O principal índice da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, registrou uma queda expressiva nesta sessão, cedendo mais de 1% e lutando para manter o patamar dos 185 mil pontos. O movimento de baixa reflete a cautela dos investidores diante de dados de inflação dos Estados Unidos, que influenciam as expectativas sobre a política monetária global, além de repercussões de balanços corporativos e notícias setoriais no mercado doméstico.
Cenário Macroeconômico: Inflação nos EUA e Desempenho Global
A atenção dos mercados globais esteve voltada para a divulgação da inflação ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos. O indicador registrou um aumento de 0,2% em janeiro, um número ligeiramente abaixo das projeções da pesquisa Reuters, que apontavam para 0,3%. Apesar de menor que o esperado, o dado contribuiu para um ambiente de aversão ao risco, com os principais índices de Nova York – Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq – operando em queda acentuada, pressionando o sentimento dos investidores em nível internacional.
Movimentações no Mercado Brasileiro: Bolsa, Dólar e Juros
No Brasil, o Ibovespa aprofundou as perdas, atingindo a mínima diária de 184.531,67 pontos e operando com desvalorização superior a 1,4%. A tentativa de sustentar a marca dos 185 mil pontos demonstra a volatilidade do dia. Em paralelo, o dólar comercial registrou valorização, atingindo a cotação de R$ 5,20, enquanto os juros futuros apresentaram recuo, refletindo as expectativas do mercado quanto à trajetória da taxa básica de juros no país.
Destaques Corporativos e Setoriais
O Caso Novonor e a Inadimplência do Banco do Brasil
Um dos pontos de atenção no cenário corporativo foi o impacto de um caso específico na inadimplência do Banco do Brasil (BB) no quarto trimestre do ano passado. Uma fonte com conhecimento do assunto revelou que a dívida em questão envolvia a Novonor, sendo garantida por ações da Braskem. Essa dívida de R$3,6 bilhões, pertencente à carteira de TVM do segmento Atacado, tornou-se inadimplente durante as negociações, elevando o índice de inadimplência acima de 90 dias do BB para 5,17%. Sem este caso, o indicador seria de 4,88%. A dívida, já regularizada em janeiro, foi cedida ao fundo IG4, que aguarda as autorizações regulamentares para assumir a posse das ações da petroquímica. O Banco do Brasil, procurado para comentar, afirmou não poder divulgar informações sobre a empresa devido a questões de sigilo.
Desempenho Setorial e Ações em Destaque
Em um dia de ampla baixa, a maioria dos setores e grandes empresas brasileiras sentiu o impacto. Ações de companhias como Vale (VALE3), que realizou teleconferência após divulgar prejuízo no quarto trimestre, e petroleiras como Petrobras (PETR3, PETR4) registraram quedas. Os grandes bancos – Banco do Brasil (BBAS3), Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11) – também iniciaram o dia em terreno negativo. O setor varejista, representado por nomes como Magazine Luiza (MGLU3), Arezzo (AZZA3) e C&A (CEAB3), acompanhou a tendência de recuo.
Contrariando o movimento geral, poucas ações apresentaram valorização, destacando-se ENEV3, CVCB3, USIM5, BRKM5, CSAN3 e IRBR3. Notadamente, CVCB3 ampliou seus ganhos, e Usiminas (USIM5) se destacou no setor de siderurgia, que operava de forma mista, com GGBR4 e CSNA3 em queda. O segmento de educação mostrou performance variada, com SEER3 e CSED3 em alta, enquanto COGN3 e YDUQ3 apresentavam desvalorização. As companhias aéreas também refletiram essa dualidade, com AZUL53 subindo e GOLL4 caindo.
Fluxo de Capital e Desempenho do Varejo Nacional
No contexto doméstico, dados recentes indicam uma redução no fluxo de capital estrangeiro para fundos de ações no Brasil, um sinal de que investidores internacionais estão adotando uma postura mais cautelosa. Em contraste, as vendas no varejo brasileiro registraram um crescimento de 1,6% no acumulado do ano, mostrando uma resiliência do consumo interno, embora o impacto desse dado no humor geral do mercado tenha sido ofuscado pelas preocupações macroeconômicas e corporativas.
A sessão reflete um dia de maior volatilidade e aversão ao risco nos mercados, impulsionado por uma combinação de fatores externos, como a inflação nos EUA, e eventos corporativos internos, como a notícia sobre a inadimplência do Banco do Brasil. A capacidade do Ibovespa de se recuperar ou manter patamares mais elevados dependerá da evolução desses cenários e da confiança dos investidores nas próximas semanas.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

