O Bank of America (BofA) anunciou uma significativa revisão em sua avaliação para a Alpargatas (ALPA), detentora da icônica marca Havaianas. A recomendação para as ações da companhia foi elevada de 'neutra' para 'compra', acompanhada de um aumento no preço-alvo de R$ 13 para R$ 16. Esta nova projeção sinaliza um potencial de valorização de 17,6% em relação à cotação de fechamento anterior, refletindo um otimismo renovado em relação ao futuro da fabricante de calçados.
A decisão do banco de investimento é fundamentada em uma análise aprofundada de múltiplos fatores estratégicos e operacionais, que prometem impulsionar a performance da Alpargatas nos próximos trimestres. Entre os pontos-chave, destacam-se a capacidade da empresa de expandir sua presença em canais de varejo especializados, a reestruturação de acordos de distribuição internacional e a expectativa de uma redução substancial nos custos de insumos essenciais.
Perspectivas Otimistas e Reajuste de Metas Financeiras
A base para o novo preço-alvo do BofA para a Alpargatas está ancorada em um múltiplo de 14 vezes o lucro por ação (EPS) projetado para 2026, uma elevação em relação ao múltiplo anterior de 13 vezes. Adicionalmente, o modelo contempla uma Taxa Composta de Crescimento Anual (CAGR) de 13% em um horizonte de cinco anos. Importante notar que essa projeção já incorpora um desconto, atribuído ao risco-país e à ausência de direitos de tag along para os acionistas minoritários, comparando-a a conceitos de calçados com crescimento mais acelerado.
O otimismo do BofA se reflete também na revisão para cima das estimativas de lucro da companhia. As projeções de lucro por ação (EPS) foram ajustadas de R$ 0,84 para R$ 1,12 em 2026, e de R$ 0,91 para R$ 1,27 em 2027. Consequentemente, o lucro líquido estimado também apresentou incrementos significativos, passando de R$ 567 milhões para R$ 756 milhões em 2026, e de R$ 615 milhões para R$ 858 milhões em 2027. Essas revisões representam aumentos de 24% e 19%, respectivamente, em comparação com o consenso de mercado da Bloomberg, sublinhando a confiança do banco na recuperação e expansão da lucratividade da Alpargatas.
Estratégia de Vendas e Expansão em Canais Especializados
A Alpargatas, embora possua a Havaianas como uma marca de forte valor e liderança no mercado brasileiro de sandálias, apresenta uma oportunidade substancial de crescimento ao otimizar sua penetração em canais de varejo. Atualmente, a empresa demonstra uma participação inferior à média em varejistas especializados, um segmento que corresponde a 54% das vendas do setor, enquanto tem uma exposição superior em canais de massa, caracterizados por margens menores.
A estratégia de migração de volume para o varejo especializado é vista como um vetor crucial para a melhoria das margens. O BofA estima que a contribuição por par de produto é significativamente maior, entre 30% e 40%, nos canais especializados. Calculam que cada ponto percentual de volume de vendas transferido para este nicho pode adicionar aproximadamente 20 pontos-base à margem de contribuição da companhia, mesmo considerando eventuais aumentos nos custos de serviço associados a esses canais.
Reconfiguração Internacional e Parceria Estratégica nos EUA
Outro pilar fundamental para o crescimento da Alpargatas, segundo a análise do BofA, reside na reconfiguração de seus acordos de distribuição internacional. Um destaque é a parceria exclusiva de quatro anos firmada com o The Eastman Footwear Group para a distribuição nos Estados Unidos. Fundado em 1939, o Eastman é um player robusto no mercado, com experiência em mais de 30 marcas globais, incluindo nomes como Adidas, K-Swiss, Hurley, Tretorn e Lacoste.
A expectativa é que essa colaboração gere uma melhoria substancial no modelo comercial da Alpargatas no mercado norte-americano. O BofA prevê um avanço significativo na disponibilidade dos produtos Havaianas nos pontos de venda, ao mesmo tempo em que a companhia poderá abordar de forma mais eficaz temas cruciais como sustentabilidade e aprimoramento da arquitetura de preços em um mercado estratégico e exigente.
Ventos Favoráveis nos Custos de Produção
A terceira razão para a visão otimista do Bank of America está diretamente ligada à dinâmica de custos de produção. Os preços de commodities essenciais para a fabricação das Havaianas, como o butadieno e o estireno, registraram quedas notáveis, de 46,1% e 13,8% respectivamente, na comparação anual em reais. A projeção é que esses insumos mantenham-se sob pressão de baixa no curto prazo, beneficiando a estrutura de custos da Alpargatas.
Considerando que o butadieno e o estireno representam aproximadamente 25% dos custos totais da Havaianas, a continuidade dessa tendência de queda nos preços tem o potencial de impactar positivamente a rentabilidade da empresa. O BofA estima que essa redução nos custos de insumos pode adicionar cerca de 2 pontos percentuais à margem bruta da Alpargatas já em 2026, contribuindo diretamente para a expansão das margens nos próximos resultados.
Conclusão
Em suma, a elevação da recomendação e do preço-alvo da Alpargatas pelo Bank of America reflete uma análise abrangente que aponta para um cenário de recuperação e crescimento robusto. A confluência de uma execução estratégica focada na expansão em canais de varejo mais lucrativos, a reconfiguração e fortalecimento da presença internacional, especialmente nos Estados Unidos, e a projeção de custos de produção mais favoráveis criam um ambiente propício para a valorização das ações da companhia.
A Alpargatas, com sua marca consolidada e as iniciativas estratégicas em curso, está bem posicionada para capitalizar essas oportunidades, traduzindo-as em ganhos significativos de lucratividade e valor para seus acionistas nos próximos anos.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

