Ouro Fortalece Rali em Meio a Incertezas da Groenlândia e Expectativas de Cortes de Juros

O mercado de metais preciosos encerrou a quinta-feira com o ouro registrando sua terceira sessão consecutiva de alta, impulsionando seu valor bem acima da marca de US$ 4.800,00 por onça-troy. Este rali significativo foi catalisado por um cenário de persistente incerteza geopolítica, particularmente em torno da Groenlândia, e apoiado por expectativas de flexibilização da política monetária nos Estados Unidos, que favorecem ativos considerados seguros. Apesar de uma breve distensão inicial, a retórica renovada sobre o futuro da ilha ártica reacendeu o interesse dos investidores pelo metal amarelo.

A Dinâmica da Groenlândia: Do Otimismo à Retomada da Incerteza

A jornada do ouro no pregão de quinta-feira foi marcada por uma notável volatilidade intradia, refletindo a rápida mudança no panorama geopolítico. Inicialmente, o metal precioso registrou uma ligeira queda após o presidente norte-americano, Donald Trump, recuar na ameaça de impor novas tarifas contra países europeus, que estariam relacionadas à questão da Groenlândia. A notícia de que as tarifas programadas para 1º de fevereiro não seriam aplicadas gerou um clima de otimismo, sugerindo uma distensão nas relações entre os EUA e a Europa. Essa perspectiva de melhora foi reforçada por anúncios sobre a criação de uma estrutura para um futuro acordo referente à ilha, o que parecia aplacar as tensões na região do Ártico.

No entanto, o sentimento de alívio mostrou-se efêmero. No decorrer da tarde, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, trouxe um novo elemento de incerteza ao afirmar a existência de “limites inegociáveis” para a região. Mais enfaticamente, Nielsen negou ter conhecimento detalhado sobre qualquer esboço de acordo que teria sido alcançado entre Trump e o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte. Sua declaração, “Não sei o que há de concreto sobre esse acordo com os EUA”, dissipou rapidamente o otimismo matinal e realimentou a percepção de instabilidade, servindo como um catalisador para a recuperação e a subsequente alta do ouro.

Desempenho dos Metais Preciosos e Projeções de Mercado

A resposta do mercado à renovada tensão sobre a Groenlândia foi imediata. Na Comex, a divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o contrato futuro de ouro para fevereiro fechou com uma valorização de 1,57%, atingindo US$ 4.913,40 por onça-troy. A prata também acompanhou a tendência de alta, com os contratos para março avançando 4,03%, para US$ 96,37 por onça-troy, demonstrando a força do apetite por segurança em todo o segmento de metais preciosos.

A percepção de incerteza que impulsionou o ouro foi corroborada por análises de grandes instituições financeiras. O Swissquote Bank observou que a valorização do ouro reflete um ceticismo generalizado dos investidores em relação ao cenário atual, indicando uma busca contínua por refúgios seguros. Alinhado a essa visão, o Goldman Sachs revisou para cima sua projeção para o preço do ouro até o final do ano, elevando-a para US$ 5.400,00 por onça-troy, uma alta significativa em comparação com a estimativa anterior de US$ 4.900,00. O UBS endossou essa perspectiva, compartilhando expectativas semelhantes para a valorização do metal, sublinhando um consenso crescente sobre o potencial de alta do ouro em face das atuais condições globais.

O Cenário Macroeconômico e o Impacto do Federal Reserve

Além dos fatores geopolíticos, o ouro também encontrou suporte nas expectativas macroeconômicas. A divulgação da leitura da inflação do Índice de Preços para Despesas de Consumo Pessoal (PCE) nos Estados Unidos, que veio em linha com o esperado, não alterou significativamente as apostas do mercado em relação aos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano. Essa estabilidade nas expectativas de política monetária contribui para a atratividade do ouro.

Ferramentas de monitoramento, como a do CME Group, indicam que os investidores precificam uma manutenção das taxas de juros em janeiro. Contudo, a perspectiva para o horizonte até dezembro sinaliza uma clara inclinação para reduções, com apostas majoritárias em cortes que levariam as taxas para a faixa de 3,25% a 3,50% e, possivelmente, de 3,0% a 3,25%. Tradicionalmente, cenários de cortes nas taxas de juros pelo Fed tendem a beneficiar o ouro, pois diminuem o custo de oportunidade de se manter um ativo que não rende juros, tornando-o mais competitivo em relação a outras aplicações financeiras.

Conclusão: Ouro como Refúgio em um Mundo Incerteiro

A robusta performance do ouro nesta quinta-feira reitera sua posição como um porto seguro em tempos de incerteza. A complexa interação entre a volatilidade geopolítica em torno da Groenlândia, a cautela expressa por analistas de mercado e a antecipação de uma política monetária mais flexível por parte do Federal Reserve, criaram um ambiente propício para a valorização contínua do metal precioso. Com a manutenção do ceticismo sobre o cenário global e a persistência de fatores que podem desestabilizar as relações internacionais e a economia, o ouro permanece um ativo estratégico e de grande interesse para os investidores que buscam proteção para seu capital.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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