O mercado financeiro acompanhou com atenção a movimentação do dólar à vista nesta quarta-feira, que registrou baixa em relação ao real. A principal força motriz por trás dessa dinâmica foi a expectativa gerada pelo aguardado discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial, em Davos. Investidores buscavam no pronunciamento sinais que pudessem esclarecer a temperatura da crescente crise diplomática envolvendo a Groenlândia e suas potenciais implicações econômicas. Paralelamente, fatores internos no Brasil também contribuíram para o cenário, adicionando camadas de complexidade à cotação da moeda.
Abertura do Mercado e Cotações Iniciais
No início do pregão, às 9h06, o dólar à vista demonstrou uma queda de 0,37%, sendo negociado a R$ 5,361 para venda. A tendência de desvalorização se estendeu ao mercado futuro, com o contrato de fevereiro — o mais negociado na B3 — recuando 0,43%, atingindo R$ 5,369. Essa performance contrasta com o fechamento do dia anterior, terça-feira, quando a moeda americana havia encerrado o dia cotada a R$ 5,3802, registrando uma alta de 0,29%. A expectativa para o dia incluía um leilão de 50.000 contratos de swap cambial realizado pelo Banco Central às 11h30, visando a rolagem do vencimento de 2 de fevereiro e a gestão da liquidez no mercado de câmbio.
A Tensão Geopolítica e o Papel de Trump em Davos
A acentuada expectativa em torno do discurso de Donald Trump residia nas recentes tensões geopolíticas que o presidente americano vinha promovendo. Nos dias que antecederam o evento de Davos, Trump reiterou seu interesse na incorporação da Groenlândia, um território semiautônomo sob administração da Dinamarca. Além disso, ele elevou o tom ao ameaçar impor tarifas comerciais a países europeus que se opusessem a essa proposta, intensificando os atritos já existentes com a Europa. Questionado sobre os limites de suas ambições territoriais antes da viagem, Trump optou por não detalhar sua estratégia, indicando que sua posição seria esclarecida no devido tempo. Essa postura contribuiu para o desconforto entre diversos líderes europeus presentes no fórum.
Reações Internacionais e a Ordem Pós-Guerra
As declarações de Trump sobre a Groenlândia e as ameaças tarifárias provocaram reações significativas no cenário internacional. Emmanuel Macron, presidente da França, expressou preocupação com o ressurgimento de ambições territoriais na política global e defendeu uma maior autonomia estratégica para a Europa diante desses desafios. Da mesma forma, Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, avaliou a situação como um sinal de ruptura na ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial. Essas manifestações refletem a percepção de uma crescente instabilidade e a necessidade de reavaliar as bases das relações internacionais frente a novas dinâmicas geopolíticas.
Cenário Doméstico: Política e Economia no Brasil
No plano doméstico, o mercado também repercutiu eventos importantes que influenciaram o sentimento dos investidores. O Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, controlada pelo Banco Master, um movimento que sinaliza a atuação do regulador na supervisão do sistema financeiro. Além disso, uma nova pesquisa Atlas, encomendada pela Bloomberg, chamou a atenção ao mostrar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com uma liderança folgada em todos os cenários de primeiro turno para a eleição presidencial de outubro, com potencial de vitória já na primeira rodada. O levantamento também indicou a manutenção de sua vantagem nas simulações de segundo turno, onde os possíveis candidatos do campo bolsonarista — o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) — registraram desempenho idêntico contra o petista. Esses dados políticos são monitorados pelos traders, pois podem impactar a percepção de risco e a atratividade do Brasil para investimentos externos, influenciando, consequentemente, a cotação do dólar.
Em suma, a cotação do dólar nesta quarta-feira foi um reflexo da intrincada teia de fatores globais e domésticos. Enquanto a atenção se voltou para os desdobramentos geopolíticos e as declarações de Donald Trump em Davos, a política monetária do Banco Central e o cenário eleitoral brasileiro também exerceram sua influência, compondo um ambiente de cautela e expectativa para os investidores na dinâmica cambial.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

