A Índia encontra-se novamente em estado de alerta sanitário após a confirmação de um surto do vírus Nipah (NiV) no estado de Bengala Ocidental. As autoridades de saúde intensificaram as medidas de monitoramento e contenção diante dos cinco novos casos detectados, que reacendem a preocupação com esta doença altamente letal. A rápida ação visa prevenir uma escalada da infecção, que tem um histórico de causar quadros graves e mortes em surtos anteriores.
Ameaça no Bengala Ocidental: O Recente Surto de Nipah
O foco mais recente do vírus Nipah concentra-se em Calcutá, a capital de Bengala Ocidental, onde cinco indivíduos foram confirmados com a infecção. Preocupantemente, os casos envolvem profissionais de saúde — médicos e enfermeiros — que atuam no mesmo hospital, indicando um potencial risco de transmissão em ambiente clínico. Diante deste cenário, cerca de 100 pessoas que tiveram contato próximo com os pacientes foram orientadas a seguir isolamento preventivo, enquanto um dos infectados apresenta um quadro clínico grave, conforme divulgado pelo departamento de saúde local.
O Vírus Nipah: Origem e Características Essenciais
O Nipah (NiV) é um vírus zoonótico classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das prioridades globais para pesquisa e desenvolvimento de tratamentos. Ele foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto severo entre criadores de porcos na Malásia. Desde então, a doença tem provocado episódios esporádicos e localizados em diversas nações asiáticas, incluindo Bangladesh, Filipinas, Singapura e, notavelmente, a Índia.
O principal reservatório natural do vírus são os morcegos frugívoros do gênero Pteropus, que habitam vasta áreas da Ásia e do Pacífico Sul, estendendo-se do Camboja à Austrália. Embora os morcegos geralmente não manifestem a doença, eles podem eliminar o vírus através de secreções e excreções, tornando-se uma fonte de contaminação para outros animais e humanos.
Vias de Transmissão e o Risco de Propagação
A transmissão do Nipah pode ocorrer de múltiplas formas. Inicialmente, surtos foram associados ao contato com porcos doentes ou ao consumo de carne suína infectada. Em episódios subsequentes, principalmente em Bangladesh e na Índia, a ingestão de frutas ou produtos agrícolas (como a seiva da tamareira) contaminados pela saliva ou urina de morcegos frugívoros tornou-se uma via comum de infecção para humanos.
Adicionalmente, a transmissão de pessoa para pessoa tem sido um fator preocupante, especialmente em ambientes de saúde e domicílios. O contágio interpessoal ocorre por contato próximo com secreções e excreções de indivíduos infectados. Exemplos notáveis incluem um surto indiano em 2001, onde cerca de 75% dos casos afetaram funcionários e visitantes de um hospital, e em Bangladesh, entre 2001 e 2008, onde aproximadamente metade das infecções foi atribuída à disseminação entre humanos durante a assistência a pacientes.
Manifestações Clínicas e Gravidade da Infecção
O período de incubação do vírus Nipah pode variar de 4 a 14 dias, com registros de até 45 dias, tornando o rastreamento de contatos desafiador. Os primeiros sintomas são inespecíficos e semelhantes aos de uma gripe, incluindo febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e desconforto na garganta.
Em muitos pacientes, a doença pode progredir rapidamente para um quadro neurológico severo. Sintomas como tontura, sonolência, alteração do nível de consciência e manifestações compatíveis com encefalite aguda são comuns. Casos mais graves podem evoluir para convulsões e coma em apenas 24 a 48 horas. Além disso, há relatos de pneumonia atípica e insuficiência respiratória grave, incluindo a síndrome do desconforto respiratório agudo. A letalidade do Nipah é extremamente alta, estimada entre 40% e 75%, dependendo da cepa do vírus e da capacidade de resposta do sistema de saúde local.
Desafios no Combate e Medidas de Prevenção
Atualmente, não existem medicamentos antivirais específicos ou vacinas aprovadas para o tratamento ou prevenção da infecção pelo vírus Nipah. O manejo clínico da doença é essencialmente de suporte, focado no tratamento dos sintomas e complicações respiratórias e neurológicas, muitas vezes exigindo cuidados intensivos. Essa lacuna em terapias específicas ressalta a importância das medidas de vigilância, isolamento e prevenção de contato.
A prevenção é crucial e envolve evitar o contato com morcegos e porcos doentes, não consumir frutas que possam ter sido contaminadas pela saliva ou urina de morcegos, e praticar higiene rigorosa, especialmente em ambientes onde há pessoas infectadas. A proteção de profissionais de saúde com equipamentos de proteção individual adequados é fundamental para quebrar a cadeia de transmissão em hospitais e clínicas.
O novo surto em Bengala Ocidental reforça a necessidade de manter a vigilância ativa e investir em pesquisa para desenvolver ferramentas eficazes contra o Nipah, uma ameaça que continua a desafiar a saúde pública globalmente.
Fonte: https://portalleodias.com

