A Vale (VALE3) divulgou um balanço trimestral que, embora marcado por um prejuízo financeiro atípico decorrente de baixas contábeis, revelou um desempenho operacional robusto e um claro direcionamento estratégico para a mineradora. Analistas apontam unanimemente a subsidiária Vale Base Metals (VBM) – focada em cobre e níquel – como a grande protagonista, impulsionando os resultados e delineando a visão de futuro da companhia no contexto da transição energética global.
A Ascensão dos Metais Básicos: Cobre e Níquel no Centro da Estratégia
O setor de metais básicos da Vale tem se consolidado como um pilar fundamental para o crescimento e a criação de valor. O CEO Gustavo Pimenta reforçou o compromisso da empresa em expandir sua atuação no cobre, classificando-o como um mineral essencial para a transição energética, ao lado da contínua importância do minério de ferro. Essa perspectiva é amplamente compartilhada pelo mercado, com o Bradesco BBI destacando o posicionamento favorável do cobre e do níquel para entregarem aumentos de produção e melhoria contínua na performance de custos nos próximos anos. Iniciativas de crescimento para o cobre estão em pleno andamento, com a expectativa de novos relatórios técnicos para diversos projetos até o primeiro trimestre de 2026, e o projeto Bacaba programado para iniciar suas operações no primeiro semestre de 2028.
Desempenho Financeiro e Operacional Robusto da VBM
O quarto trimestre demonstrou a força operacional da Vale Base Metals, superando as expectativas do mercado. As vendas de cobre registraram um aumento significativo de 18,8% na comparação trimestral, enquanto as de níquel avançaram 15,6% no mesmo período, ambos os resultados acima das projeções do Bank of America (BofA). Este crescimento nos volumes, aliado a preços ligeiramente mais favoráveis para o cobre, impulsionou a receita da VBM para US$ 2,691 milhões, um aumento de 35% trimestre a trimestre e 36% ano a ano, excedendo as estimativas. Consequentemente, o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda) de metais básicos alcançou US$ 1,393 milhões, com um salto de 103% em relação ao trimestre anterior e 157% anualmente, refletindo os excelentes resultados operacionais e a eficiência de custos.
Otimização de Custos e Projeções Futuras
A mineradora tem demonstrado um foco incisivo na otimização de custos em seus projetos de metais básicos. As últimas orientações da Vale indicam uma redução nos custos totais (all-in costs) para o cobre, fixados entre US$ 1.000 e US$ 1.500 por tonelada. Notavelmente, no último trimestre, o custo líquido de subprodutos para o cobre atingiu um patamar negativo de US$ -900 por tonelada, evidenciando uma gestão de custos altamente eficaz e a geração de receitas adicionais. Essa performance robusta não apenas contribui para a rentabilidade atual, mas também solidifica a base para os projetos de crescimento futuros, assegurando que a expansão da capacidade seja realizada de forma competitiva e economicamente viável.
IPO da Vale Base Metals: Uma Opção para o Futuro, Não para o Presente
Com a Vale Base Metals consolidando-se como vetor de crescimento, surgem naturalmente questionamentos sobre a possibilidade de um IPO para a subsidiária, visando um maior investimento. Embora o CEO Gustavo Pimenta não descarte totalmente a ideia, ele enfatizou que essa não é a prioridade no momento. A estratégia atual foca na geração de valor e na capacidade de dobrar a produção de cobre da Vale por meio de crescimento orgânico. O CFO Marcelo Bacci complementou, afirmando que não há uma necessidade premente de buscar recursos no mercado, pois o crescimento orgânico pode ser autofinanciado, não existindo um problema financeiro a ser resolvido de imediato. A abertura de capital da VBM, portanto, permanece como uma opção estratégica a ser avaliada em um futuro mais distante, caso se mostre necessária para impulsionar a ambiciosa agenda de expansão.
Em síntese, o desempenho da Vale no último trimestre, impulsionado pelos metais básicos, reafirma sua aposta na transição energética. Com o cobre e o níquel na linha de frente, a mineradora demonstra capacidade operacional e estratégica para consolidar sua posição neste mercado em expansão, priorizando o crescimento orgânico e a eficiência, ao mesmo tempo em que mantém a flexibilidade para futuras decisões de financiamento.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

