Os Correios deram um passo significativo em seu ambicioso plano de reestruturação com o anúncio da venda de 21 imóveis, marcando o início de uma série de leilões. A estatal tem como meta arrecadar R$ 1,5 bilhão até dezembro, não apenas com esta rodada inicial, mas também com a alienação de outros ativos. A iniciativa busca equilibrar as finanças da empresa e reverter um cenário de perdas que se estende por mais de uma década.
Detalhes dos Leilões de Imóveis e Potencial de Arrecadação
A primeira etapa de leilões está agendada para os dias 12 e 26 de fevereiro, oferecendo uma variedade de propriedades. Entre os bens a serem comercializados, encontram-se prédios administrativos, complexos operacionais desativados, terrenos diversos, galpões, lojas e até apartamentos funcionais. Os valores iniciais para estes imóveis são bastante amplos, variando de R$ 19 mil a R$ 11 milhões, buscando atrair diferentes perfis de investidores.
As propriedades que compõem este lote inicial estão distribuídas por diversas regiões do país, incluindo os estados da Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte e São Paulo. A receita gerada por essas vendas será integralmente direcionada para fortalecer as operações essenciais dos Correios, modernizar sua infraestrutura logística e garantir a sustentabilidade da empresa no longo prazo.
O Vasto Plano de Recuperação Financeira
A venda de imóveis é apenas uma das frentes de um plano de reestruturação mais amplo, concebido para reverter 12 trimestres consecutivos de prejuízos. A empresa enfrenta um déficit estrutural que supera os R$ 4 bilhões anuais, agravado pela obrigação de universalizar o serviço postal, alcançando até mesmo as localidades mais remotas do Brasil. Para tanto, uma série de medidas complementares tem sido implementada e anunciada.
Programa de Desligamento Voluntário e Redução de Custos
Nesta semana, foi aberto o período de inscrições para o Plano de Desligamento Voluntário (PDV). A previsão é de que aproximadamente 10 mil funcionários aderirão ao programa ainda este ano, com uma meta total de até 15 mil desligamentos até 2027. Esta iniciativa visa gerar uma economia anual estimada em R$ 2,1 bilhões para a estatal, otimizando o quadro de pessoal.
Reorganização da Rede de Atendimento
Complementarmente, os Correios planejam o fechamento de mil agências consideradas deficitárias. O redesenho da malha de atendimento, focado em eficiência e viabilidade econômica, projeta um impacto positivo adicional de R$ 2,1 bilhões nas finanças da empresa, ajustando a estrutura de custos à realidade operacional e de mercado.
Desafios Fiscais e Projeções para o Futuro
Mesmo com todas as ações em andamento, as projeções financeiras da empresa indicam que os desafios persistirão no curto prazo. A expectativa é que os Correios ainda apresentem um déficit de cerca de R$ 9 bilhões em 2025, com a possibilidade de um prejuízo ainda maior no ano subsequente. A estimativa é de que a estatal só retorne ao lucro a partir de 2027, sinalizando a complexidade da recuperação.
Estratégias Complementares para Sustentabilidade
Para suportar a transição e a modernização, os Correios estão buscando diversas fontes de financiamento e otimização. Estão previstos empréstimos que totalizam R$ 12 bilhões (R$ 10 bilhões em 2025 e R$ 2 bilhões em 2026), além de mais R$ 8 bilhões em operações de crédito em 2026. Um empréstimo de R$ 4,4 bilhões com o Banco dos Brics será destinado especificamente à modernização de serviços e tecnologias. A revisão dos planos de saúde dos funcionários também contribuirá, com uma economia projetada de R$ 700 milhões. Adicionalmente, novas parcerias e a diversificação das atividades, especialmente em serviços financeiros e seguros, buscam gerar um ganho esperado de R$ 1,7 bilhão. Para garantir a eficácia do processo, uma consultoria externa será contratada para revisar o modelo organizacional e societário da empresa.
A série de medidas articuladas pelos Correios – da alienação de ativos à reestruturação de pessoal e investimentos em modernização – reflete um esforço concentrado para garantir a viabilidade e a relevância da empresa no futuro. Embora o caminho até a sustentabilidade plena seja longo e desafiador, as ações em curso demonstram um comprometimento com a revitalização da estatal e sua capacidade de continuar prestando serviços essenciais à população brasileira.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

