O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira (B3), atingiu um patamar inédito nesta quarta-feira, superando pela primeira vez a marca dos 189 mil pontos. A valorização significativa é atribuída a uma combinação de fatores domésticos e internacionais, incluindo a alta nas cotações do petróleo, a produção recorde da Petrobras e um fluxo robusto de capital estrangeiro, direcionado em parte pelas incertezas da política externa dos Estados Unidos.
O Salto do Ibovespa: Uma Nova Máxima Histórica
Após iniciar o pregão com uma leve oscilação e registrando a mínima do dia em 185.936,27 pontos, o indicador da B3 demonstrou vigor, saltando mais de 3 mil pontos para alcançar a máxima histórica de 189.100,48 pontos. Essa elevação representou uma valorização de 1,71% e consolidou uma série de renovações de máximas para o índice, impulsionando ações de peso no mercado, como as da Petrobras, que avançaram entre 1,31% e 1,43%, e da Vale, com alta de 2,30% mesmo com a queda do minério de ferro em Dalian. Grandes bancos, como o Bradesco (BBDC4), também registraram ganhos superiores a 2,50%.
Petróleo e Produção Recorde da Petrobras Impulsionam Ganhos
Um dos principais catalisadores para o desempenho otimista do mercado foi a valorização de quase 3% nas cotações futuras do petróleo, impactando positivamente as empresas do setor. Adicionalmente, a Petrobras anunciou na noite anterior a quebra de múltiplos recordes de produção em 2024, atingindo uma média de 3,081 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) no Brasil, um aumento notável de 11,1% em relação ao ano anterior. Esse feito da estatal contribuiu decisivamente para o entusiasmo dos investidores e para a alta do Ibovespa.
Incertezas Globais e o Fluxo de Capital Estrangeiro
O cenário internacional também desempenhou um papel crucial na valorização do mercado brasileiro. A intensificação das incertezas geopolíticas, especialmente após as novas ameaças do presidente Donald Trump ao Irã, tem levado investidores a realocar recursos de mercados mais expostos para outras praças, como o Brasil. Esse movimento de 'rotação de ativos no plano global', conforme analistas, resultou em um significativo influxo de capital estrangeiro para o país, o que tem sido fundamental para o estabelecimento de novos recordes no Ibovespa. Consequentemente, o dólar operou em queda, atingindo a mínima de R$ 5,1695, refletindo a entrada de divisas.
Impacto dos Dados de Emprego nos EUA e Declarações do Banco Central
Ainda no âmbito internacional, a divulgação do relatório de emprego (Payroll) nos Estados Unidos revelou números acima do esperado para janeiro, com a criação de 130 mil vagas fora do setor agrícola (ante uma projeção de 70 mil) e uma queda na taxa de desemprego para 4,3%. O salário médio por hora também cresceu 0,41% no mês e 3,71% no comparativo anual. Tais dados robustos reduziram as expectativas de um corte iminente nas taxas de juros americanas, impactando os mercados globais e, em menor escala, os índices futuros de ações norte-americanos, que também avançaram. No cenário doméstico, falas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento do BTG Pactual, reiterando a 'calibragem' da política monetária com 'serenidade' e que o BC age como um 'transatlântico', foram monitoradas pelo mercado. Ele enfatizou que suas declarações não visam corrigir interpretações do mercado, mas sim reforçar a comunicação oficial da autoridade monetária, que tem mantido um diferencial de juros favorável ao Brasil frente aos EUA, atraindo ainda mais o capital estrangeiro.
Perspectivas Futuras e o Calendário Econômico
Com a quebra do recorde, o mercado mantém-se atento aos próximos desdobramentos econômicos e corporativos. No radar dos investidores, aguardava-se a divulgação da pesquisa Genial/Quaest ainda nesta quarta-feira, bem como o balanço do Banco do Brasil (BBAS3) após o fechamento do pregão da B3. A continuidade do fluxo de capital externo, a dinâmica dos preços do petróleo e a evolução das políticas monetárias global e doméstica seguirão sendo os principais vetores para as próximas sessões, enquanto o Ibovespa navega em seu novo território de máximas históricas.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

