Mercado em Movimento: Copom Sinaliza Cortes, Ibovespa Futuro Sobe e Petróleo em Foco

O mercado financeiro brasileiro iniciou a terça-feira (XX de Mês) com um clima de otimismo, impulsionado pela expectativa de um ciclo de flexibilização monetária no país. Enquanto o Ibovespa futuro registrava ganhos e os juros futuros apresentavam queda generalizada, o dólar comercial operava em baixa frente ao real. O dia é marcado pela divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que reforça a visão de um início cauteloso nos cortes da taxa Selic, embora o cenário econômico doméstico apresente desafios, como a queda inesperada na produção industrial de dezembro.

Ata do Copom Detalha Roteiro para a Selic

A ata da última reunião do Copom forneceu informações cruciais sobre a direção da política monetária, solidificando a expectativa de que um ciclo de afrouxamento monetário prudente pode começar em março, desde que as condições macroeconômicas evoluam conforme o previsto. O Comitê avaliou um cenário global com menor incerteza e notou que a economia doméstica manteve uma trajetória de crescimento moderado, em linha com suas projeções. Um ponto chave foi a observação da desaceleração da inflação, tanto no índice geral quanto em suas medidas subjacentes, e a aproximação das expectativas de inflação em relação à meta, o que indica que a transmissão da política monetária está sendo eficaz.

A discussão sobre o mercado de trabalho na ata trouxe nuances importantes para a perspectiva inflacionária. Embora o Copom tenha apontado que a renda real média superou a produtividade do trabalho – uma declaração interpretada por analistas como potencialmente agressiva –, também sublinhou a necessidade de mais análises para compreender a transmissão dos níveis de emprego para a renda e, por fim, para os preços em diversos setores, denotando uma postura de cautela e moderação.

Diante desse panorama, a XP Projeta um corte de 50 pontos-base na taxa Selic em março. A corretora prevê uma sequência de cinco reduções consecutivas de 50 pontos-base até o final do ano, levando a Selic a 12,50%. Nesse cenário, a taxa básica de juros real se situaria em torno de 8,0%, um patamar considerado acima do nível neutro, o que reflete as preocupações com os desafios fiscais esperados para o próximo ciclo presidencial.

Desempenho dos Mercados Domésticos

O Ibovespa futuro registrou um desempenho positivo, atingindo os 185,825 pontos com uma valorização de 1,19% no início do pregão, refletindo o otimismo geral com a perspectiva de juros menores. O índice EWZ, que acompanha o mercado brasileiro na pré-abertura dos EUA, também acompanhou a tendência, subindo 1,11%. Em contraste, o dólar comercial cedia terreno, negociado a R$ 5,24, enquanto o DXY, índice que mede a força do dólar ante uma cesta de moedas, mostrava leve baixa de 0,02%.

Os juros futuros (DIs) abriram o dia com quedas consistentes em toda a curva, alinhando-se à expectativa de cortes na Selic. A taxa do DI1F27, por exemplo, recuou 0,035 ponto percentual, para 13,420%, e a do DI1F35 baixou 0,075 ponto percentual, para 13,345%, indicando que o mercado já precifica uma política monetária menos restritiva.

No âmbito econômico, a produção industrial brasileira registrou uma queda de 1,2% em dezembro, resultado mais desfavorável do que o esperado e que adiciona um elemento de cautela ao cenário de crescimento. Paralelamente, a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) informou que os preços da gasolina no Brasil voltaram a superar a paridade internacional em 3%, o equivalente a R$ 0,07, oito dias após o último anúncio de redução pela Petrobras. Já o diesel S10 apresentou uma defasagem negativa de 4%, ou -R$ 0,13, em relação ao mercado externo.

Cenário Corporativo e Notícias Globais

No ambiente corporativo, as ações da Petrobras (PETR3;PETR4) atraíram a atenção após o Bradesco BBI rebaixar sua recomendação para neutra. A decisão do banco foi motivada pela percepção de espaço de alta limitado para os papéis, que já acumularam mais de 20% de valorização no ano, e pela ausência de gatilhos positivos significativos para a história micro da estatal.

No cenário internacional, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, gerou manchetes ao declarar que seu governo busca US$1 bilhão em indenizações da Universidade de Harvard. A demanda visa encerrar investigações federais sobre as políticas da instituição, incluindo questões relacionadas a protestos pró-palestinos, diversidade no campus e políticas transgênero. Trump, que alega que Harvard e outras universidades permitiram manifestações de antissemitismo, fez a declaração em uma postagem no Truth Social, sem detalhar como chegou ao montante ou as indenizações a que se referia, em meio a meses de negociações sem acordo final.

Perspectivas para o Dia

A terça-feira se desenha com o mercado atento à concretização das expectativas de flexibilização monetária, delineadas pela ata do Copom. A combinação de um ambiente de juros potencialmente menores, a análise dos dados de produção industrial e os desenvolvimentos em empresas-chave como a Petrobras, em conjunto com as notícias globais, moldará o restante do pregão. Investidores e operadores de day trade continuarão a monitorar os indicadores e os anúncios, buscando oportunidades em meio à dinâmica fluida dos mercados.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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