A recuperação observada no mercado secundário de fundos imobiliários de tijolo, impulsionada pela perspectiva de cortes de juros e o alívio nas curvas futuras, tem sido um tema central para investidores. Contudo, em uma análise aprofundada, o Itaú BBA destaca que, mesmo em 2026, os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) de papel estão posicionados para manter sua relevância primária quando o foco principal recai sobre a geração de renda. Essa avaliação estratégica sugere uma resiliência notável dos fundos lastreados em recebíveis imobiliários, em contraste com a dinâmica dos ativos físicos, em um cenário econômico em constante evolução.
A Persistência da Renda em um Cenário de Juros Ainda Elevados
Apesar da expectativa de uma trajetória de queda para a taxa Selic nos próximos anos, as projeções do Itaú BBA indicam que a taxa terminal de juros deverá se estabilizar em um patamar ainda elevado, superando os 12% ao ano. Este cenário é particularmente vantajoso para os FIIs de papel indexados ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que tendem a sustentar rendimentos atraentes em decorrência da valorização das taxas. Adicionalmente, a atratividade dos FIIs atrelados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é preservada por projeções de inflação mais estáveis, oferecendo proteção e rendimentos reais. Para o Itaú Asset, essa combinação de fatores fortalece a competitividade dos fundos de papel, tornando-os instrumentos eficazes para diferentes ambientes macroeconômicos. Atualmente, a 'Carteira Renda com Imóveis' do Itaú reflete essa estratégia, com aproximadamente 30% de seu portfólio alocado em ativos financeiros desse segmento.
As Recomendações Estratégicas e Seus Critérios de Seleção
O Itaú BBA apresentou uma lista de nove FIIs de papel recomendados para compra, todos avaliados por critérios rigorosos. Entre os fundos selecionados estão Pátria Recebíveis Imobiliários (HGCR11), Kinea High Yield (KNHY11), Kinea Índice de Preços (KNIP11), Kinea Securities (KNSC11), Kinea Unique (KNUQ11), Mauá Capital Recebíveis (MCCI11), RBR Rendimento High Grade (RBRR11), RBR Crédito Imobiliário Estruturado (RBRY11) e Vectis Juros Real (VCJR11). A análise para essas recomendações privilegia fundos com carteiras diversificadas, alta qualidade de crédito dos devedores subjacentes, estruturas de garantias sólidas e a comprovada capacidade de originação de novas operações por parte das gestoras. Fundos como HGCR11, KNHY11 e KNIP11 são citados como preferenciais devido à sua ampla diversificação, elevada liquidez de mercado e ao histórico consistente de suas respectivas equipes de gestão.
Pontos de Atenção e Monitoramento para Fundos Recomendados
Embora a visão para os FIIs de papel em 2026 seja construtiva, o Itaú BBA também sinaliza pontos de atenção específicos que exigem monitoramento contínuo. No caso do HGCR11, por exemplo, a instituição destaca que, apesar da diversificação e da boa qualidade de crédito, algumas operações da carteira apresentam níveis de LTV (Loan-to-Value) superiores a 70%, e as garantias podem estar localizadas em regiões que poderiam dificultar eventuais execuções. Para fundos como KNHY11, KNUQ11 e RBRY11, o banco observa que a busca por retornos mais elevados é inerentemente acompanhada de um risco de crédito superior, o que demanda vigilância constante. Especificamente, o KNHY11 possui operações compromissadas que merecem atenção, enquanto KNUQ11 e RBRY11 exibem uma concentração setorial que figura como um alerta adicional. A questão da concentração também se manifesta em fundos tidos como mais defensivos: no MCCI11, as cinco maiores operações compreendem cerca de 37% do patrimônio líquido, com exposição notável ao WT Morumbi, e no RBRR11, os cinco principais Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) somam aproximadamente 43% do PL do fundo.
Conclusão
A análise do Itaú BBA solidifica a expectativa de que os FIIs de papel manterão seu papel central na geração de renda para investidores em 2026, amparados por um cenário de juros estruturalmente mais altos e inflação sob controle. Contudo, essa perspectiva favorável é acompanhada de uma ressalva crucial: a necessidade de uma análise detalhada e um monitoramento ativo sobre os riscos específicos de cada fundo. A diversificação da carteira, a qualidade do crédito dos ativos subjacentes e a robustez das garantias permanecem como pilares fundamentais para uma alocação bem-sucedida, permitindo que os investidores naveguem com segurança por este segmento dinâmico do mercado imobiliário.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

