O mercado financeiro brasileiro amanheceu com um misto de cautela e expectativa nesta terça-feira, 10 de fevereiro. Após o índice à vista Ibovespa ter alcançado um patamar inédito acima dos 186 mil pontos no pregão anterior, o contrato futuro da bolsa operava em leve baixa nas primeiras horas, refletindo a digestão dos dados de inflação ao consumidor de janeiro e a antecipação das declarações de importantes figuras políticas e econômicas. Às 9h07 (horário de Brasília), o contrato futuro com vencimento em fevereiro registrava uma queda de 0,35%, sendo negociado a 186.135 pontos, indicando um ajuste após o euforia do recorde.
Cenário Doméstico: Inflação e Influência Política
A atenção dos investidores se volta para a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o termômetro oficial da inflação no país. Em janeiro, o IPCA registrou alta de 0,33% em relação a dezembro, repetindo o desempenho do mês anterior. Nos últimos 12 meses, o indicador acumulou 4,44%. Estes números se alinharam praticamente às projeções do mercado, que, em pesquisa da Reuters, indicavam uma elevação de 0,32% no mês e 4,43% no acumulado anual. A leve aceleração em relação aos 4,26% registrados em dezembro mantém o cenário inflacionário sob monitoramento.
Paralelamente aos dados econômicos, a agenda política também movimenta o dia. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é um dos palestrantes do prestigiado BTG Pactual CEO Conference 2026, com sua participação agendada para as 9h. Suas declarações são aguardadas com grande interesse, podendo fornecer pistas sobre os rumos da política econômica do governo. No mesmo evento, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), também discursará às 10h, complementando o panorama de perspectivas políticas que podem influenciar o sentimento do mercado.
Agenda Corporativa: Balanços e Teleconferências
O ambiente corporativo nacional também oferece uma série de eventos cruciais para a movimentação dos ativos. A Petrobras (PETR4) está sob os holofotes, com a expectativa de divulgar, após o fechamento do mercado, seus dados de produção e vendas de petróleo e combustíveis referentes ao quarto trimestre e ao consolidado anual. Estes números são fundamentais para avaliar a performance da gigante estatal e suas projeções futuras.
Pela manhã, Motiva (MOTV3) e BB Seguridade (BBSE3) realizam teleconferências para apresentar e discutir seus resultados trimestrais com analistas e investidores, oferecendo uma visão aprofundada de suas finanças e estratégias. Já no período da tarde, após o fechamento do pregão, outras grandes empresas como Suzano (SUZB3) e TIM (TIMS3) também farão a divulgação de seus respectivos balanços, completando uma agenda repleta de informações que podem impactar o desempenho de setores específicos da bolsa.
Mercados Globais e Commodites: Panorama Externo
No cenário internacional, os principais índices futuros dos Estados Unidos registravam alta, com Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 Futuro avançando 0,06%, 0,05% e 0,11% respectivamente. A atenção dos investidores norte-americanos, no entanto, está voltada para a aguardada divulgação dos relatórios mensais de emprego e preços ao consumidor, que foram adiados devido à recente paralisação governamental de três dias. Enquanto isso, o dólar futuro para março, o mais líquido no Brasil, operava em queda de 0,13%, cotado a R$ 5,210.
Na Ásia, o índice Nikkei 225 do Japão fechou em alta, estendendo os ganhos da véspera, impulsionado pela vitória expressiva da primeira-ministra Sanae Takaichi na Câmara Baixa. A maioria dos mercados acionários asiáticos também encerrou o dia no campo positivo. Já os mercados europeus apresentavam um comportamento misto, reagindo a uma série de resultados corporativos divulgados por importantes companhias do continente.
No front das commodities, os preços do petróleo registravam baixa, influenciados pela avaliação dos riscos de abastecimento em meio às tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irã. Por outro lado, as cotações do minério de ferro na China permaneceram estáveis, encerrando uma sequência de seis sessões consecutivas de perdas. Os investidores ponderam o equilíbrio entre os baixos preços da matéria-prima e a diminuição nos embarques frente a uma demanda global ainda fraca.
Conclusão
A sessão desta terça-feira evidencia a complexidade do ambiente de investimentos, com o mercado brasileiro digerindo um novo recorde da bolsa ao mesmo tempo em que reage a dados econômicos e discursos políticos de peso. A conjugação da estabilização da inflação, as perspectivas advindas das falas de Haddad e Motta, e os resultados corporativos se somam ao panorama global de mercados mistos e commodities sob pressão. Esse conjunto de fatores delineia um cenário de cautela e atenção contínua para os investidores, que buscam decifrar os próximos movimentos e tendências.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

