O Relatório Focus, divulgado nesta quarta-feira pelo Banco Central do Brasil, trouxe um panorama atualizado das expectativas do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos. O destaque ficou por conta da contínua revisão para baixo na projeção de inflação para 2026, um movimento que já se observa por mais de um mês. Em contrapartida, as estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o câmbio e a taxa Selic para o próximo ano permaneceram inalteradas, sinalizando um período de consolidação nas expectativas de médio e longo prazo para estes componentes.
As Tendências da Inflação no Horizonte
A inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segue em trajetória de queda para o ano de 2026. A projeção recuou pela sexta semana consecutiva, passando de 3,97% para 3,95%. Esse movimento sugere um otimismo persistente dos analistas em relação à contenção inflacionária no futuro próximo. Para os anos seguintes, no entanto, as expectativas permanecem estáveis há um longo período: 3,80% para 2027 (mantida por 15 semanas), e 3,50% para ambos 2028 e 2029, com essa última estimativa consolidada há impressionantes 24 semanas consecutivas.
Em relação ao Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a dinâmica foi um pouco mais variada. A projeção para 2026 registrou uma segunda queda consecutiva, caindo de 3,90% para 3,86%. Contudo, para 2027, houve um ligeiro aumento, de 3,99% para 4,00%. Para 2028, a estimativa manteve-se em 3,85% pela 11ª semana. Já para 2029, a mediana subiu de 3,70% para 3,76%, marcando a primeira elevação após um período de estabilidade prolongada.
Quanto aos preços administrados, o cenário para 2026 viu uma reversão. Após quatro semanas de quedas consecutivas, a projeção avançou de 3,69% para 3,76%. As estimativas para os anos subsequentes demonstram forte estabilidade: 3,71% para 2027 (mantida por seis semanas), e 3,50% para 2028 e 2029, com esta última inalterada por 31 semanas seguidas.
Crescimento Econômico: Um Consenso Duradouro
As projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil indicam um notável consenso entre os analistas. A expectativa de crescimento para 2026 permaneceu em 1,80% pela décima semana consecutiva, refletindo uma visão consolidada sobre a expansão da economia no próximo ano. Essa estabilidade se estende para 2027, também em 1,80%, por sete semanas. Para os horizontes mais distantes, 2028 e 2029, a previsão de 2,00% se manteve inalterada por longos períodos — 101 semanas para 2028 e 48 semanas para 2029 —, reforçando a solidez dessas expectativas de longo prazo.
Cenário Cambial: Dólar Estável, Com Variação Pontual
No que diz respeito ao câmbio, a expectativa para a cotação do dólar em 2026 permaneceu em R$ 5,50, um valor que se mantém inalterado há 18 semanas consecutivas, o que demonstra uma forte ancoragem nessa projeção. Para 2027, a estabilidade é igualmente presente em R$ 5,50, por duas semanas. A estimativa para 2028 também se firmou em R$ 5,50, consolidada após um breve período de oscilação. A única variação significativa no horizonte cambial foi observada para 2029, onde a projeção recuou de R$ 5,57 para R$ 5,51, marcando a primeira queda após um extenso período de estabilidade, indicando uma leve revisão para um cenário de dólar um pouco mais desvalorizado a longo prazo.
Taxa Selic: A Consistência da Política Monetária
A projeção para a taxa básica de juros, a Selic, ao final de 2026 manteve-se em 12,25% ao ano pela oitava semana consecutiva. Essa estabilidade reflete a confiança do mercado na trajetória da política monetária do Banco Central. A consistência é ainda mais acentuada para os anos seguintes: a expectativa para 2027 permanece em 10,50% há notáveis 53 semanas, e para 2029, em 9,50% por 16 semanas seguidas. A projeção para 2028 também se manteve inalterada em 10,00% pela quarta semana, consolidando a percepção de que os juros deverão se estabilizar em patamares mais baixos em um futuro mais distante, conforme o controle da inflação se concretiza.
Considerações Finais
O mais recente Relatório Focus revela um cenário de expectativas mistas, mas predominantemente estáveis. A persistente queda na projeção do IPCA para 2026 é um sinal positivo, indicando um alívio nas pressões inflacionárias percebidas pelo mercado. No entanto, a firmeza nas estimativas para o PIB, câmbio e Selic, muitos deles mantidos por semanas ou até meses, sugere que os analistas já incorporaram grande parte das informações macroeconômicas disponíveis, projetando um caminho de estabilidade para as principais variáveis econômicas do país no médio e longo prazos. A atenção agora se volta para a capacidade de a economia brasileira manter essa trajetória de desinflação sem comprometer o crescimento e a estabilidade dos demais indicadores.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

