Credores Intensificam Pressão: Pedem Inclusão de Todo o Grupo Fictor em Recuperação Judicial

A intrincada saga judicial do Grupo Fictor ganha um novo e significativo desenvolvimento. Credores do conglomerado protocolaram uma ação na Justiça de São Paulo solicitando que a totalidade das empresas do grupo seja integrada ao processo de recuperação judicial, que inicialmente abrangeu apenas duas de suas subsidiárias. A medida, revelada pelo sistema Broadcast do Grupo Estado, é motivada pela percepção de uma fragilidade financeira substancial nas companhias que deram entrada ao pedido original, levantando questões sobre a real capacidade de reestruturação com um escopo limitado.

A Base da Contenda: Evidências de Frágil Estrutura Financeira

A petição dos credores, que representam um volume considerável de dívidas, foca na suposta inconsistência financeira das duas empresas que iniciaram o processo: Fictor Invest e Fictor Holding. O documento aponta que a Fictor Invest registrava um saldo em caixa de apenas R$ 2.670 em 31 de dezembro, um valor considerado “absolutamente insignificante” para uma entidade que se apresentava como pilar de um conglomerado e que, notoriamente, captava vultuosos investimentos. Complementarmente, os extratos bancários de ambas as requerentes da recuperação revelam um cenário ainda mais preocupante: as contas correntes de Fictor Invest e Fictor Holding iniciaram e encerraram janeiro de 2026 com saldo zerado, sugerindo, para a defesa dos credores, uma “estrutura financeira oca” nas companhias formalmente protegidas pela Justiça.

Expansão do Polo Passivo: O Argumento da Interconexão

Diante do panorama de caixa e extratos, os credores, representados pelo advogado Felipe Gosuen da Silveira e cerca de 50 partes, argumentam que a interconexão e dependência entre as diversas unidades de negócio do Grupo Fictor são inegáveis. Para que a recuperação judicial seja efetiva e abranja a real capacidade de pagamento e reestruturação, seria imperativa a inclusão de todo o conglomerado no processo. Entre as empresas que os credores solicitam adicionar estão Fictor Agro, Fictor Alimentos, Fictor Energia, Fictor Lab, Fictor Meios de Pagamento, Fictor Asset, Fictor Securitizadora e Fictor Master Assessoria de Investimentos, abrangendo diversos setores de atuação do grupo.

Andamento Processual e Medidas Cautelares Iniciais

O caso tramita na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. Antes do recente pedido de ampliação, o juiz Adler Batista Oliveira Nobre já havia concedido, em 3 de outubro, a antecipação dos efeitos da recuperação judicial para as duas empresas originalmente peticionárias (Fictor Invest e Fictor Holding). Essa tutela de urgência estabeleceu uma suspensão de 30 dias para execuções, cobranças e bloqueios que pudessem incidir sobre o grupo, providenciando um fôlego inicial para a reestruturação das dívidas estimadas em cerca de R$ 4 bilhões.

Controvérsias Adicionais e o Histórico de Aquisição do Grupo

Além da batalha pela inclusão de subsidiárias, o processo judicial também revela outras particularidades. Alguns nomes que figuram na lista de credores contestam sua inclusão. Um exemplo notável é o da Sefer Investimentos, que entrou com um requerimento para ser retirada da relação, onde aparece com um crédito de R$ 430 milhões a receber do Grupo Fictor. A Fictor, que não se manifestou publicamente sobre as recentes alegações até a publicação desta reportagem, ganhou destaque no cenário financeiro anteriormente por sua tentativa de adquirir o Banco Master, um dia antes de a instituição ser liquidada pelo Banco Central, adicionando uma camada de complexidade à sua trajetória.

A solicitação dos credores para incluir a totalidade do Grupo Fictor na recuperação judicial marca um ponto de virada crucial, transformando o escopo do processo de um desafio de reestruturação de duas empresas para uma potencial revisão abrangente de um conglomerado. A decisão da Justiça sobre este pedido será determinante para o futuro do grupo e para a forma como as dívidas bilionárias serão equacionadas, delineando um cenário de incertezas e aguardando novos desdobramentos neste complexo embate jurídico-financeiro.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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