Intoxicação em Academia: Donos da C4 Gym em SP Não Colaboram em Inquérito Sobre Morte de Professora de Natação

A morte da professora de natação Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, na academia C4 Gym, localizada no Parque São Lucas, Zona Leste de São Paulo, segue sob investigação da Polícia Civil, que apura as circunstâncias da tragédia. O inquérito, conduzido pelo 42º Distrito Policial, foca na manipulação inadequada de produtos químicos na piscina do estabelecimento, um fator que, segundo as autoridades, pode ter desencadeado a intoxicação fatal e afetado outras pessoas.

A Linha Investigativa Principal

A principal linha de investigação da Polícia Civil aponta para uma prática perigosa na manipulação dos agentes químicos destinados à piscina. Conforme revelado pelo delegado assistente Rodrigo Rezende, do 42º DP, em entrevista, os produtos eram supostamente misturados em um balde e deixados nas proximidades da área aquática, uma metodologia que se alinha com os depoimentos já colhidos. Essa conduta, em um ambiente que possivelmente carecia de ventilação adequada, é considerada a provável causa da liberação de gases tóxicos, que teriam levado à intoxicação das vítimas.

A Controversa Função do Manobrista

Um dos pontos cruciais do inquérito é a constatação de que o funcionário encarregado da manutenção da piscina não possuía qualificação técnica ou licença para tal função. Identificado como manobrista do estabelecimento, este indivíduo, que deveria atuar no estacionamento, foi incumbido da administração dos produtos químicos. Em seu depoimento, o manobrista, que já se apresentou à polícia acompanhado de advogada, alegou ter apenas cumprido ordens de um superior hierárquico, indicando que as instruções sobre as formas e quantidades de ministrar as substâncias vinham de uma figura acima em sua cadeia de comando.

A Ausência dos Donos e as Próximas Etapas

Até o momento, os proprietários da C4 Gym não compareceram à delegacia para prestar esclarecimentos, o que tem dificultado o andamento da apuração. O delegado Rezende expressou preocupação com a falta de colaboração, que considera inexistente, e informou que a polícia está analisando medidas jurídicas para garantir o comparecimento dos responsáveis, incluindo o superior que supostamente deu as ordens ao manobrista e que também não se apresentou. A investigação busca identificar não apenas quem deu as ordens diretas, mas também quem, na administração da academia, possa ter contribuído para o desfecho trágico, indicando que a responsabilidade pode se estender além do funcionário direto.

Interdição e Abertura de Processo Administrativo

Em resposta ao incidente, a Prefeitura de São Paulo agiu rapidamente, interditando preventivamente a academia C4 Gym e iniciando um processo de cassação de sua licença de funcionamento. Para o avanço decisivo do caso, são aguardados os laudos periciais e o exame necroscópico, que serão fundamentais para determinar a causa exata da morte de Juliana Bassetto e precisar quais substâncias tóxicas estiveram envolvidas. Esses documentos científicos serão cruciais para corroborar as linhas investigativas e consolidar as provas, dando clareza às circunstâncias da tragédia.

A tragédia na C4 Gym levanta sérias questões sobre a segurança e a responsabilidade na gestão de estabelecimentos que lidam com produtos químicos e a vida de seus frequentadores. Enquanto a polícia se empenha em desvendar todas as facetas do caso e responsabilizar os envolvidos, a comunidade aguarda respostas claras e ações que previnam incidentes semelhantes no futuro, assegurando que a memória de Juliana Faustino Bassetto seja honrada com justiça e que a segurança em espaços públicos seja garantida.

Fonte: https://portalleodias.com

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