O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, registrou uma queda expressiva nesta sexta-feira, cedendo mais de 1% e lutando para manter o patamar dos 180 mil pontos. O movimento de baixa foi amplamente influenciado por um cenário internacional desfavorável, com Wall Street em território negativo, e pela repercussão do anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre seu indicado para comandar o Federal Reserve. Paralelamente, o dólar comercial experimentou uma valorização acentuada frente ao real, e os juros futuros avançaram, refletindo a cautela dos investidores.
Pressão Global e a Instabilidade das Commodities
Os mercados globais operaram em tom de aversão ao risco, com os principais índices de Nova York encerrando o dia em queda. O Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq apresentaram baixas consistentes, impactando o sentimento dos investidores em todo o mundo. O índice de small caps dos EUA, Russell 2000, também perdeu força, amplificando a sensação de fragilidade. Em meio a esse cenário, commodities historicamente vistas como refúgios, como o ouro e a prata, registraram suas maiores quedas em anos, após terem atingido máximas recordes recentemente, sinalizando uma correção acentuada e uma reavaliação dos ativos de risco.
Mudanças no Federal Reserve e Repercussões Políticas
Um dos principais catalisadores da volatilidade foi a notícia da indicação de Kevin Warsh por Donald Trump para presidir o Federal Reserve. O atual diretor do Fed, Stephen Miran, em entrevista, expressou sua crença de que Warsh, que já foi diretor do banco central, preencherá sua vaga no conselho, cujo mandato expira em 31 de janeiro. Essa movimentação posicionaria Warsh para suceder Jerome Powell na presidência, cujo mandato termina em maio, embora seu cargo como diretor se estenda até 2028. Miran, que recentemente votou por um corte nas taxas de juros, antecipou uma rápida confirmação de Warsh, apesar de suas críticas passadas à política do Fed, esperando uma recepção calorosa pelos demais membros. A possibilidade de Powell permanecer no banco central para contrabalançar a influência política de Trump também é um fator de atenção.
Desempenho do Ibovespa e a Dinâmica do Câmbio Nacional
No front doméstico, o Ibovespa aprofundou suas perdas ao longo do dia, registrando mínima intradiária e fechando em queda acentuada, com o índice de volatilidade (VXBR) renovando sua máxima. A pressão vendedora foi generalizada, com o índice de Small Caps (SMLL) também atingindo uma nova mínima diária. Apesar da correção significativa, vale notar que o Ibovespa ainda mantém um saldo positivo na semana e acumula ganhos expressivos no mês, superando 12% em janeiro, indicando que a queda atual se insere em um contexto de forte valorização recente.
Em contraste com uma tendência anterior de enfraquecimento global, o dólar comercial acelerou sua valorização, atingindo R$ 5,270 na venda, com alta de 1,46%. Essa movimentação reverteu a tendência de início de ano, quando a moeda americana demonstrava fragilidade e o Real se destacava em rankings cambiais. A alta dos juros futuros no mercado doméstico também reflete a cautela e a busca por maior rentabilidade em meio à incerteza global e local.
Destaques Setoriais e Movimentos de Papéis na B3
A performance das ações na B3 foi majoritariamente negativa. As empresas do setor de óleo e gás júnior, como PRIO3, RECV3 e BRAV3, caíram mais de 1%. A mineradora Vale (VALE3) também sofreu perdas significativas, superando 3% em determinado momento, acompanhando o declínio de commodities. A Petrobras (PETR3 e PETR4) operou no campo negativo, embora com quedas mais contidas. A Embraer (EMBR3) também registrou leve baixa. No entanto, algumas exceções notáveis foram as companhias aéreas, com AZUL53 e GOLL54 apresentando ganhos expressivos, e pouquíssimos ativos do Ibovespa, como SLCE3 e KLBN11, conseguiram se manter no positivo, subindo marginalmente. O Índice de Fundos Imobiliários (IFIX) contrariou a tendência geral e registrou alta, alcançando uma nova máxima do dia.
Perspectivas para o Mercado
O dia de intensa volatilidade demonstra a sensibilidade dos mercados brasileiros aos ventos externos, especialmente às decisões e anúncios vindos dos Estados Unidos. A indicação para o comando do FED é um evento de peso que promete moldar as expectativas sobre a política monetária global. Embora o Ibovespa tenha enfrentado uma correção notável, sua trajetória positiva no ano e na semana sugere uma resiliência subjacente, mas os próximos dias serão cruciais para observar como o mercado absorve as novas informações e se posiciona diante de um cenário macroeconômico global ainda em transição e repleto de variáveis políticas.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

