A Petrobras (PETR3;PETR4) encerrou o ano de 2025 com um desempenho operacional sólido, refletido em seus dados de produção e vendas divulgados para o quarto trimestre e o acumulado anual. Apesar de volumes considerados dentro das expectativas por analistas, o mercado volta suas atenções para os próximos resultados financeiros, aguardados para 5 de março, com a questão dos dividendos do 4T25 gerando discussões e projeções cautelosas entre as principais casas de análise.
Desempenho Operacional: Crescimento Anual e Estabilidade Trimestral
No quarto trimestre de 2025, a estatal registrou uma produção média de 3,081 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), que inclui petróleo e gás natural. Este volume representa um avanço expressivo de 18,6% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Contudo, em relação ao terceiro trimestre de 2025, houve uma leve desaceleração de 1,1%. Para o acumulado do ano, a Petrobras alcançou uma produção média de 2,960 milhões de boed, significando um aumento de 11,1% frente a 2024 e superando o limite superior de sua projeção em 4%. Entre os fatores que impulsionaram esse crescimento anual, destacam-se a elevação da capacidade de produção dos FPSOs Almirante Tamandaré e Marechal Duque de Caxias, bem como uma notável melhora na eficiência operacional, com um acréscimo de 3,6 pontos percentuais em relação a 2024, especialmente nas plataformas da Bacia de Santos.
O segmento de refino e distribuição também apresentou resultados alinhados com as expectativas. As vendas de combustíveis atingiram a marca de 1,771 milhão de barris por dia. Embora ligeiramente abaixo do terceiro trimestre de 2025, essa variação é atribuída a fatores sazonais, mantendo-se em linha com as projeções do mercado. A produção no pré-sal continua a ser a espinha dorsal da operação da companhia, respondendo por 82% do total, um patamar próximo aos recordes observados no trimestre anterior.
Análise do Mercado: Consenso de Neutralidade com Vislumbres Positivos
A reação inicial dos analistas aos dados de produção e vendas da Petrobras foi majoritariamente neutra, mas com apontamentos positivos. A XP Investimentos classificou os resultados como marginalmente positivos, destacando que a pequena queda na produção trimestral já era amplamente antecipada. A análise da XP sugere que o relatório adiciona um potencial positivo para os resultados do 4º trimestre de 2025, principalmente devido à implicação de uma desestocagem de cerca de 178 mil barris por dia nas vendas. O JPMorgan corroborou a visão de neutralidade, reiterando que os níveis de produção no quarto trimestre se mantiveram estáveis em comparação com o período anterior, em consonância com as expectativas de mercado.
O BTG Pactual também observou estabilidade na produção exploratória, com uma menor utilização das refinarias sendo parcialmente compensada por um incremento nas exportações de petróleo. Olhando para o futuro, o JPMorgan projeta uma continuidade no crescimento da produção da Petrobras, impulsionada pela expansão da capacidade e pela entrada em operação de novas plataformas, consolidando a expectativa de um fluxo operacional robusto para os próximos períodos.
Dividendos do 4T25: Expectativas sob o Efeito de Eventos Pontuais
Com a divulgação dos resultados financeiros do quarto trimestre programada para 5 de março, as projeções de dividendos se tornaram o centro das atenções. O Goldman Sachs, alinhado com o consenso da Bloomberg para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), antecipa que a Petrobras anuncie cerca de US$ 1,3 bilhão em dividendos ordinários, o que corresponderia a um rendimento de aproximadamente 1%. Esta estimativa é baseada na política da empresa de distribuir 45% do fluxo de caixa livre. No entanto, o Goldman Sachs adverte que a distribuição deste trimestre deve ser negativamente impactada pela aquisição das participações minoritárias do governo em campos do pré-sal na Bacia de Santos, ocorrida em dezembro.
Corroborando a visão de pressão sobre os dividendos, o Itaú BBA projeta um Ebitda de US$ 10,6 bilhões para o 4T25, uma redução de 12% em relação ao trimestre anterior. Consequentemente, o fluxo de caixa operacional é estimado em US$ 8,6 bilhões. Após a dedução de um capex projetado em US$ 6,4 bilhões, o banco calcula um pagamento de dividendos ordinários de US$ 1,0 bilhão para o 4T25, resultando em um rendimento de 1,1%. O Itaú BBA aponta eventos não recorrentes que influenciaram o trimestre, como um pagamento de US$ 1,3 bilhão referente ao leilão do pré-sal e um desembolso de US$ 285 milhões associado ao campo de Jubarte, este último previsto para reduzir o lucro antes dos impostos (EBT) em cerca de US$ 712 milhões no período.
Ainda segundo a equipe de análise do Itaú BBA, o investimento total de capital (Capex) no 4T25 é estimado em US$ 5,7 bilhões, um aumento de 4% em relação ao trimestre anterior, refletindo a sazonalidade típica que concentra uma parcela maior dos investimentos no final do ano. Essa projeção eleva o Capex total para 2025 a US$ 19,7 bilhões, superando em 7% a estimativa de US$ 18,5 bilhões delineada no Plano Estratégico 2025-2029. Em função desses leilões e investimentos, o desembolso de caixa no 4T25 deve alcançar aproximadamente US$ 6,4 bilhões, um salto de 30% em comparação com o trimestre anterior, impactando diretamente o caixa disponível para proventos.
Conclusão: Foco no Equilíbrio entre Crescimento e Remuneração
Os dados operacionais da Petrobras para 2025 demonstram uma trajetória de crescimento consistente, com a empresa superando suas próprias projeções de produção e consolidando a dominância do pré-sal. Contudo, a análise de mercado para o 4T25 revela que, apesar do bom desempenho operacional, eventos pontuais de aquisição e investimentos estratégicos podem impor uma pressão considerável sobre a capacidade de distribuição de dividendos ordinários, conforme a política de remuneração. O mercado aguarda com expectativa os detalhes do balanço do 4T25 para compreender o impacto final dessas variáveis no fluxo de caixa livre e nas decisões de proventos, que continuarão sendo um ponto-chave para os investidores.
Fonte: https://www.infomoney.com.br

