A corrida pela Presidência em 2026 já movimenta os bastidores da política, revelando uma direita com posicionamentos ainda fluidos e divisões internas significativas. Em um cenário de incertezas, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, trouxe à tona a falta de consenso em torno de uma eventual candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), ao mesmo tempo em que vocalizou seu forte apoio ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como uma alternativa promissora ao Palácio do Planalto.
A Disputa no Campo da Direita: Múltiplos Nomes e Perspectivas
Marcos Pereira defendeu veementemente a candidatura de Tarcísio de Freitas, baseando sua escolha não apenas na filiação partidária, mas na percepção de sua competência e de um perfil mais centrista e equilibrado. Segundo Pereira, a afirmação de que a direita estaria fechada com Flávio Bolsonaro é prematura e imprecisa, destacando que o cenário atual demonstra uma clara fragmentação. Além de Tarcísio, o líder do Republicanos mencionou outros governadores com ambições presidenciais, como Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União-GO) e Ratinho Júnior (PSD-PR), reforçando a ideia de que a base conservadora ainda avalia diversas opções para a sucessão.
Tensões e Lealdades: A Relação Tarcísio-Bolsonaro em Foco
A dinâmica entre Tarcísio de Freitas e o clã Bolsonaro tem sido um ponto de atenção. Recentemente, a ausência do governador em uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro gerou especulações e cobranças de alguns setores bolsonaristas. Tarcísio, por sua vez, atribuiu a falta a uma “razão pessoal” e “questão de agenda”, negando qualquer pressão para demonstrar apoio à candidatura de Flávio. O governador paulista reiterou seu engajamento futuro em prol de uma campanha competitiva de Flávio Bolsonaro, assegurando que, com o tempo, as tensões se acomodarão.
Ainda nesse contexto de atritos, Marcos Pereira não hesitou em rebater duramente as declarações do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que havia se referido a Tarcísio como “apenas um servidor”. Pereira classificou a fala como “extremamente deselegante e arrogante”, contra-argumentando com uma crítica incisiva a Eduardo, que considerou uma ironia à sua própria atuação profissional e situação atual.
Apesar de relatos de que Tarcísio estaria animado com a possibilidade de uma disputa presidencial e já teria autorizado articulações nesse sentido, o governador mantém publicamente a coerência de seu discurso, reiterando o foco em buscar a reeleição para mais quatro anos no governo de São Paulo, desqualificando as conversas sobre 2026 como “especulações”.
A Resistência Evangélica e a Busca por uma Alternativa à Liderança Conservadora
Um dos entraves mais notáveis à consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro provém do segmento evangélico, uma base eleitoral crucial para a direita brasileira. Pastores influentes, embora mantenham canais de diálogo abertos, têm evitado qualquer gesto público que possa ser interpretado como um endosso precoce à sucessão. A avaliação corrente nesse meio é que o senador ainda não possui a densidade política necessária para liderar o campo conservador em 2026, o que tem gerado resistência ao seu projeto de se posicionar como herdeiro natural do legado bolsonarista.
Essa hesitação se manifesta em episódios concretos, como a tentativa de Flávio Bolsonaro de se aproximar do pastor Silas Malafaia para um jantar e a busca por conexões com líderes de outras grandes denominações, como Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus Madureira, e pastores ligados à Universal do Reino de Deus. Tais esforços não resultaram em um apoio público ou estruturado, indicando que os líderes religiosos preferem aguardar um cenário mais definido.
Paralelamente, circula nos bastidores evangélicos a preferência por uma chapa alternativa, vista como mais competitiva e com maior capacidade de mobilização: a combinação de Tarcísio de Freitas com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como vice. Essa articulação opera como um freio adicional ao avanço da candidatura de Flávio, refletindo a complexidade e as múltiplas frentes de negociação que caracterizam o atual momento político da direita.
Perspectivas para 2026: Um Campo Conservador em Reconfiguração
As declarações de Marcos Pereira e as reações dos diferentes atores políticos e religiosos sublinham que a sucessão presidencial de 2026, no que tange ao espectro da direita, está longe de um desfecho. A dinâmica atual aponta para um período de intensas articulações, onde a lealdade partidária se mescla com o desejo de encontrar o nome mais competitivo e o perfil que melhor dialogue com as diversas vertentes do eleitorado conservador. A divisão de apoio a Flávio Bolsonaro e a emergência de outras candidaturas e arranjos, especialmente no influente meio evangélico, sinalizam que o campo da direita ainda passará por uma significativa reconfiguração antes da definição de seus líderes para a próxima disputa pelo Planalto.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

