A contagem regressiva para os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, que acontecerão entre 6 e 22 de fevereiro, revela um novo capítulo para o esporte brasileiro. Pela primeira vez na história, o país enviará uma delegação recorde, composta por 14 atletas e um reserva, que competirão nas diversas modalidades de gelo e neve espalhadas pelas distintas regiões da Itália. Este marco não apenas reflete o crescimento e a evolução dos esportes de inverno no Brasil, mas também reúne um grupo de talentos com trajetórias singulares e histórias de vida diversas, espalhadas pelo mundo.
Uma Delegação Sem Precedentes e a Consolidação Brasileira no Cenário Olímpico
O Comitê Olímpico do Brasil (COB) confirmou a maior participação nacional em uma edição dos Jogos de Inverno, superando os 13 atletas que competiram em Sochi-2014 e os 10 de Pequim-2022. Este aumento de 40% no número de representantes, em comparação com a última edição olímpica, é o resultado direto de um investimento contínuo e de um planejamento estratégico de longo prazo. Segundo Emílio Strapasson, chefe de missão do Time Brasil, a expansão é um 'reflexo direto de mais estrutura, melhor organização e planejamento de longo prazo', o que solidifica o Brasil como a terceira força das Américas e a principal da América do Sul no Movimento Olímpico de Inverno.
Para garantir a melhor preparação e desempenho dos atletas, o COB estruturou um complexo plano logístico. As provas de Milão-Cortina 2026 estarão distribuídas em diversas cidades montanhosas, como Bormio, Livigno, Tesero e Cortina d’Ampezzo, exigindo uma coordenação minuciosa para atender às necessidades de cada modalidade e atleta.
Destaques no Esqui Alpino: Do Talento Internacional à Revelação Nacional
O esqui alpino será a modalidade com a maior presença brasileira, contando com quatro representantes. O nome mais proeminente é Lucas Pinheiro Braathen. Nascido em Oslo, Noruega, de mãe brasileira, ele optou por defender o Brasil em 2024 e tem brilhado no circuito mundial, acumulando nove pódios em etapas da Copa do Mundo, incluindo uma vitória em Levi, Finlândia, e quatro pódios recentes que o colocam como uma das grandes esperanças do país.
Ao lado de Braathen, a equipe de esqui alpino inclui Christian Oliveira, nascido no Rio de Janeiro e com formação na Noruega, que estreou pelo Brasil na temporada 2025/2026, alcançando resultados promissores em competições internacionais. Giovanni Ongaro, de origem italiana, passou a competir pelo Brasil em 2024 e traz consigo um histórico consistente em provas de base e júnior. Completando o quarteto, Alice Padilha emerge como a principal revelação feminina da modalidade, garantindo sua vaga olímpica no slalom após atingir o índice necessário no início de 2025.
Experiência e Liderança nas Pistas de Gelo
No skeleton, o Brasil será representado por Nicole Silveira, uma atleta de destaque global. Natural de Rio Grande (RS), Nicole ocupa a quarta posição no ranking mundial em 2025, um feito notável que se soma às suas três medalhas de bronze conquistadas em etapas da Copa do Mundo, evidenciando seu potencial para Milão-Cortina.
O bobsled contará com a presença de Edson Bindilatti, um verdadeiro ícone do esporte brasileiro de inverno. O baiano de Camamu alcançará um marco histórico ao participar de sua sexta edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, tornando-se o atleta brasileiro com mais participações. Em 2026, ele atuará como piloto do trenó 4-man, trazendo sua vasta experiência e os títulos continentais que já acumulou ao longo da carreira.
Novos Talentos e Retornos Triunfais no Esqui Cross-Country e Snowboard
O esqui cross-country terá três representantes. Eduarda Ribera, que já participou dos Jogos da Juventude em 2020 e esteve em Pequim-2022, retorna ao cenário olímpico como a principal atleta da modalidade residente no Brasil. Bruna Moura fará sua estreia em Jogos Olímpicos, superando um acidente que a impediu de competir na edição anterior. Manex Silva garantiu sua vaga ao atingir o índice olímpico no Mundial de Trondheim, em 2025, marcando a primeira classificação direta brasileira na modalidade para Milão-Cortina.
No snowboard halfpipe, o Brasil será representado por Pat Burgener e Augustinho Tei, cujas performances prometem elevar ainda mais o nível do país nesta disciplina.
O Legado de Milão-Cortina 2026 para o Esporte Brasileiro
A delegação brasileira para os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 representa mais do que apenas um aumento numérico; ela simboliza a maturação e o reconhecimento do trabalho árduo e do planejamento estratégico no esporte de inverno nacional. Cada um dos 14 atletas carrega consigo uma história de dedicação, superação e paixão, refletindo a diversidade e o potencial do Brasil em modalidades historicamente dominadas por países com tradição na neve e no gelo.
Este evento será uma plataforma crucial para consolidar o país como uma força emergente no cenário olímpico de inverno, inspirando novas gerações e fortalecendo a infraestrutura para o desenvolvimento contínuo desses esportes. Com a maior delegação da sua história, o Brasil se prepara para escrever mais um capítulo emocionante, buscando não apenas a excelência competitiva, mas também a visibilidade e o legado duradouros no palco mundial.
Fonte: https://portalleodias.com

