Audiência Real Versus Império Digital: O Dilema da Influência nas Contratações Televisivas

A televisão brasileira tem sido palco de um debate crescente sobre o real impacto das redes sociais na formação de elencos e na atração de audiência. Nos corredores das emissoras e nas salas de roteiro, consolidou-se a ideia de que o sucesso digital, medido em milhões de seguidores, traduz-se automaticamente em poder de engajamento na tela. Essa perspectiva, por vezes, tem levado a contratações de influenciadores para papéis em novelas, programas e séries, gerando questionamentos sobre a prioridade dada ao talento versus a popularidade online.

A Ilusão dos Números: Seguidores Versus Engajamento Televisivo

O mercado publicitário e televisivo frequentemente utiliza o número de seguidores como métrica de relevância, com apresentações comerciais destacando a vasta base de fãs de personalidades como Maisa (48 milhões no Instagram), Larissa Manoela (53 milhões), Tatá Werneck (56 milhões) e Marina Ruy Barbosa (41 milhões). Embora esses nomes sejam figuras estabelecidas e respeitadas, a ascensão de muitos outros influenciadores levanta a questão: essa influência digital tem a capacidade de impulsionar os índices de audiência ou as vendas de produtos na televisão tradicional? A observação indica que não. O público predominantemente digital raramente migra do celular ou tablet para assistir à TV, tornando o efeito dos seguidores nas métricas de audiência uma aposta incerta.

Viviane Araujo e a Pergunta Crucial sobre o Critério de Escolha

Um exemplo notório que ilustra essa dúvida é a contratação de Viviane Araujo pela TV Globo para a produção “Três Graças”. A questão subjacente é se a emissora priorizou o talento consolidado da atriz, seu reconhecimento público e sua trajetória, ou se levou em conta seus expressivos 16 milhões de seguidores nas redes sociais. É pouco provável que o critério decisivo tenha sido apenas a métrica digital. Contudo, o episódio acentua uma preocupação latente na indústria: até que ponto a quantidade de seguidores passou a ter um peso considerável nas decisões de escalação, talvez até suplantando o mérito artístico e a experiência cênica?

Panorama Televisivo: Destaques e Desafios em Outras Emissoras

Enquanto o debate sobre influência digital e talento se intensifica, outras frentes do cenário televisivo nacional apresentam movimentos e desafios importantes. A disputa por audiência e a reestruturação interna são constantes, moldando o futuro da programação.

SBT: Ganhos na Manhã e a Urgência da Nova Programação

O SBT demonstrou um crescimento notável na faixa da manhã, superando a Record e assumindo a vice-liderança no embate entre “Primeiro Impacto” e “Hoje em Dia”. Esse bom desempenho não é fortuito; a recepção calorosa do público de São Paulo a André Azeredo, que substituiu Bacci no comando do “Alô Você”, é um fator chave, com sua apresentação conquistando a audiência. No entanto, a emissora enfrenta a necessidade premente de acelerar os preparativos para o lançamento de sua nova programação. A demora nas providências, embora compreensível dada a complexidade do trabalho, tem sido prolongada e pode prejudicar os resultados esperados. A indefinição sobre quem estará à frente da direção geral da nova grade é um ponto de atenção, visto que Mauro Lissoni, atualmente responsável pelo setor Artístico, não teve um substituto nomeado para sua função anterior. Adicionalmente, a recente e inesperada demissão de Marcos Kotait da direção comercial, sem um sucessor definido, também gera questionamentos no mercado.

Novelas Turcas na Band e Estabilidade em Produções Independentes

A Band se prepara para a chegada da próxima novela turca em sua grade. “Guerra das Rosas” (Güllerin Savaşı), uma produção de 2014 que explora temas de ambição, vingança e luta de classes, com a participação de Damla Sönmez, Canan Ergüder e Barış Kılıç, é a cotada para substituir “Cruel Istambul”. Enquanto isso, a produtora Seriella garantiu aos seus atores a manutenção dos elencos em suas próximas séries, “Ben-Hur” e “Amor em Ruínas”, apesar das recentes mudanças de direção. Essa comunicação foi essencial para tranquilizar os profissionais envolvidos, assegurando que protagonistas, papéis secundários e negociações em andamento não serão afetados. As filmagens de “Ben-Hur”, por sua vez, já tiveram início em Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, sob a direção de Vicente Guerra, que assumiu o lugar de Leonardo Miranda. Ingrid Conte, Bia Arantes e Juhlia Ficer são alguns dos nomes presentes nas primeiras gravações.

Conclusão: O Futuro da Televisão Entre o Digital e o Essencial

O cenário televisivo atual é um caldeirão de transformações, onde métricas digitais e o valor do talento clássico disputam espaço na tomada de decisões. Se, por um lado, o alcance nas redes sociais oferece uma visibilidade inegável, por outro, a verdadeira capacidade de cativar e reter o telespectador na frente da TV continua dependendo de atributos mais intrínsecos ao fazer artístico e à qualidade do conteúdo. A experiência com Viviane Araujo e a atenção aos movimentos do SBT, Band e produtoras independentes reforçam que o sucesso duradouro na televisão exigirá uma estratégia que transcenda o mero número de seguidores, valorizando a profundidade da arte e a gestão eficaz para navegar em um ambiente midiático cada vez mais fragmentado e dinâmico.

Fonte: https://portalleodias.com

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