Caso Master: Renan Calheiros Denuncia Chantagem do Centrão e Detalha Ações do Senado

O cenário de investigações em torno do Banco Master ganhou contornos ainda mais dramáticos nesta quarta-feira (11), com as declarações do presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL). Em Brasília, o senador trouxe à tona uma grave denúncia: o suposto constrangimento político sofrido por um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), orquestrado pelo Centrão, para interromper o processo de liquidação da instituição financeira. Calheiros detalhou ainda as próximas etapas do grupo de trabalho do Senado que acompanha o caso, incluindo o pedido de acesso a dados cruciais e a busca por colaboração com outras esferas de investigação.

Acusações de Chantagem no TCU e o Papel do Centrão

Em reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, Renan Calheiros revelou os pormenores de sua conversa com o presidente do TCU, Vital do Rêgo. Segundo o senador, o ambiente no Tribunal de Contas foi de notável constrangimento, indicando uma pressão externa para influenciar suas decisões. Calheiros foi categórico ao afirmar que “o Centrão chantageou um ministro do Tribunal de Contas para que ele acabasse com a liquidação [do Master, feita pelo Banco Central]”, uma alegação que lança luz sobre possíveis interferências políticas em processos regulatórios cruciais. A denúncia sugere uma tentativa de manipulação para reverter a medida do Banco Central que visava a liquidação do Banco Master.

Estratégias do Grupo de Trabalho do Senado

Paralelamente à denúncia de chantagem, o senador Renan Calheiros delineou a estratégia do grupo de trabalho da CAE encarregado de supervisionar as investigações do caso Master. A primeira medida anunciada será a requisição de dados do celular de Daniel Vorcaro, proprietário do banco, considerada fundamental para o avanço das apurações. Calheiros defendeu publicamente que o próprio banqueiro seja o primeiro a depor perante o grupo, visando uma maior produtividade nas fases iniciais, embora a data ainda não esteja definida. Apesar da intensidade das investigações, o senador fez questão de ressaltar que as atividades do grupo não devem ser confundidas com as de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), enfatizando seu papel de “investigação”, mas não de “polícia”, com foco em aperfeiçoar a legislação e a fiscalização, além de colaborar na responsabilização dos envolvidos.

Busca por Colaboração com o Judiciário e a Polícia Federal

A agenda de Renan Calheiros em Brasília incluiu encontros estratégicos com as cúpulas do Judiciário e da Polícia Federal, visando fortalecer o acesso às informações e a transparência do processo. Após a reunião com o ministro Fachin, onde reafirmou o pedido de acesso às diversas investigações em curso sobre o Master, o senador dirigiu-se à Polícia Federal. Lá, encontrou-se com o diretor-geral, Andrei Rodrigues, a quem solicitou acesso a todas as informações pertinentes, inclusive dados sigilosos, com o objetivo de evitar qualquer “blindagem” e fortalecer a apuração. Em resposta, Rodrigues comprometeu-se a ceder um assessor técnico para auxiliar os trabalhos do grupo da CAE, sinalizando uma disposição de colaboração interinstitucional para desvendar por completo as complexidades do caso.

As recentes declarações de Renan Calheiros adicionam uma camada de gravidade e urgência às investigações do Banco Master, sugerindo interferências políticas que poderiam ter alterado o curso de uma liquidação bancária. A atuação do grupo de trabalho do Senado, combinada com a busca por colaboração ativa com o STF e a Polícia Federal, aponta para uma determinação em esclarecer os fatos, responsabilizar os envolvidos e, fundamentalmente, reforçar os mecanismos de regulação e fiscalização do sistema financeiro brasileiro. O desdobramento deste caso promete ser um teste importante para a transparência e a independência das instituições brasileiras, buscando assegurar que a justiça prevaleça e que a legislação seja aperfeiçoada para evitar futuras ocorrências.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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