild, e o agressor sexual Jeffrey Epstein. As revelações, que abrangem um período de aproximadamente cinco anos antes da detenção de Epstein em 2019, colocam em xeque a explicação anteriormente apresentada pela instituição financeira sobre a natureza da relação entre a banqueira e o financista condenado.

Embora os registros oficiais não apontem para qualquer evidência de conduta criminosa por parte de Ariane de Rothschild nessas interações, a intimidade e a extensão dos contatos, até então desconhecidas publicamente, contradizem a declaração de 2023 do banco, que descrevia os encontros como estritamente relacionados a atividades profissionais rotineiras. A publicação desses arquivos, motivada pela pressão de vítimas e membros do Congresso, adiciona uma nova camada de complexidade ao entendimento do círculo social de Epstein e das figuras influentes que o compunham.

A Proximidade Detalhada nos Documentos Oficiais

Os arquivos do Departamento de Justiça revelam que Ariane de Rothschild e Jeffrey Epstein trocaram dezenas de mensagens e coordenaram diversos encontros ao longo de um período significativo. As comunicações indicam que os dois agendaram reuniões tanto nas propriedades de Epstein em Paris quanto em Nova York. Um dos registros mais notáveis mostra que a executiva foi inclusive convidada pelo financista para se hospedar em seu apartamento particular, sugerindo um nível de relacionamento que transcendia o meramente profissional.

O Contraponto à Versão Oficial do Banco

A natureza e a frequência desses contatos desafiam a narrativa prévia do banco Edmond de Rothschild. Em 2023, conforme reportado pelo Wall Street Journal, a empresa havia afirmado que os encontros entre Ariane de Rothschild e Epstein se limitavam estritamente às atividades profissionais rotineiras da banqueira. No entanto, o teor das mensagens agora reveladas aponta para uma interação de caráter mais pessoal. Uma apuração da agência de notícias Reuters, que analisou os documentos, não conseguiu confirmar de forma independente as reais motivações por trás desses encontros, destacando a falta de clareza sobre a relação.

Interações Específicas: Mensagens e Propostas

Entre as trocas de mensagens, destaca-se um diálogo de 19 de março de 2019, pouco antes da prisão de Epstein, onde ele comunica a Ariane que estava em Paris. A resposta dela, "Você está mesmo?!! Eu também estou aqui. Quando você estaria livre?", seguida pela réplica de Epstein "Faz muito, muito tempo" antes de acertarem um encontro para o dia seguinte, ilustra uma familiaridade e um desejo mútuo de se reencontrar. A agência Reuters ressalta que não foi possível validar se esse encontro, ou outros sugeridos, de fato ocorreram.

Outro intercâmbio significativo ocorreu em 2016. Na ocasião, Ariane de Rothschild mencionou estar gripada e não desejava se hospedar com um indivíduo não identificado, referido apenas como "B". Epstein, então, ofereceu seu próprio imóvel, enfatizando a privacidade: "…seria privado. ninguém saberia". A banqueira, atualmente com 60 anos, recusou o convite, alegando que ficaria com alguém que "fingiria ser minha mãe", e descreveu "B" como um "desastre" com quem estava "cansada de lidar". O banco não se pronunciou sobre mensagens individuais como esta.

Repercussão e Posição do Edmond de Rothschild

A exposição dessa proximidade lança Ariane de Rothschild no rol de figuras públicas associadas ao círculo social de Jeffrey Epstein. Em resposta à Reuters, um porta-voz do banco Edmond de Rothschild declarou que Epstein era apenas um conhecido de negócios da banqueira entre 2013 e 2019, e que ela "não possuía nenhum tipo de conhecimento da conduta de Epstein". A instituição reiterou seu repúdio, afirmando que "condena inequivocamente seu comportamento e os crimes que ele cometeu".

O Contexto dos Crimes de Jeffrey Epstein e o Volume de Registros

A maior parte das mensagens trocadas entre Epstein e Ariane de Rothschild concentra-se entre meados e o final dos anos 2010. Este período se sobrepõe tanto à sua condenação em 2008 por solicitação de prostituição de uma menor – que resultou em 13 meses de prisão na Flórida – quanto às novas e graves acusações de tráfico sexual, abuso e exploração de dezenas de jovens entre 2002 e 2005, que ele enfrentou em Nova York e na Flórida em julho de 2019, ocasiões em que alegou inocência.

O nome da executiva figura em mais de 4.400 resultados nas buscas digitais do Departamento de Justiça, embora grande parte desses registros consista em cópias repetidas das mesmas conversas por e-mail, indicando a extensividade da coleta de informações. Ariane de Rothschild, que se casou com Benjamin de Rothschild em 1999 (falecido em 2021) e integra uma das mais renomadas linhagens bancárias da Europa, assumiu a posição de CEO do banco Edmond de Rothschild em 2023. A instituição, sediada em Genebra, gerencia um montante considerável de 184 bilhões de francos suíços, equivalente a aproximadamente US$ 236,8 bilhões.

Conclusão: Perguntas Sem Respostas

As revelações dos arquivos de Jeffrey Epstein, ao detalhar os contatos com Ariane de Rothschild, lançam uma nova luz sobre as complexas redes sociais e profissionais mantidas pelo financista. Embora as autoridades não tenham apontado conduta criminosa nessas interações, a profundidade dos laços pessoais sugerida pelas mensagens contrasta visivelmente com as declarações anteriores do banco. Este escrutínio contínuo sobre as conexões de Epstein continua a gerar questionamentos sobre o discernimento e a responsabilidade de figuras proeminentes que, de alguma forma, orbitaram em torno de sua sombria esfera de influência.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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