A Faixa de Gaza foi palco de uma nova onda de ataques aéreos israelenses neste domingo, resultando na morte de pelo menos 11 palestinos, conforme relatado por autoridades locais. A ação militar israelense foi apresentada como uma resposta a alegadas violações do cessar-fogo por parte do grupo militante Hamas, intensificando a já volátil situação dias antes de uma crucial reunião do Conselho de Paz, mediado pelos Estados Unidos.
Ataques Aéreos e o Custo Humano
Os ataques aéreos atingiram diversas localidades na Faixa de Gaza. Médicos na região reportaram que um incidente em um acampamento que abrigava famílias deslocadas resultou na morte de, no mínimo, quatro pessoas. Simultaneamente, outras cinco vítimas fatais foram confirmadas em Khan Younis, no sul do território, e uma pessoa adicional foi morta a tiros na região norte, elevando o total de óbitos palestinos reportados.
As operações israelenses também focaram em alvos específicos, incluindo o que se suspeita ser um comandante do grupo Jihad Islâmica, aliado do Hamas, no bairro de Tel Al-Hawa, na Cidade de Gaza, indicando uma estratégia que vai além da resposta direta a violações territoriais.
A Disputa Sobre o Cessar-Fogo e a 'Linha Amarela'
Em meio à crescente tensão, o Hamas, através de seu porta-voz Hazem Qassem, condenou veementemente os ataques, classificando-os como um “novo massacre” contra civis palestinos deslocados e uma “grave violação do cessar-fogo”. Por sua vez, um oficial militar israelense defendeu as ações como “precisas” e alinhadas ao direito internacional, afirmando que o Hamas tem violado repetidamente o acordo de trégua estabelecido em outubro.
A principal justificativa israelense para os ataques deste domingo envolveu a violação da “Linha Amarela”, uma zona demarcada no acordo de cessar-fogo para separar as áreas controladas por Israel e pelo Hamas. Segundo o oficial militar, militantes teriam emergido de um túnel no lado israelense da linha, na área de Beit Hanoun, o que configuraria uma “violação explícita” do acordo. Israel argumenta que a presença de indivíduos armados além dessa linha demonstra uma intenção sistemática do Hamas de causar danos às suas tropas.
Contrariando os termos originais do acordo, Israel moveu unilateralmente a Linha Amarela para dentro do território de Gaza. Além disso, enquanto o plano de paz previa o desarmamento do Hamas, o grupo tem rejeitado tais exigências. Israel mantém a posição de que, se o Hamas não depuser suas armas voluntariamente, será forçado a fazê-lo, adicionando uma camada de complexidade às negociações de paz.
O Conselho de Paz de Trump e as Perspectivas para Gaza
A escalada de violência ocorre às vésperas da primeira reunião do novo Conselho Internacional de Paz para Gaza, organizada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, programada para a próxima quinta-feira. O evento, que contará com a participação de delegações de pelo menos 20 países e chefes de Estado, visa abordar a reconstrução e a estabilização da Faixa de Gaza, um ponto central do plano de Trump para encerrar o conflito.
Autoridades norte-americanas revelaram que Trump pretende anunciar um ambicioso plano de bilhões de dólares para a reconstrução de Gaza e detalhará a proposta de uma força de estabilização autorizada pela ONU para supervisionar o território palestino, demonstrando o compromisso de Washington em encontrar uma solução duradoura. Nesse contexto, Hazem Qassem, do Hamas, apelou aos participantes do conselho para que pressionem Israel a respeitar a trégua e implementar plenamente o acordo de cessar-fogo.
O Impacto Contínuo do Conflito
A troca de acusações sobre as violações do cessar-fogo tem sido uma constante entre Israel e o Hamas, evidenciando a fragilidade do acordo, que é um pilar do plano de Trump para pacificar a região. Este conflito, considerado o mais letal e destrutivo da história recente israelo-palestina, teve início com o ataque do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, resultando em mais de 1.200 mortes, segundo dados israelenses.
Desde então, a subsequente campanha militar israelense, que incluiu operações aéreas e terrestres em Gaza, já causou a morte de mais de 72.000 pessoas, de acordo com dados do Ministério da Saúde palestino, sublinhando a vasta escala da devastação humana. Enquanto isso, as Forças de Defesa de Israel (IDF) informaram que continuaram a destruir túneis subterrâneos no norte da Faixa de Gaza, conforme previsto no acordo, e que ataques aéreos visaram um edifício a leste da Linha Amarela após a detecção de militantes, resultando na morte de pelo menos dois, embora autoridades de Gaza não tivessem informações sobre essas últimas vítimas.
Os números da violência persistem mesmo sob a trégua nominal. O Ministério da Saúde de Gaza reporta que pelo menos 600 palestinos foram mortos por disparos israelenses desde o início do acordo, enquanto Israel afirma que quatro de seus soldados foram mortos por militantes em Gaza durante o mesmo período, pintando um quadro de confronto persistente e baixas mútuas.
A escalada de confrontos em Gaza, com ataques aéreos israelenses e a morte de civis palestinos, ressalta a precariedade do cessar-fogo e a profunda desconfiança mútua entre Israel e o Hamas. Enquanto o cenário político internacional se prepara para discutir a paz e a reconstrução do território devastado no Conselho mediado por Trump, a realidade no terreno continua a ser de violência e acusações recíprocas, tornando o caminho para uma estabilidade duradoura um desafio complexo e incerto.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

