Bolsas Europeias Recuam com Cautela: Balanços Corporativos e Cenário Macroeconômico Pressionam Mercados

As bolsas de valores da Europa encerraram as negociações da última quinta-feira em território negativo, refletindo um sentimento de cautela que dominou os investidores. A apreensão foi impulsionada por uma combinação de fatores, incluindo a divulgação de balanços corporativos de grandes bancos, sinais econômicos ambíguos vindos da região e a decisão dos principais bancos centrais de manterem as taxas de juros inalteradas. Adicionalmente, a liquidação em mercados de commodities contribuiu para a desvalorização de papéis de setores específicos, acentuando a pressão sobre os índices acionários.

Desempenho dos Principais Índices do Continente

O movimento de queda foi generalizado pelas principais praças financeiras do continente. Em Londres, o FTSE 100 registrou uma desvalorização de 0,90%, fechando aos 10.309,22 pontos. Frankfurt viu o DAX recuar 0,63%, para 24.448,58 pontos, enquanto o CAC 40 de Paris perdeu 0,29%, encerrando o dia em 8.238,17 pontos. Em Milão, o FTSE MIB liderou as quedas entre os grandes mercados, com um declínio de 1,75%, atingindo 45.819,57 pontos. Madri acompanhou a tendência, com o Ibex 35 em queda de 1,90%, fechando a 17.758,30 pontos, e Lisboa observou seu PSI 20 recuar 1,16%, para 8.779,01 pontos, conforme cotações preliminares.

Setor Financeiro Sob Pressão por Balanços

O setor bancário esteve no centro das atenções, com vários gigantes financeiros europeus registrando perdas significativas após a divulgação de seus resultados. Em Madri, o Banco Santander viu suas ações recuarem 2%, estendendo as perdas mesmo após anunciar a aquisição do Webster Financial, um movimento que não conseguiu ofuscar completamente os resultados trimestrais, que embora estivessem acima do esperado, foram obscurecidos por outras preocupações. O BBVA, outro peso-pesado espanhol, sofreu uma queda mais acentuada de 7,9%, após frustrar as expectativas de lucro para o quarto trimestre. O subíndice de bancos do Stoxx 600, que mede o desempenho do setor na Europa, caiu 3,3% no geral, sinalizando uma preocupação generalizada. Na contramão, o BNP Paribas destacou-se positivamente, avançando 1,5% em Paris, após elevar suas metas de médio prazo, mostrando que nem todas as notícias do setor foram negativas.

Flutuações em Setores Chave: Saúde, Energia, Mineração e Defesa

Para além do setor financeiro, outros segmentos cruciais da economia europeia também enfrentaram desafios decorrentes de notícias corporativas específicas ou do cenário de commodities.

Desafios em Saúde e Commodities

No setor de saúde, a gigante farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, conhecida por seu medicamento para perda de peso Wegovy, cedeu 7,8% em Copenhague. A queda foi motivada por preocupações com o aumento da concorrência nos Estados Unidos, após a empresa Hims & Hers anunciar que passaria a oferecer uma versão manipulada do comprimido do Wegovy a um preço mais acessível. Já no segmento de energia, a Shell viu suas ações caírem 3,5% em Londres, depois de divulgar um lucro trimestral abaixo das projeções de mercado, em um contexto de preços de petróleo em declínio. Empresas mineradoras como Fresnillo, Antofagasta e Anglo American também registraram quedas de aproximadamente 5,9%, 3% e 3%, respectivamente, refletindo a pressão observada nos preços de metais básicos e preciosos.

Preocupações no Setor de Defesa

O setor de defesa também teve seu revés, com a Rheinmetall recuando cerca de 6,6% em Frankfurt. A desvalorização ocorreu após a empresa sinalizar projeções preliminares mais fracas para 2026, indicando um contexto de menor prêmio geopolítico, que pode impactar a demanda futura por equipamentos de defesa.

Política Monetária e Indicadores Econômicos em Destaque

No fronte macroeconômico, as decisões dos bancos centrais e os dados econômicos também influenciaram o humor do mercado. O Banco Central Europeu (BCE) manteve suas taxas de juros pela quinta vez consecutiva, uma decisão amplamente esperada e que, na avaliação do Citi, não aponta para mudanças imediatas na política monetária. No Reino Unido, o presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey, expressou otimismo, afirmando que o processo de desinflação está “no caminho certo” e mais adiantado do que o previsto, elevando a confiança na capacidade de alcançar a meta de 2% até meados de 2027. Contudo, os dados econômicos da zona do euro apresentaram um quadro misto: as encomendas à indústria alemã superaram as expectativas, indicando resiliência manufatureira, enquanto as vendas no varejo da zona do euro recuaram mais do que o esperado, sugerindo fragilidade no consumo.

Em suma, a sessão europeia foi marcada por um ambiente de cautela e análise detalhada por parte dos investidores. A complexidade do cenário atual, com resultados corporativos díspares, ajustes nas expectativas de mercado por setor e a vigilância sobre os rumos da política monetária e da economia real, ditou o tom de queda. Os mercados seguem atentos à evolução desses fatores, que continuarão a moldar as perspectivas para as bolsas no futuro próximo.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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