A agência de classificação de risco Fitch Ratings revisou suas projeções para o crescimento econômico da China, indicando uma desaceleração notável para 4,1% em 2026. Esta nova perspectiva contrasta com a estimativa de 5,0% para 2025 e é impulsionada, em grande parte, por uma demanda interna persistentemente contida. Apesar da robusta performance da demanda externa chinesa, a fragilidade doméstica se configura como o principal entrave para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do país no médio prazo, desafiando as expectativas de recuperação plena.
Desafios Multifacetados na Demanda Doméstica
A análise da Fitch aponta que a debilidade da demanda interna chinesa é resultado de uma combinação de fatores complexos. A confiança do consumidor permanece em níveis lentos, criando um ambiente de cautela que desestimula gastos significativos. Essa lentidão contribui para a persistência de pressões deflacionárias, que, por sua vez, podem adiar decisões de compra e investimento. Além disso, os obstáculos ao investimento se expandiram para além da correção no setor imobiliário, que tem sido um foco de preocupação nos últimos anos. Estes ventos contrários são ainda mais exacerbados pelo excesso de endividamento dos governos locais, limitando a capacidade dessas entidades de impulsionar a economia através de novos projetos e despesas.
Estratégias Políticas e Efeito Moderado Esperado
Diante do cenário de desaceleração, o governo chinês tem sinalizado uma intensificação dos esforços políticos para reativar o investimento e redirecionar a economia para um modelo mais focado no consumo. Contudo, a Fitch antecipa que essas medidas serão implementadas de forma incremental, proporcionando apenas um suporte modesto à atividade econômica geral. A demanda interna foi categorizada como a principal prioridade econômica para 2026 durante a Conferência Central de Trabalho Econômico de dezembro. Em resposta, foram anunciadas diversas medidas, incluindo a extensão do programa de troca e subsídios de taxas de juros em empréstimos pessoais, visando especificamente estimular os gastos e as aquisições da população.
Perspectivas Fiscais e Desempenho Recente
No que tange à política fiscal, a agência de risco projeta uma postura amplamente neutra por parte da China nos próximos anos. Espera-se um declínio modesto no déficit governamental, passando de 8,4% do Produto Interno Bruto no ano anterior para uma estimativa de 7,9% em 2026. Embora o crescimento do PIB chinês em 2025 tenha superado a projeção anterior da Fitch de 4,8%, os dados subjacentes continuam a evidenciar a dificuldade em reavivar plenamente a demanda interna. Uma desaceleração acentuada nos gastos com infraestrutura por parte dos governos locais no quarto trimestre de 2025, por exemplo, sugere que o déficit total de 2025 pode ter sido menor do que as previsões iniciais da agência, refletindo uma possível contenção de despesas em algumas esferas governamentais.
Conclusão: Caminho Desafiador para o Crescimento Sustentável
Em suma, o relatório da Fitch Ratings desenha um panorama desafiador para a economia chinesa, com a persistente fraqueza da demanda interna atuando como o principal freio ao crescimento projetado para 2026. Apesar dos esforços governamentais para estimular o consumo e o investimento, a agência prevê que o impacto será limitado e gradual. A capacidade de Pequim em superar as pressões deflacionárias, restaurar a confiança do consumidor e gerenciar eficazmente o endividamento dos governos locais será crucial para determinar se o país conseguirá reverter essa tendência de desaceleração e alcançar um crescimento mais robusto e sustentável no futuro.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

