O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou profunda preocupação com os rumos da política internacional, alertando para o que descreveu como o desmantelamento do multilateralismo. Durante um encontro com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o chefe de Estado brasileiro criticou veementemente a iniciativa do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de conceber uma "nova ONU" sob seu comando, interpretando tal movimento como um desrespeito flagrante aos princípios estabelecidos na Carta das Nações Unidas.
O Desafio ao Multilateralismo e a Proposta de Trump
Lula ressaltou que o cenário global vive um momento de fragilidade, onde a ascensão do unilateralismo ameaça a estrutura da governança mundial. Ele enfatizou que, em vez de buscar a reforma da Organização das Nações Unidas – uma demanda que o Brasil defende ativamente desde 2003, visando a inclusão de novos membros e uma maior representatividade – observa-se uma tendência perigosa de ignorar seus preceitos fundamentais. O presidente brasileiro destacou a proposta de Donald Trump de criar uma "nova ONU" como um exemplo contundente dessa inclinação unilateral, onde uma única nação buscaria ditar as regras globais.
Esforços Diplomáticos Brasileiros em Prol do Equilíbrio Global
Em contraposição a essa visão, o presidente Lula revelou que dedicou a semana a intensas conversas com líderes de diversos países, buscando fortalecer o multilateralismo e prevenir a imposição da "lei do mais forte" nas relações internacionais. Entre os chefes de Estado com quem dialogou, figuram nomes como o presidente russo, Vladimir Putin; o presidente chinês, Xi Jinping; o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi; e a presidente do México, Claudia Sheinbaum. Essas articulações demonstram o empenho do Brasil em promover o diálogo e a cooperação como pilares para a resolução de desafios globais.
Dignidade Nacional Frente à Assimetria de Poder
Apesar de reconhecer a notória superioridade bélica dos Estados Unidos e a limitada capacidade das Forças Armadas brasileiras, o presidente Lula fez questão de enaltecer a postura de dignidade e autonomia do Brasil no palco internacional. Em seu discurso no evento do MST em Salvador, ele afirmou que, mesmo sem um grande poderio militar, o país possui uma forte identidade e não se curvará diante de imposições externas. Essa declaração sublinha a defesa de uma política externa soberana e a recusa em aceitar subordinar-se a interesses alheios, reforçando o valor da dignidade nacional acima do poder bélico.
A posição expressa pelo presidente Lula não apenas reflete uma profunda preocupação com o futuro da governança global, mas também solidifica o compromisso do Brasil com um modelo de relações internacionais pautado pela colaboração e pelo respeito mútuo. Ao criticar a desconsideração pela Carta da ONU e a sugestão de uma "nova ordem" centralizada em uma única potência, o Brasil, por meio de sua liderança, se posiciona como um defensor ativo do multilateralismo, buscando influenciar a construção de um cenário global mais justo, equitativo e onde a voz de todas as nações seja devidamente considerada.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

